Um ícone chamado Perpétuo Socorro

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Antes da leitura prévia deste artigo, paremos um pouco diante do ícone de Nossa Senhora da Paixão, mais conhecido pelo título de “Perpétuo Socorro”, tão venerado nas Igrejas de Goiânia e nos locais por onde passaram os Missionários Redentoristas. Deixemo-nos interpelar pelo olhar desta mulher que nos segura pelas mãos. Permitamos que Maria incite a nossa mente e o nosso coração para o Cristo. Aceitemos que ela mesma nos aponte o seu Filho como caminho para que a nossa vida tenha um norte e a esperança tenha sentido. Contemplemos na realidade mais profunda do nosso ser a presença simples daquela que invocamos como a “Mãe do Perpétuo Socorro”.

A palavra “perpétuo” é proveniente do latim “perpetuu” e significa: aquilo que dura para sempre, que é contínuo, sem interrupção, inalterável e eterno no Coração de Deus. Já a palavra “socorro” se aproxima de socorrer, derivada do latim “succurrere”. Esta última traz em seu sentido etimológico as seguintes expressões: defender com a própria vida, proteger um indivíduo, prestar auxílio a outrem, acudir nos momentos de dificuldades, prestar socorro em perigo de morte, remediar para prover do necessário, evitar o mal e, por fim, esmolar o favor de alguma pessoa. São títulos fortes que expressam a realidade espiritual e cristã da manifestação artística do Sagrado.

A arte dos ícones contradiz o fetiche capitalista e a existência mercantil ultramoderna, pois não é produzido pelas leis do mercado, todavia, pelas leis da fé. Antes de ser pintado, o ícone é rezado. Anterior à confecção está a contemplação. O discurso sagrado que fundamenta a feição dos ícones orientais é a teologia da encarnação. Neste sentido, é o próprio Deus quem se encarna nas formas artísticas para ser adorado e reconhecido como Deus e Senhor nosso.

Agora, detendo-nos mais precisamente no ícone do Perpétuo Socorro, visualizamos o quadro original, medindo 53 x 41,5 cm, com o rosto pobre e sofredor de uma mulher. Ela está no centro artístico, contudo, não é o centro teológico da obra. Por trás da consternação de Maria apresentam-se os símbolos da dor e da paixão que ora se aproximam do pequeno Jesus. Os olhos de Maria são grandes e pintados de forma exagerada para expressar sua atenção diligente por nossas necessidades. No entanto, os lábios são apoucados para demonstrar o silêncio e a reverência pelas dificuldades perenes de nossa história. Estamos defrontes à Mulher que há todos os instantes nos remete ao homem Jesus quando afirma: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

Maria está vestida com uma túnica vermelha, roupa esta utilizada pelas virgens nos tempos de Nazaré. A cabeça e o restante do corpo são revestidos por um manto de cor azul com forro verde que significam a maternidade e a divindade de Maria, presente também em todas as Marias dos tempos hodiernos. Outras interpretações vão afirmar que as cores azul, vermelha e verde eram distintivas da realeza e só utilizadas pelas Imperatrizes do passado. No manto azul, robustecido com traços dourados, há uma estrela de oito pontas que pode ter sido acrescentada por um artista posterior no intuito de demonstrar que Maria é a estrela que reflete o sol da justiça. Trata-se de uma teologia oriental que apresenta mais Maria da fé do que a Maria histórica que viveu ocultamente em Nazaré. No entanto, ambas as realidades, fé e história, vão conceder força e vigor para aquilo que chamamos de “Perpétuo Socorro”.

Além da figura mariana, verifica-se mais adiante a presença substancial de dois arcanjos. Seus nomes são denotados pelas letras gregas sob suas cabeças que diz: Miguel e Gabriel. Estes dois, antes mesmo de serem apresentados como emissários da glória majestosa de Deus, como bem se percebe na doutrina angelical tomista (de São Tomás de Aquino), são colocados como mensageiros da paixão. Eles não trazem nem trombeta apocalíptica nem a harpa angélica, mas sim os instrumentos da dor e da agonia de Jesus de Nazaré: a cruz e as lanças. No ícone também se inverte o relato evangélico da anunciação de Maria. Em vez de anunciar o nascimento do Filho do Homem, o anjo prediz a morte do Filho de Deus.

No colo de Maria está uma figura trêmula e frágil, um Deus que parece mais humano que Divino. Estamos diante da Criança que tem medo da paixão e, por conseguinte, da morte: fruto de sua opção pelo Reino do Pai em vista dos pobres e abandonados. É um Menino que, contemplando os instrumentos da paixão, corre tão velozmente para os braços da Mãe que deixa as sandálias perder do pé. No simbolismo da sandália está a insegurança de alguém com a vida sob o pêndulo. Na narrativa bíblica, os pés são lavados e beijados, enquanto que no ícone ficam desprotegidos. Perder a sandália é não conseguir andar por muito tempo nos caminhos pedregosos da existência. É prefiguração da morte. Ficar sem sandálias é despojar-se de si mesmo para assumir a ferida do humano. Não possuir sandálias nos pés é adentrar o caminho da mais absoluta entrega por meio da encarnação, paixão e ressurreição.

Adentrar o caminho iconográfico do Perpétuo Socorro é por fim tornar-se “perpétuos socorros” para o mundo que tem fome e sede de Deus. Ser cristão é assumir a missão de agir como socorro perpétuo em vista do amor e da consagração da vida. Vale ainda ressaltar que o “Perpétuo Socorro” nos faz assumir uma nova visão de Deus debaixo para cima, do temporal para atemporal, do finito para infinito. Também nos faz descobrir um novo rosto de vida cristã, entendendo-a como serva e não como senhora. Por fim, a amorização da vida nos faz compreender as novas e futuras relações na Igreja e na sociedade em vista da implantação cotidiana do “Perpétuo Socorro” de Deus em nós e por nós!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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