O VERBO DE DEUS SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS!
dezembro 21, 2008 on 2:28 pm | In Pe. Robson | 1 ComentárioSe o coração do Gênesis é a imagem do Deus que salva e cria, o coração do Evangelho de João é o testemunho da encarnação histórica de Jesus de Nazaré. Acredita-se que a intenção do prólogo da comunidade joanina é a atualização do primeiro capítulo do Livro do Gênesis. Tanto Gênesis 1 quanto João 1 começam com a palavra ‘no princípio’. Se o primeiro utiliza o termo hebraico B’reshit, o segundo falará a partir da expressão grega En arché. Trata-se da afirmação de que em Cristo se dá um novo Gênesis, uma nova origem, uma nova criação, uma nova humanidade. A palavra criadora do Gênesis torna-se criatura em João.
Etimologicamente, o termo ‘encarnação’ é proveniente do latim clássico incarnare. É a manifestação mais crível de que um dia Deus se tornou carne em nossa carne, sangue em nosso sangue, história de nossa história e vida em nossa vida.
Diante da encarnação podemos afirmar que “nada do que é humano é estranho a Deus” (Montaigne). Ele havia criado tudo, inclusive o humano, mas nunca havia sido humano. Deus se torna humano em Jesus. Por isso que diante da encarnação está a história do Deus que se tornou Humano, para que o humano se torne divino. “Divinando-se o homem é mais homem. Humanando-se Deus é mais Deus para nós” (Leonardo Boff). Na encarnação, o Filho de Deus se apresenta como o encontro entre o Sagrado e o Profano. Eis o Deus Redentor!
Vale ressaltar que o movimento do Encarnado na história não foi uma aparição miraculosa ou fantástica, mas, sobretudo, a concretude do amor em carne. O amor do Pai torna-se carne (sarx). Por isso, Jesus é Sacramento do Pai Eterno. Não estamos defrontes a um Deus mágico, mas perante um Deus que teve que aprender a ser humano. Um Deus que “não responde, pergunta. Não soluciona, põe em conflito. Não facilita, dificulta. Um Deus que não gera meninos, mas faz adultos” (Inácio Larrañaga).
Jesus de Nazaré não assume a história a partir de fora, mas vem de dentro. Não assume um corpo emprestado, no qual habita o seu espírito. Pelo contrário, esvazia-se de sua condição divina para tornar-se plenamente humano. “Jesus nasceu em uma pátria insignificante, dentro de uma vila interiorana. Não sabia grego nem latim, as grandes línguas da época. Falava um dialeto – o aramaico. Jesus sentiu a opressão, conheceu a fome, a sede, a saudade, as lágrimas pela morte do amigo Lázaro, a alegria da amizade, a dor da traição, a tristeza, a tentação, a raiva, o pavor da morte e passou pela noite escura do abandono de Deus” (Leonardo Boff).
Diante do presépio está a incidência do Deus que busca o homem e do homem que busca Deus. A pessoa humana chega a Deus porque Deus chega primeiro à pessoa humana. A iniciativa sempre será do Divino. O atemporal entra na ordem do temporal. O Infinito conhece a finitude do humano. O Onisciente, o Onipresente e o Onipotente se coloca como pequeno e frágil.
Devemos olhar e admirar o Jesus criança, que nasce na manjedoura da pobreza humilhante, porque não encontrou lugar no coração da humanidade. Jesus vem como criança para nos mostrar que Deus não nos ameaça ou condena. E assim a encarnação vai sendo atualizada na história e não se torna um fato do passado. “Quando o pobre que pouco tem ainda reparte: o verbo se faz carne novamente. Quando o sedento dá água e o faminto dá o pão: o verbo se faz carne novamente. Quando o fraco fortalece o impotente, quando se diz a verdade onde reina a mentira, quando se ama onde há ódio, quando se prega a paz onde vigora a guerra: o verbo se faz carne novamente” (Leonardo Boff).
Desta forma, encarnação nos fornece a chave de leitura para compreendermos muitas questões não respondidas atualmente. As pessoas muitas vezes perguntam: porque a dor? Qual o sentido do sofrimento? Porque a humilhação, a fome e a miséria? “As pessoas perguntavam e Deus se silenciava. Na encarnação Deus responde e a pessoa se silencia. Deus não responde ao porquê do sofrimento. Ele sofre junto. Deus não responde ao porquê da dor. Ele se faz homem das dores. Deus não responde ao porquê da humilhação. Ele se humilha” (Leonardo Boff).
Deus não assiste a tragédia do humano. Ele entra na história e se encarna nela. Um Deus Emanuel – Deus Conosco. Companheiro de Jornada e irmão da história. Diante das decepções da vida e das frustrações do cotidiano nunca nos esqueçamos de que o verbo se fez carne e habitou entre nós por amor!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br
O PAI ETERNO CONFIRMA A NOSSA IDENTIDADE!
dezembro 7, 2008 on 5:19 pm | In Pe. Robson | 2 ComentáriosAo analisar a imagem percebemos que o Pai é representado como uma figura experiente. Têm barbas e cabelos brancos, também é um pouco calvo. Traja um manto vermelho e uma túnica branca com detalhes dourados. Simbolicamente, a calvície não é resultante da hereditariedade, todavia, é uma forma poética de assegurar que o Pai Eterno gastou a vida pelos seus filhos redimidos e o continua até as últimas conseqüências. Os cabelos brancos são o sinal de que podemos confiar em Deus. Ele tem experiência suficiente para nos esclarecer, direcionar e elucidar no amor.
Na história, o vermelho era a cor oficial dos imperadores, denominada de púrpura imperial. A vestimenta do manto vermelho é sinônima apelativa ao poderio, à fortaleza bélica e à conquista territorial. No entanto, o poder do Pai é totalmente diferente daquele dos césares da história. Sua autoridade não é tirana, Sua força não é bélica, Sua história não é sanguinária, Sua conquista não é territorial. A atividade do Pai Eterno só pode ser enfocada na ótica de um amor desinteressado. A veste branca significa a pureza do amor contra toda sujeira putrefata do ódio. Os ornamentos dourados expressam a realeza do Pai, diversa de todo e qualquer poder político. Trata-se de uma realeza mais assemelhada ao poder altruísta do Deus que serve e ama o mundo.
E é neste amor que a vida ganha um norte e a esperança um sentido!
O Deus da Revelação Cristã é eternamente Pai. Trata-se da experiência mais bela e fecunda da fé, pois “nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28). “Mostrar aos homens o verdadeiro rosto de Deus, tal como se revelou em Jesus Cristo, é sempre a mais importante tarefa pastoral da Igreja, em todo tempo e lugar” (D. Elias Yanes). No Pai confirmamos a nossa identidade de filhos, somos gerados no amor e integrados no Mistério que nos comunica Seu próprio ser.
Conhecemos o rosto de Deus por meio das palavras e da vida histórica de Jesus de Nazaré. Ele é o sacramento universal do Pai Eterno! Graças à Sua prática e prédica, na Palestina, podemos afirmar que não fomos abandonados à sorte da história nem somos órfãos de paternidade-maternidade existencial. Existe um Deus que nos ama, nos salva e nos cria na incondicionalidade do amor. Por mais que imaginemos estar desamparados economicamente, solitários no curso da vida ou esquecidos por aqueles que amamos, o Pai Eterno afirma: “Sião dizia: ‘Iahweh me abandonou; o Senhor se esqueceu de mim’. Por acaso uma mulher se esquecerá da sua criancinha de peito? Não se compadecerá ela do filho do seu ventre? Ainda que as mulheres se esquecessem eu não me esqueceria de ti. Eis que te gravei nas palmas da mão” (Is 49,14-16a).
Descobrir o amor do Pai essa é a nossa missão. Conhecer o rosto de Deus é o mesmo que tomar consciência da necessidade de amar e ser amado. “Sem jamais nos forçar, mas infinitamente interessado em nosso destino, Deus apóia-nos e acompanha-nos. Alegra-se em nossas alegrias, que são suas; luta em nós e conosco contra nossos fracassos” (Andrés Torres Queiruga). Deus não quis viver sozinho, por isso é comunhão de pessoas no amor ao encontro do humano.
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br
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