UMA CHAGA NO CORAÇÃO DA IGREJA!
abril 25, 2010 on 3:40 pm | In Pe. Robson | 1 ComentárioVivemos em uma sociedade ‘reprimida’ e, ao mesmo tempo, ‘erotizada’ em sua sexualidade. Ambas são realidades visíveis na formação da personalidade humana. O modo de viver a sexualidade confere a gênese futura de qualquer indivíduo. Trata-se de um processo que gera a individuação. Realidade, esta, capaz de ampliar ou de aprisionar a consciência.
A sexualidade determina a forma como a pessoa interage com o processo de socialização. São muitas as exigências sociais exercidas pela família e pela cultura. Ambas assumem o viés das instituições sociais que podem libertar para a superação, emancipar para a maturidade ou do contrário, fazer da sexualidade a grande inimiga do humano.
A repressão e a erotização possuem o poder de condicionar, manipular, alienar, infringir, somatizar e nos casos mais crônicos, gerar as enfermidades psíquicas.
Por repressão compreende-se o silêncio dos impulsos sexuais de forma intensa, visando anulá-los na essência. O método utilizado é o das interdições, centradas na vergonha e na culpa. Já a erotização se apresenta como a coisificação do desejo. Neste ponto, o dom da sexualidade é drasticamente reduzido ao extremo. Infelizmente, muitos se esquecem de que a pulsão sexual engloba todas as esferas da vida e está tão presente em nós, que é impossível dissociá-la de qualquer comportamento tido como humano.
A palavra “erotismo” é proveniente do grego transliterado em “erotikós” e refere-se ao abuso do sensual nas variáveis do vulgar. Assim, a sexualidade é confundida com prazer a todo e qualquer custo. E no prazer pelo prazer nasce o hedonismo. Já não há espaço para as prosaicas restrições ao sexo, pelo contrário, ele é vivenciado até a patologia da libido.
A sexualidade não deve ser perseguida. Devemos trazê-la para perto e não distanciá-la de nossa convivência subjetiva. É necessário entender sua linguagem e representações. Sexualidade é dom, não pecado; é prazer, não imoralidade; é potência, não maldição! Pelo fato de nos comportarmos como “seres de extremidade” sempre nos pautamos pela repressão ou pela erotização: dois limites que fazem a sexualidade tornar-se doente e débil.
Com muito respeito e com profunda reverência à fé, acredita-se que a vivência da sexualidade é um problema atual para Igreja. Muitas são as facções que titubeiam na busca da verdade. O que vale é adentrar no campo da “possibilidade” e não agir com determinismo na presente análise.
Os passados e sempre recentes casos de pedofilia demonstram a ausência de uma educação sexual orientada para a plenitude humana. O pedófilo possui um desvio na personalidade pelo fato de buscar prazer em um corpo não responsável por si. O corpo da criança ainda carece de autonomia pessoal. Ela não está preparada e muito menos formada para o sexo, por mais que haja desejos e impulsos sexuais. Uma coisa é tê-los, outra é exercê-los.
Sabemos que existem médicos, pastores, empresários, professores e pais pedófilos. Mas porque os padres ficam em tamanha evidência? Isso acontece pelo simbolismo que possuem e pela função social que exercem. O sacerdote não se confinou na sacristia, mas, sobretudo, assumiu a função de verbalizar a experiência do Sagrado. A sacralidade da missão sacerdotal é muito maior do que aquele que o carrega.
A erotização infantil é um crime contra a alma da Igreja e um delito para a fé dos católicos de todo o mundo. Por ter a missão de internalizar valores no coração dos fiéis o crime da pedofilia, causado por uma minoria irrisória dos clérigos, deixa os católicos boquiabertos e a mídia feroz pela carnificina da fé.
A sexualidade é a potência do amor de Deus agindo no humano. Quando reprimida e erotizada, a sexualidade deixa de ser graça divina e transforma-se em mercadoria. Não vale a pena estigmatizar os instintos sexuais, mas antes conviver com eles, dialogar com as pulsões e compreender que antes de ser dominada, a sexualidade precisa ser amada e integrada para não gerar vítimas. A pedofilia é um câncer que corrói o mandamento do amor!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br
PÁSCOA: ESCOLA DA ORAÇÃO EM JESUS!
abril 15, 2010 on 2:50 pm | In Pe. Robson | 3 ComentáriosA oração é uma visita ao coração de Deus! Ela nos faz gastar a vida pela fé na medida em que assumimos o encontro com Cristo vivo! Pela oração, nos tornamos capazes de adentrar o mistério de Deus, em Jesus de Nazaré. Antes de ser um ato externo, a oração é propriamente uma realidade interna. Trata-se de uma prática subjetiva que nos conduz àquela objetividade fundamentada no Evangelho. A primeira função da oração é converter nossa consciência e só depois evangelizar nossas atitudes. Desta forma, a palavra e o comportamento tornam-se inseparáveis: um se condiciona como prática do outro.
Pela oração assumimos o mandato de comunicar às pessoas o cenário do Eterno e a manifestação do Sagrado no tempo. Eis um caminho de silêncio e de busca incessante pela face do Divino que se apresenta na solidão acompanhada do humano. No itinerário pessoal, Deus é o companheiro fiel que nos anima no sofrimento e nos fortalece nas dificuldades cotidianas.
Para conhecer a essência do Reino de Deus é necessário orar. Para amorizar a vida e perdoar o passado é de suma importância: orar! Para compreender as Sagradas Escrituras é imprescindível o estudo, todavia conhecimento sem oração não vale em nada. Só há entrega contínua à vontade de Deus pela oração! Em síntese, não existe Cristianismo sem um genuíno espírito que nos conduza à experiência com Deus na oração!
Teologicamente falando, poderíamos definir a oração como a prática de converter o “eu interior”. Uma experiência de “estar a sós” para que o Divino se torne humano e o humano de torne Divino, em um movimento contínuo da encarnação de um no outro, sem simbiose, mas na reciprocidade existencial de duas pessoas que se amam.
Nem tudo é oração e neste caminho há muitos equívocos. A oração não é norma, não é mesmice nas palavras, não é uniformidade de ritos, não é um mecanicismo legalista nem um reduto da Igreja, mas, sobretudo, uma experiência exclusiva com o sentido único da existência: DEUS! Orar é o nosso selo de qualidade. É o resgate da nossa cidadania divina e do nosso passaporte para o céu. É a linguagem da vida eterna!
Quando nos mantemos cativos à oração o Pai Eterno nos faz conhecer as mazelas da nossa alma! Deste então, passamos a nomear os aposentos do espírito até Deus e, por conseguinte, a mensagem Divina é impregnada ao coração.
Na essência da oração está a dedicação de oferecer-se a Deus sempre e em todo lugar. Viver uma vida de oblação! A oração é enfatizada continuamente como hálito da alma e experiência fundamental para o reconhecimento da necessidade que temos de Deus. Assim, o enfoque principal está na vivência do Evangelho que precisa ser gestado no interior da pessoa humana. Vivenciada interiormente a mensagem de Jesus torna-se manifestação de Deus no mundo.
Neste tempo, no qual celebramos a ressurreição de Jesus, somos motivados a ressuscitar em nós tudo aquilo que foi morto pelo pecado. Isso só é possível orando! Diante do Pai Eterno precisamos ser espontâneos, sinceros e abertos. Não devemos ter medo e muito menos fugir Daquele que faz tudo pela nossa felicidade. Busquemos Deus e nos encontraremos. Banhados pelo amor também conheceremos nossas feridas. Machucados da alma só são curados com o bálsamo da oração.
A oração é o compêndio maior da fé, pois por ela somos capacitados ao exercício de uma vida transformada por Cristo e continuada no Evangelho cotidiano. Não nos esqueçamos que só existe qualidade de vida e a saúde para alma quando reconhecemos a necessidade de orar sempre!
Uma feliz e santa Páscoa!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br
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