SER PAI É UMA QUESTÃO DE VOCAÇÃO!

agosto 9, 2010 on 2:48 pm | In Pe. Robson | 8 Comentários

Como é bom ter um pai! Falo por experiência própria. Fui agraciado por Deus pelo pai que tenho. Nunca me esquecerei dessa figura que corrigiu no amor, exortou na esperança, orientou com cuidado, elucidou na maturidade e norteou pelo caminho da incondicionalidade. Sei bem da participação que papai teve em minha vida e, sobretudo, em minha vocação. Junto à mamãe, foi a educação paterna que me ensinou valores basilares, os quais carrego comigo até os dias presentes. Muito daquilo que faço e ensino devo à sua forma de me instruir na fé!

 De acordo com dados arqueológicos, o primeiro a comemorar o dia dos pais foi um jovem, chamado Elmesu, na Babilônia, há mais de quatro mil anos atrás. Na ocasião, o mesmo confeccionou um cartão (tijolo), ao seu pai, em argila. Mesmo assim, a comemoração do dia dos pais foi instituída no início do século XX, mais precisamente em 1909.

A motivação partiu da norte-americana: Sonora Louise Smart Dodd, no intuito de homenagear seu pai, William Smart: um veterano da guerra civil. A história de William é marcada pelo esforço de um viúvo em educar seis filhos, sozinho, em uma fazenda localizada em Washington. O primeiro dia dos pais foi comemorado em 19 de junho de 1910. No Brasil, a data passou a ser celebrada a partir de 1953, por iniciativa de um grupo editorial do Rio de Janeiro, disposto a incentivar o valor da família, a partir da figura paterna.

Muito mais que comemorações, a respectiva data deve ser celebrada com espiritualidade, pois para ser pai é necessário vocação! Esta só se reconhece e vivencia-se na ótica da fé. O genuíno pai se espelha no Deus da Revelação Cristã que é Pai, por excelência! Por isso, é muito difícil compreender o dom da paternidade fora de um contexto de fé! O pai terreno deve ter como espelho o eterno amor do Pai Divino. 

Nos Evangelhos, Jesus anuncia um Deus completamente diferente do oficial, chamando-O de Pai! Por meio de atitudes e palavras, o Mestre de Nazaré revela na Sua pessoa a face do Amor de Deus. Eis uma forma de amor que se faz coragem na angústia e presença defronte as feridas da existência.

Infelizmente, muitos não compreenderam o vazio de suas almas, devido à ausência de amor. Basta olhar para a época presente e reconhecer nela a perene dor existencial. No mais íntimo do coração humano existe um vazio, uma lacuna, que nada nem ninguém pode preencher, exceto o Pai! Justamente por isso, aumenta, de forma acelerada, o número de pessoas que sofrem de depressão, de doenças físicas e psíquicas, de problemas familiares e pessoais por que se encontram vazias de Deus e, obviamente, vazias de si.

Neste dia dos pais, somos convidados a acolher o presente que Deus nos confiou desde a eternidade! Deixemos de escutar um pouco a euforia do mercado, para ouvirmos, em primeiro lugar, a voz do Pai que continua a ressoar em nossos corações: “Eu amo você!” É um tratado de amor entre a terra e o céu! Um Amor que atua na sutileza da história e não em fatos mirabolantes. Deus continua agindo e curando a ferida do mundo. A minha e a sua também!

O convite também se estende ao dom que Deus nos entregou na figura dos pais terrenos. Sejam eles bons, severos, distantes ou desconhecidos sempre serão nossos pais! Não há como fugir dessa realidade, por mais sofrida que ela possa ser. A carência de amor é suplantada pela atitude adulta do perdão. Será que hoje não é um dia propício para que, a partir do Amor, você se torne capaz de pedir perdão ao seu próprio pai? Muito se fala de perdoar o pai, entretanto proponho um pedido filial de perdão. Esteja ele vivo ou falecido, visite o seu coração, adentre a chaga de sua alma e em Deus abra-se à reconciliação! Ore comigo:

“Pai, perdoa-me, pelas vezes que sentei ao seu lado, mas não ouvi o que dizias… Pai, perdoa-me, pela visita rápida de fim de tarde, antes do jantar de domingo… Pai, perdoa-me, pela pouca paciência, quando querias aconselhar-me nos negócios… Pai, perdoa-me, por achar que tuas idéias já estavam ultrapassadas… Pai, perdoa-me, por ignorar tua experiência de vida… Pai, perdoa-me, pela minha falta de tempo para passar contigo… Pai, perdoa-me, pelo teu convite que recusei porque ia sair com meus amigos… Pai, perdoa-me, pela minha insensibilidade na hora da tua dor… Pai, perdoa-me, pelas vezes em que meus filhos não te trataram com o respeito que merecias… Pai, perdoa-me, pelo abraço que não te dei, pelo carinho que não te fiz… Pai, perdoa-me, por não ter reconhecido em ti o próprio Cristo… Pai, abençoa-me!” (Autor Desconhecido)

No amor do Pai Eterno, desejo a todos um feliz e abençoado dia dos pais!

 

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

LIVRA-NOS DA VITIMIZAÇÃO!

agosto 1, 2010 on 2:39 pm | In Pe. Robson | 3 Comentários

 

Das mais variadas formas, sempre nos encontramos com pessoas que parecem ser ‘vítimas do destino’. A história sofrida, com os infindáveis problemas, é sua marca registrada. Uma patente existencial de dor e profundo desamparo. Trata-se de uma pessoa que pede ‘perdão por existir’. Ninguém a compreende, a aceita e a ama como o merecido. Nos relacionamentos e no ambiente de trabalho é possível visualizar várias investidas desse tipo de personalidade naufrágica. Seus comportamentos necrosam qualquer novidade benéfica na convivência diária.

  

As vítimas são imbuídas por um sentimento de culpa acentuado, capaz de fazê-las reclamar, constantemente, e queixar-se da vida, que é enfocada como uma “grande fatalidade’. São inúmeras as lamentações contra si e em depreciação aos outros. Aquele que almeja uma existência madura e integrada deve manter-se longe do chamado ‘espírito de vítima’.  

 

Uma das manifestações patológicas da vitimização é culpar os demais por um erro de sua própria autoria. O objetivo maior é deslocar o mal praticado e vinculá-lo a outrem. Assim, a pessoa se infantiliza por não assumir falhas e não tomar consciência dos erros cometidos.

 

Neste jogo, para encontrar o culpado, nasce à busca pelo proveito pessoal. O intuito maior é tirar vantagem, a partir da situação de sofrimento criado e de impotência latente. “Incompreendido, fracassado e mal-amado. É assim que se define o portador da ‘síndrome de vítima’, esse ser que faz da própria biografia uma novela mexicana e vive em busca de culpados que assinem os seus capítulos” (Marcella Brum). Na identidade da vítima está o desejo maquiavélico em transferir dificuldades e sobrepujá-las sobre aos demais. O outro é o seu bode expiatório!

 

Junto ao sentimento de vítima também é possível encontrar o mania de perseguição. Aqui a vida é concebida dentro de um sistema selvagem, num cenário de trogloditas, em que vence aquele que causar maior clemência.  Neste esquema, aparece a necessidade psicológica de colocar-se como acuado frente um grande vilão. Há a constituição de chantagens emocionais, de pressões para a comoção, de apelo à piedade, de remorso existencial e de lágrimas em busca de atenção. Trata-se de um drama épico, cujo personagem principal sempre será a vítima, que faz dos outros meros coadjuvantes.

 

Ademais, a vítima cria outra forma para enfocar a existência dos fatos. O mundo passa a ser visto com seus indulgentes binóculos lacrimais. Ela “[...] se sente inferior à realidade. É a pessoa que se sente esmagada pelo mundo externo [...], é aquela que se acostuma a ver a realidade apenas em seus aspectos negativos” (Antônio Roberto Soares). Tal negatividade é capaz de prejudicar todos aqueles que estão em torno à vítima.

 

O espírito de vitimização é uma ferramenta utilizada pelas pessoas que não aceitam o lado obscuro da vida. Não saber conviver com o conflito e não aceitar os problemas do cotidiano é uma forma de estagnar-se no processo de amadurecimento humano. Dessa forma, fica fácil gerir determinados deslizes, pois o erro será justificado, com frequência. A incompetência jamais será admitida pela vítima. 

 

A fé é o melhor remédio para curar-se dessa síndrome. Por meio dela, nos tornamos capazes de assumir as rédeas de nossa história e não culpabilizar os outros por nossos próprios erros. A fé nos ensina a superar as dificuldades do dia-a-dia e a recomeçar do zero, se necessário for. Crer também é sinônimo de superação! 

 

Portanto, educados na escola da fé, reconhecemos que uma existência adulta deve ser regida pelas seguintes características: paciência, controle emocional, diálogo contínuo, fraternidade duradoura e esperança recíproca. Tal conjunto confere à pessoa aquele distintivo da graça, da sabedoria e da estatura em Deus, assim como aconteceu com Jesus de Nazaré (Cf. Lc 2,52).

 

Por fim, vale ainda mencionar que a vitimização provoca incontáveis sofrimentos, devido à incapacidade de anular o negativo, para focalizar o lado positivo da vida. Omitir a fronteira do mal, que existe em nós, é o caminho mais infantil que podemos trilhar. Infelizmente, a vítima acaba se esquecendo que é ‘vítima’ de si mesmo. 

 

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

 

FILHOS NO PAI, IRMÃOS EM JESUS E SANTOS NO ESPÍRITO!

maio 4, 2010 on 3:49 pm | In Pe. Robson | 22 Comentários

A santidade é consequência direta da fé em Deus. Aquele que se deixa tocar pela ação amorosa do Pai Eterno assume sua filiação divina, torna-se irmão em Jesus de Nazaré e, por ter as atitudes conduzidas pelo Espírito Santo, adquire a vida de santidade.

Contudo, ainda há aqueles que não compreenderam o genuíno sentido da santidade. Antes de estar vinculada no testemunho dos altares, a santidade se realizou no silêncio do cotidiano. Os santos foram pessoas que tiveram a existência pautada pelo Evangelho. Os milagres, as curas, as bilocações, os êxtases e as visões nunca foram prioridade na vida dos santos.  Seus testemunhos sempre foram marcados pela humildade. A Igreja só os coloca nos altares, em forma de imagem, porque eles apontam  Aquele que é o único caminho para o Pai: Jesus de Nazaré!

“Não a nós, Jávé, não a nós! Honra sim, o teu próprio nome, por teu amor e fidelidade. Porque diriam as nações: ‘Onde está o Deus deles?’ O nosso Deus está no céu, e faz tudo o que deseja. Os ídolos deles são prata e ouro, obras de mãos humanas: têm boca e não falam, têm olhos e não veem; têm ouvidos e não ouvem, têm nariz e não cheiram; têm mãos e não tocam, têm pés e não andam, sua garganta não tem voz. Aqueles que os fazem ficam como eles, todos aqueles que neles confiam!” (Sl 115,1-8).

Este texto surgiu dentro de uma cultura monoteísta, de tradição judaica, que confessava a fé em um único Deus e não no politeísmo, constituído por várias divindades, conhecidas na Bíblia pelo nome de Baal (Baalath, Baalin ou Balaoth). Por isso que, no Antigo Testamento haverá a proibição contínua em relação à confecção de imagens (Ex 24,4ss; Jz 6,25; I Rs 11,5-8; 16,31-33; Jr 19,4s; Ez 8,5ss; Os 11,2). Era uma forma de assegurar o culto à Javé e extirpar toda espécie de adoração a deuses estrangeiros que não faziam parte da fé de Israel.

Mesmo assim, a Bíblia ainda apresenta inúmeras passagens em que imagens foram utilizadas nas celebrações e nos Templos Hebraicos (Ex 32,1ss; Nm 21,8ss; Jz 8,26s; I Rs 12,28). Assim sendo, há uma contradição em que se afirma que na prática havia muitos cultos em Israel configurados como idolatria, enquanto outros eram expressões da mais genuína fé em Javé.

Vejamos bem que a Bíblia condena a idolatria, conferida a qualquer realidade, quando a depositamos no lugar de Deus. É uma visão mais ampla e não restritiva como afirma os protestantes pentecostais. Assim sendo, o dinheiro, os bens materiais, o poder e não só as imagens de pessoas e animais são configuradas como idolatria. De fato, as imagens têm olhos, mas não veem; têm ouvidos, mas não ouvem; têm boca, mas não falam. E quem foi que disse que as imagens veem, ouvem, falam ou caminham? Seria até mesmo ilógico ou demência psicológica cogitar tamanha indiscrepância. Na verdade, as imagens são expressões reais de pessoas que viveram a fé cristã até as últimas consequências. São exemplos que não adoramos e só veneramos, ou seja, reconhecemos a sua importância enquanto continuadores da missão de Cristo.

Não cultuamos as imagens, mas, sobretudo, àquilo que elas nos remetem: Deus! Nada mais que isso! Quando rezamos diante de Santa Terezinha, de Santo Antônio e de São Francisco não estamos venerando ao referido santo, todavia, ao Deus que aquele santo serviu e até mesmo ofereceu a vida.

Quando nos remetemos aos Santos estamos totalmente fundamentados no conceito de santidade pregado e defendido pela Bíblia. Nela, os santos (qadosh no hebraico e hagios no grego) significam o resultado final da ação de Deus que separa, escolhe e elege determinadas pessoas em contraposição ao mundo profano. O escolhido deve viver a santificação na vida como decorrência da escolha divina. E foi isso que aconteceu com os nossos santos e santas.
De acordo com a Bíblia, santo é o próprio Deus e tudo o que a Ele pertence (I Ts 4,3). Deste modo, são santos: o povo de Israel no Antigo Testamento, os cristãos do Novo Testamento, os colocados nos altares, os não reconhecidos pela Igreja e todos nós que configuramos a nossa vida no Cristo – Santo dos Santos!

Ser santo, não é algo distante de nós. E as imagens dos santos católicos querem nos dizer isto: “Tocamos a mão de Deus e Nele depositamos a nossa vida! Faça você o mesmo!”. Por fim, as imagens veneradas não são um culto em si mesmas, contudo, um meio que nos eleva até o consumador de toda a santidade: o Divino Pai Eterno!

   
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

UMA CHAGA NO CORAÇÃO DA IGREJA!

abril 25, 2010 on 3:40 pm | In Pe. Robson | 1 Comentário

 Vivemos em uma sociedade ‘reprimida’ e, ao mesmo tempo, ‘erotizada’ em sua sexualidade. Ambas são realidades visíveis na formação da personalidade humana. O modo de viver a sexualidade confere a gênese futura de qualquer indivíduo. Trata-se de um processo que gera a individuação. Realidade, esta, capaz de ampliar ou de aprisionar a consciência.

A sexualidade determina a forma como a pessoa interage com o processo de socialização. São muitas as exigências sociais exercidas pela família e pela cultura. Ambas assumem o viés das instituições sociais que podem libertar para a superação, emancipar para a maturidade ou do contrário, fazer da sexualidade a grande inimiga do humano. 
 A repressão e a erotização possuem o poder de condicionar, manipular, alienar, infringir, somatizar e nos casos mais crônicos, gerar as enfermidades psíquicas.

Por repressão compreende-se o silêncio dos impulsos sexuais de forma intensa, visando anulá-los na essência. O método utilizado é o das interdições, centradas na vergonha e na culpa.  Já a erotização se apresenta como a coisificação do desejo. Neste ponto, o dom da sexualidade é drasticamente reduzido ao extremo. Infelizmente, muitos se esquecem de que a pulsão sexual engloba todas as esferas da vida e está tão presente em nós, que é impossível dissociá-la de qualquer comportamento tido como humano.

 A palavra “erotismo” é proveniente do grego transliterado em “erotikós” e refere-se ao abuso do sensual nas variáveis do vulgar. Assim, a sexualidade é confundida com prazer a todo e qualquer custo. E no prazer pelo prazer nasce o hedonismo. Já não há espaço para as prosaicas restrições ao sexo, pelo contrário, ele é vivenciado até a patologia da libido.

 A sexualidade não deve ser perseguida. Devemos trazê-la para perto e não distanciá-la de nossa convivência subjetiva. É necessário entender sua linguagem e representações. Sexualidade é dom, não pecado; é prazer, não imoralidade; é potência, não maldição! Pelo fato de nos comportarmos como “seres de extremidade” sempre nos pautamos pela repressão ou pela erotização: dois limites que fazem a sexualidade tornar-se doente e débil.
 Com muito respeito e com profunda reverência à fé, acredita-se que a vivência da sexualidade é um problema atual para Igreja. Muitas são as facções que titubeiam na busca da verdade. O que vale é adentrar no campo da “possibilidade” e não agir com determinismo na presente análise.

 Os passados e sempre recentes casos de pedofilia demonstram a ausência de uma educação sexual orientada para a plenitude humana. O pedófilo possui um desvio na personalidade pelo fato de buscar prazer em um corpo não responsável por si. O corpo da criança ainda carece de autonomia pessoal. Ela não está preparada e muito menos formada para o sexo, por mais que haja desejos e impulsos sexuais. Uma coisa é tê-los, outra é exercê-los.
 Sabemos que existem médicos, pastores, empresários, professores e pais pedófilos. Mas porque os padres ficam em tamanha evidência? Isso acontece pelo simbolismo que possuem e pela função social que exercem. O sacerdote não se confinou na sacristia, mas, sobretudo, assumiu a função de verbalizar a experiência do Sagrado. A sacralidade da missão sacerdotal é muito maior do que aquele que o carrega.

 A erotização infantil é um crime contra a alma da Igreja e um delito para a fé dos católicos de todo o mundo.  Por ter a missão de internalizar valores no coração dos fiéis o crime da pedofilia, causado por uma minoria irrisória dos clérigos, deixa os católicos boquiabertos e a mídia feroz pela carnificina da fé. 

 A sexualidade é a potência do amor de Deus agindo no humano. Quando reprimida e erotizada, a sexualidade deixa de ser graça divina e transforma-se em mercadoria.  Não vale a pena estigmatizar os instintos sexuais, mas antes conviver com eles, dialogar com as pulsões e compreender que antes de ser dominada, a sexualidade precisa ser amada e integrada para não gerar vítimas. A pedofilia é um câncer que corrói o mandamento do amor!

 

 

 
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

PÁSCOA: ESCOLA DA ORAÇÃO EM JESUS!

abril 15, 2010 on 2:50 pm | In Pe. Robson | 3 Comentários

A oração é uma visita ao coração de Deus! Ela nos faz gastar a vida pela fé na medida em que assumimos o encontro com Cristo vivo! Pela oração, nos tornamos capazes de adentrar o mistério de Deus, em Jesus de Nazaré. Antes de ser um ato externo, a oração é propriamente uma realidade interna. Trata-se de uma prática subjetiva que nos conduz àquela objetividade fundamentada no Evangelho. A primeira função da oração é converter nossa consciência e só depois evangelizar nossas atitudes. Desta forma, a palavra e o comportamento tornam-se inseparáveis: um se condiciona como prática do outro.

Pela oração assumimos o mandato de comunicar às pessoas o cenário do Eterno e a manifestação do Sagrado no tempo. Eis um caminho de silêncio e de busca incessante pela face do Divino que se apresenta na solidão acompanhada do humano. No itinerário pessoal, Deus é o companheiro fiel que nos anima no sofrimento e nos fortalece nas dificuldades cotidianas.

Para conhecer a essência do Reino de Deus é necessário orar. Para amorizar a vida e perdoar o passado é de suma importância: orar! Para compreender as Sagradas Escrituras é imprescindível o estudo, todavia conhecimento sem oração não vale em nada. Só há entrega contínua à vontade de Deus pela oração! Em síntese, não existe Cristianismo sem um genuíno espírito que nos conduza à experiência com Deus na oração!

Teologicamente falando, poderíamos definir a oração como a prática de converter o “eu interior”. Uma experiência de “estar a sós” para que o Divino se torne humano e o humano de torne Divino, em um movimento contínuo da encarnação de um no outro, sem simbiose, mas na reciprocidade existencial de duas pessoas que se amam.
 Nem tudo é oração e neste caminho há muitos equívocos. A oração não é norma, não é mesmice nas palavras, não é uniformidade de ritos, não é um mecanicismo legalista nem um reduto da Igreja, mas, sobretudo, uma experiência exclusiva com o sentido único da existência: DEUS! Orar é o nosso selo de qualidade. É o resgate da nossa cidadania divina e do nosso passaporte para o céu. É a linguagem da vida eterna!

Quando nos mantemos cativos à oração o Pai Eterno nos faz conhecer as mazelas da nossa alma! Deste então, passamos a nomear os aposentos do espírito até Deus e, por conseguinte, a mensagem Divina é impregnada ao coração.

Na essência da oração está a dedicação de oferecer-se a Deus sempre e em todo lugar. Viver uma vida de oblação! A oração é enfatizada continuamente como hálito da alma e experiência fundamental para o reconhecimento da necessidade que temos de Deus. Assim, o enfoque principal está na vivência do Evangelho que precisa ser gestado no interior da pessoa humana. Vivenciada interiormente a mensagem de Jesus torna-se manifestação de Deus no mundo.

Neste tempo, no qual celebramos a ressurreição de Jesus, somos motivados a ressuscitar em nós tudo aquilo que foi morto pelo pecado. Isso só é possível orando! Diante do Pai Eterno precisamos ser espontâneos, sinceros e abertos. Não devemos ter medo e muito menos fugir Daquele que faz tudo pela nossa felicidade. Busquemos Deus e nos encontraremos. Banhados pelo amor também conheceremos nossas feridas. Machucados da alma só são curados com o bálsamo da oração.

A oração é o compêndio maior da fé, pois por ela somos capacitados ao exercício de uma vida transformada por Cristo e continuada no Evangelho cotidiano. Não nos esqueçamos que só existe qualidade de vida e a saúde para alma quando reconhecemos a necessidade de orar sempre!
 Uma feliz e santa Páscoa!

 

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

FORTES EM DEUS!

março 30, 2010 on 4:07 pm | In Pe. Robson | 6 Comentários

 

Ao longo de nossa peregrinação terrestre, muitas são as adversidades, temporárias ou contínuas, que nos arroubam o sentido da existência. Não é de se estranhar a angústia profunda e a desolação que demonstramos quando a vida assume o viés crítico das dificuldades. Às vezes, o cotidiano torna-se doloroso ao extremo, sendo capaz de minimizar todas as nossas potencialidades. Focamos no problema e nos esquecemos da solução. Ficamos fracos na fé, confusos na mente, perdidos no coração, doentes na alma e desesperançados quanto ao futuro.

 Nos casos mais extremos, a vida vai adquirindo características de crueldade, ao passo que alguns chegam a compará-la com uma selva. Outros, afirmam ainda, que no sistema selvagem só sobrevivem os mais fortes. Mas onde buscar forças diante de problemas tão graves? Como recuperar o equilíbrio depois de tantos surtos? Quais os meios concretos para superar um grande trauma do passado? Como resolver problemas sem nos deixar sucumbir por eles? Tratam-se de perguntas existenciais que nos remetem ao fundamento de nossa fé: o rosto amoroso do Divino Pai Eterno! Ele nos ensina que a vida é um desafio em longo prazo!

 Estudos recentes já evidenciam que problemas, ocasionados pelo medo e a ansiedade, alimentam vários tipos de fobia. Inclusive a tão difundida síndrome do pânico. Há tempos que a raiva acumulada está associada às doenças cardíacas e aos derrames cerebrais. Até mesmo a falta do perdão tem gerado incontáveis casos cancerígenos. Por trás de algumas doenças encontram-se sérios sintomas de quem não conseguiu superar obstáculos porque não acreditou em si e também não teve fé. A própria ciência moderna reconhece a importância da fé para suplantar-se após fatos traumáticos da vida.   

 A capacidade cristã de superação e adaptação a situações emblemáticas está vinculada à esperança. Por meio dela, tornamo-nos aptos em ultrapassar a realidade que nos cerca. Sem esperança não há espaço para a fé agir e desta forma, as dificuldades transformam-se em doenças afetivas e emocionais. Deter-se nas dificuldades não gera resultados positivos, pelo contrário, a fórmula matemática do problema exige uma solução satisfatória ou pelo o menos qualitativa. 

 Assim sendo, não podemos nos esquecer de que em Deus saímos do negativo para adentrar ao positivo. Tornamos-nos felizes e realizados. Damos ênfase nas forças interiores e não nas fraquezas da alma. Utilizando uma linguagem figurada, digo que passamos a olhar para o infortúnio com os Olhos Divinos. Sem sombra de dúvida, a espiritualidade nos faz passar da enfermidade à saúde, da incerteza à fé, da hesitação à confiança e à persistência! No coração de Deus encontramos o bem estar, o contentamento e a esperança que configuram o sentido para a vida. A plenitude acontece quando esse sentido é encontrado. “Na verdade, ninguém ama sem sentido, ninguém espera sem sentido, mas antes porque existe uma razão para amar e esperar. Por outro lado, quem ama e espera, contribui para a busca e o encontro do sentido” (Patrícia Nunes). Em Deus, a vida não é vista como “morte adiada”, mas, sobretudo, como “plenitude alcançada” daqui para a eternidade! Nele resgatamos nossa capacidade de contínua evolução! Deus nos ensina a amar-nos de verdade:

“Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é… Autenticidade. Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de… Amadurecimento. Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes. Hoje descobri a… Humildade. Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é… Plenitude. Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada” (Charles Chaplin).

 Tudo isso é isso é ser forte em Deus, nosso único fundamento! 
 

 

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

FÉ VIVA!

outubro 14, 2009 on 11:44 am | In Pe. Robson | 7 Comentários

 
 “A fé vem pelo ouvir” (Rm 10,17). Dessa forma, que a dureza de muitos corações é quebrantada, os desvios da consciência reorientados, os pecados reavaliados na ótica do Evangelho e os nossos tímpanos abertos para escutar o grito profético da Palavra de Deus clamando por conversão.

 Aquele que creu, confiou e se entregou à fé, precisa ser profundamente evangelizado e não somente catequizado. Caso contrário, a fé não terá raízes concretas e críveis frente a um mundo que anda esquecido de Deus e caduco de verdades. Não se trata somente de apresentar as verdades da fé, de modo doutrinário, mas, sobretudo, de elucidar as razões destas verdades e a necessidade das mesmas na vida do cristão. Na verdade, o que está por trás é a questionamento de o porquê crer em Deus.

 Fé não se prova: vivencia-se! Fé não se esconde: testemunha-se! Fé não se penhora: proclama-se! Fé não é estulta nem inepta: racionaliza-se e pensa-se! Fé não é só informação, mas, também experiência!

 Na medida em que fazemos a experiência de encontro com o amor de Deus é que somos alicerçados no crivo da fé. Contudo, tal experiência deve conferir maturidade ao cristão e não imaturá-lo. Há determinadas manifestações, de uma dita fé, que acaba por alienar, superficializar e até mesmo infantilizar a pessoa em sua capacidade de pensar e agir beneficamente. 

 A fé não é mágica. Em sua gênese está a clareza do que é real e do que é fantasioso. Muito mais que obter favores do céu, a fé se apresenta como a força motora de Deus em nós. Ela nos capacita no amor, elucida na esperança e norteia na graça. Sem fé, a pessoa humana perde o sentido da existência e, ao mesmo tempo, a expectativa de um existir diferente sob a ótica Divina.

 Nos caminhos obscuros da história não podemos brincar de ter fé. A apaticidade faz com que sejamos irresolutos nas atitudes e anêmicos espiritualmente: “Conheço a tua conduta: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Assim, porque és morno, nem frio nem quente, estou para te vomitar de minha boca” (Ap 3,15-16).  Pela fé, adquirimos a coragem e a audácia para deixar que Deus viva em nós, acampe em nossa alma e realize proezas em nosso coração: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3,20). Eis um Deus que tem fé no humano, que estabelece com ele uma aliança, um casamento existencial, um cuidado eterno e afável de um pelo outro.

 Aqui vale uma premissa: nem toda manifestação, tida como religiosa, é expressão da fé. Em síntese, diríamos que determinadas aparições, revelações e saimentos não estão vinculados ao núcleo da fé. Muitos são aqueles que se apegam ao superficial e acabam esquecendo-se do que é fundante para o seguimento cristão. A fé não vive do que é momentâneo, pois a sua essência é perene, uma vez que esta alicerçada em Deus. Não são pregações públicas, barganhas e demais petições que nos garantirão a vida eterna. Esta começa já: aqui e agora! Nossas atitudes, quando pautadas pelo Evangelho, nos precederão no céu. Antes das obras de caridade, das missões evangelizadoras e dos compromissos devocionais está a pessoa de Jesus de Nazaré. Ele é o mediador por excelência e o único fundamento da fé cristã. Até que ponto temos regulado a nossa vida por Ele e adequado nosso mentalidade ao Evangelho de Jesus e não ao nosso evangelho?

 Das mais variadas formas e dos mais diversos modos, podemos constatar que nem todo cristão o é de fato: “Eu seria cristão, sem dúvida, se os cristãos o fossem vinte e quatro horas por dia” (Gandhi). Ainda há uma grande quantidade de pessoas que se diz cristã sem ao menos conhecer o cerne da fé dentro do Cristianismo. Aumento no número de cristãos não equivale a conhecimento e vivência verdadeira desta fé. Devido a estas situações, o Cristianismo vem sendo negado por aqueles que se denominam cristãos e, por conseguinte, desacredito pelo mundo. Tal realidade propicia uma crise interna, hábil a gerar a morte do Evangelho, ou seja, aqueles que deveriam conhecer a fé fecham-se na ignorância, inviabilizando a amplitude do Evangelho e ainda são capazes de silenciar os profetas e genuínos discípulos de Jesus de Nazaré. 

 Tenhamos a mente e o coração voltados para o fundamento da nossa fé: o Deus de Jesus e reavaliemos as nossas atitudes para descobrir se as mesmas estão em consonância com o Evangelho. Não é de doutrinas vãs que vive a pessoa, todavia, da fé simples, tranquila e serena no autor e consumador do nosso crer: Jesus de Nazaré!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

A FÍSICA BUSCANDO A QUÂNTICA DE DEUS

setembro 14, 2009 on 5:07 pm | In Pe. Robson | 2 Comentários

 Na atualidade, Deus não é assunto centrado somente à religião. Processualmente, a dimensão divina tem norteado os caminhos das ciências. Dentre elas, destaca-se a Mecânica ou Física Quântica. Trata-se da transformação de uma visão material em espiritual. A visão antropocêntrica (que enxerga o homem como centro do universo - do grego άνθρωπος, anthropos, “humano”; e κέντρον, kentron, “centro”) abre espaço para a visão teocêntrica (Deus como centro do mundo - do grego θεóς, theos, “Deus”; e κέντρον, kentron, “centro”).

Muito além da física clássica, a realidade hodierna proclama que há espaço para Deus no campo científico. Desta forma, Ele deixa de ser negado como um simples observador (aquele que analisa e altera a realidade) e passa a ser enfocado não como um problema, mas, sobretudo, como uma solução para o entendimento do mistério do universo. Hoje, reconhece-se que as partículas divinas, impressas nas leis naturais, carecem de explicação pela física.

Se a modernidade nos deixou um legado de que Deus não seria necessário para a evolução do humano, na contemporaneidade é a própria ciência quem admite a existência divina como causa e efeito para a completude da física quântica. Negar o Criador é o mesmo que negar a essência do criado. “A pergunta de como chegamos a conhecer Deus por meio do nosso pensamento e da nossa linguagem, devemos responder que, sozinhos, nós nunca podemos conhecê-lo” (Battista Mondin).

Na verdade, a razão de ser da física quântica está vinculada a pergunta: quem foi o grande responsável pela criação do cosmo? E em seguida vem a consequência da interrogação: “Deus rege a ciência naquilo que a ciência ainda tateia abrindo novos campos de pesquisa” (Michael Keller). Assim, já não há divisão entre fé e razão. Pelo contrário, uma depende da outra, uma não existe sem a outra. “A ciência nos dá o conhecimento do mundo e a religião nos dá o significado” (Michael Keller).

Diante da física quântica, Deus se apresenta como o elo perdido do Universo. Não se trata de um Ser que vive à distância, passivamente, como um simples observador ou guardião da ordem natural das coisas. Inversamente, Deus é a força propulsora e motora de tudo o que existe (material e imaterial): a explicação lógica da criação! E de qualquer forma fica claro que a nossa realidade não é limitada a demarcação da ciência, contudo, é ampliada pela consciência de Deus que opera e age a partir da evolução do criado.

Não cabe à física quântica negar o mistério de Deus, testemunhado nas partículas do Universo. Aquilo que não se explica e que não é verificável, também não pode ser negado. Nem sempre a ausência de comprovação empírica é sinônima de negação da existência de um ente ou algo. “Se chegarmos a uma teoria completa, com o tempo esta deveria ser compreensível para todos e não só para um pequeno grupo de cientistas. Então, todo mundo poderia tomar parte na discussão sobre por que nós e o Universo existimos… Nesse momento, conheceríamos a mente de Deus” (Stephen Hawking).

Por fim, vale ainda ressaltar que tudo o que existe no universo possui “intenção e consciência” (Paul Davies).  Tal intenção e consciência estão amplamente vinculadas à existência de Deus, na condição de força propulsora do Universo.

Por fim, transcrevo as palavras do jornalista José Augusto Lemos, que rematou muito bem o que evidenciamos acima: “[...] O americano Allan Sandage – um dos astrônomos mais respeitados mundialmente, hoje com 74 anos – considerava-se ateu com todas as letras, até os 50 anos. Sua conversão ao cristianismo veio de repente, provocada pelo ‘simples desespero de não conseguir responder só com a razão perguntas como por que existe algo ao invés de nada? Foi o trabalho que me levou à conclusão de que o mundo é muito mais complicado do que pode ser explicado pela ciência. Só através do sobrenatural consigo entender o mistério da existência, afirma ele. A ciência torna explícita a incrível ordem natural, as interconexões em vários níveis entre as leis da física e as reações químicas encontradas nos processos biológicos da vida. Por que será que os elétrons têm todos a mesma carga e a mesma massa? A ciência só pode responder questões bem específicas, do tipo ‘o que?’, ‘quando?’ e ‘como?’. O seu método de investigação, por mais poderoso que seja, não pode responder ao ‘por que?’.”

 O porquê pertence a Deus!

 

 

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

UMA GRIPE CHARLATÃ!

setembro 8, 2009 on 3:26 pm | In Pe. Robson | 6 Comentários

Muitas vezes falta à mídia o fundamento crítico e, ao mesmo tempo, a transparência entre as mais variadas notícias. Nem sempre a notícia é notícia. Então, aquilo que deveria informar acaba virando uma contra informação. Dos mais diferentes modos, sabemos que, em determinados momentos, nos tornamos desinformados com o provimento intelectual de pseudo-informações. Eis um caso recente do que afirmamos outrora: a charlatanice da gripe suína. 

 
 A indústria de notícias monopoliza a informação e nos aliena na medida em que não elucida as reais situações em que o vírus H1N1 teve início e evoluiu. Desde o primeiro semestre vemos a mídia bombardear os nossos olhos e aterrorizar a nossa consciência em relação aos efeitos drásticos da gripe suína. A única coisa que se sabe é que a supracitada enfermidade surgiu entre os porcos confinados no México e posteriormente veio a ser transmitida aos seres humanos. No entanto, ficam alguns questionamentos de suma relevância: por quais razões a gripe teve início entre os suínos, sendo ela um derivado da gripe aviária? De que forma houve a mutação do vírus dos porcos aos humanos? O que está por trás da gripe suína e o que nos esconde a Organização Mundial de Saúde?

 Pouco se sabe, mas a gripe suína surgiu a partir do interesse lucrativo da agroindústria no México. Tudo começou no vilarejo de  LaGlória, em Veracruz, no criadouro de porcos pertencentes à Granja Carroll, subsidiária da Multinacional Smithfields Foods. Esta é a maior empresa do mundo em produção, clonagem e comercialização de carne suína e por ser norte-americana não está sujeita as infrações da vigilância sanitária mexicana. A mesma está presente em toda a América do Norte, Europa e China. “Além disso, a multinacional usa dos mais variados mecanismos de pressão e ameaças contra seus funcionários mexicanos para abaixar os salários e aumentar a jornada de trabalho. Também é comum atrasar os salários. Vale-se da prática da demissão sumária ou agressão pura e simples aos operários que filiam-se ao sindicato da categoria. As condições de trabalho são as mais degradantes possível, sem qualquer equipamento de manuseio e de higiene – segundo denúncias publicadas no diário La Jornada, da Universidade Autônoma do México” (José Tafarel). Por isso, a mídia desinformada não assume que a Carroll foi, na verdade, o foco principal de onde surgiu e proliferou-se o vírus H1N1 dos porcos aos humanos.

 A produção anual da Carroll é de aproximadamente um milhão de porcos. Ao todo são 907 trabalhadores, 60 mil porcas e 500 mil porcos criados. A população local é quem sofre os efeitos de tamanha criação desregrada, uma vez que as fezes e as urinas dos animais são colocadas em tanques de oxidação, ao ar livre. A partir daí acumulam-se os dejetos fecais e proliferam-se as moscas. Por conseguinte, o subsolo fica contaminado e a contaminação alastra-se pela água através de riachos e dos lençóis freáticos. Foi desta forma, que a população pobre adquiriu o vírus dos porcos e o repassou do México para o mundo. Chamar a respectiva gripe de suína é só mais uma forma ideológica de acobertar a verdade. “O vírus dessa gripe se originou da combinação de múltiplos pedaços de ADN humanos, aviários e suínos. O resultado é um vírus oportunista que acomete animais imunodeprimidos, preferencialmente porcos criados comercialmente em situações inadequadas, não-naturais, intensivas, massivas, fruto de cruzamentos clonados e que se alimentam de rações de origem transgênica, vítimas de cargas extraordinárias de antibióticos, drogas do crescimento e bombas químicas visando a precocidade e o anabolismo animal” (Daniel Wagner).

 O mais irônico desta gripe viral é que tanto o seu início quanto a sua cura, por meio de medicamentos, é controlada por grandes multinacionais interessadas em lucros bilionários. Vale ainda ressaltar que “o nome da gripe é: “gripe do agronegócio internacional” - que precisa responder judicialmente o quanto antes - urgentemente - pela sua ganância e irresponsabilidade com a saúde pública mundial (Daniel Wagner).

 Os verdadeiros criadores desta gripe foram a ganância e o interesse pelo lucro a todo e qualquer custo. É o desrespeito pela dignidade humana. Saibamos que: a vazão da água de poços para expurgar resquícios de suínos, a eliminação imprópria de dejetos próxima às nascentes de água e o ar doente pela presença de amoníaco significam a tapeação e o fortalecimento da “Pandemia do lucro” cínico e camuflado pela mídia mundial e pela Organização Mundial de Saúde. A mídia necessita de conversão!
 

 

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

POLÍTICA DO DINHEIRO!

setembro 1, 2009 on 3:20 pm | In Pe. Robson | 2 Comentários

Nos últimos dias muito se falou a respeito da expressão “vergonha nacional”. O Brasil ficou vexado pelo resultado que arquivou os processos deferidos contra o Presidente do Senado: José Sarney. Justamente por situações como a supracitada é que grande parte da população deixa de acreditar nos políticos, mas não na política. Na atualidade os crimes de corrupção e as investidas daqueles que praticam o lobby, visando influenciar as decisões do poder público, vêm à tona mediante a indignação dos mais variados setores da sociedade. De forma silenciosa aparecem vozes visando dignificar a política. O objetivo maior é fazê-la transparente na medida em que há a luta pelo bem comum, a priorização da dignidade humana, a defesa dos direitos da população e a capacidade cristã de ouvir o grito dos pobres.

A princípio precisamos reconhecer que o poder político emana da sociedade. Somos nós que conferimos, outorgamos e legitimamos o mandato de nossos representantes, que vão desde a Presidência da República até a câmara municipal. Assim sendo, a política é falseada quando compreendida em si mesma e é ressuscitada, sobretudo no exercício do poder em vista do serviço público. No entanto, não são poucas as realidades em que o poder político se converte no “partido do dinheiro”. Tudo passa a ter uma cotação, os projetos de lei são comprados, o mandato é penhorado pelas multinacionais, a verdade é encoberta, o nepotismo é proliferado e os interesses do povo são substituídos em proveito próprio.

Deturpar a política é ferir a existência da sociedade, pois em sua gênese estão à honestidade e a ética como princípios fundamentais. Vale-nos, portanto, distinguir que a politicagem é negócio, a política é serviço. Politicagem é sinônima de privilégios, política é antônima de regalias pessoais. Politicagem é falsear as promessas eleitorais, a política é batalhar pela participação de todos na eqüidade pública de enriquecimento do país.

Ademais, precisamos decretar o falecimento deste tipo de governo escondido sob o viés da mesquinhez, da falta de escrúpulos e da desonestidade, que erroneamente chamamos de política. O que vêem até nós, através dos meios de comunicação, é uma fraude da política, uma não-política.  Matar o atual modo de fazê-la é anunciar o renascimento da verdadeira política. Nos tempos de outrora e, principalmente nos dias atuais, a política precisa deixar de ser uma profissão, um arrimo familiar, para transformar-se em uma legítima vocação, como nos diz Rubem Alves: “De todas as vocações, a política é a mais nobre [...] De todas as profissões, a profissão política é a mais vil”.

É lamentável a decisão de um dito conselho de ética, capaz de arquivar todas as denúncias para salvar uma só pessoa. Acaba-se causando uma crise do institucional que, nos últimos mandatos têm perdido a sua credibilidade com os últimos presidentes do Senado, como por exemplo: Antônio Carlos Magalhães e seus 468 atos secretos, Jader Barbalho e a renúncia para não perder o mandato devido à corrupção, Renan Calheiros e a quebra de decoro parlamentar e agora Sarney.

Por fim, uma política séria necessita de uma boa formação de consciência. Governar não é brincadeira, mas uma causa que modifica histórias e salva vidas. Precisamos sonhar uma “outra sociedade possível” e uma vida “politicamente” justa para todos! Por isso, devemos assumir o Evangelho como um manual do cristão, do político e da libertação no intuito de buscar o Deus revelado por Jesus de Nazaré: o Pai Eterno!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

www.paieterno.com.br

Próxima Página »

Pai Eterno
Artigos e comentários feeds. Valid XHTML and CSS. ^Top^