Cooperadores de Deus

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Jesus começa sua vida pública logo após ter sido batizado por João Batista nas águas do Rio Jordão. Retira-se, então para o deserto. Ali, abre mão de tudo. Esvazia-se, de si para que o Pai pudesse ser todo Nele. E, realizar através Dele, todo Seu desígnio de amor.

Uma vez tendo sido batizado e recebido o Espírito Santo, Jesus torna-se apto a exercer no mundo a missão recebida do Pai: “anunciar a boa nova aos pobres, proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista, libertar os oprimidos e proclamar o ano de graça do Senhor” (cf. Lc 4,18). Este é, segundo o evangelista Lucas, o programa da atividade missionária de Jesus.

Compreende-se, então, que o Batismo qualificou Jesus à condição de enviado, de missionário e mensageiro de Deus ao mundo para conduzir a humanidade toda à Redenção Eterna. Missão que Jesus não realiza sozinho. Ele chama outros para serem seus auxiliares e cooperadores nesta grande, árdua, penosa e difícil missão. E, disse logo aos escolhidos o que veio fazer: “anunciar a Boa Notícia aos pobres e oprimidos” (Lc 4,18).

Ao revestir-se do Espírito Santo, a exemplo de Jesus, todo batizado recebe também o chamado a ser discípulo missionário de Jesus. Torna-se, um cooperador de Deus na obra de redenção. E assume em sua vida as mesmas atitudes de Jesus: o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo assim como Ele nos amou. E, acolhe alegremente o Espírito que os discípulos receberam em Pentecostes: “Ide, pois, fazei que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei” (Mt 28,19-20).

Para exercer bem a missão que Deus nos confiou, é preciso compreender que o que nos qualifica como missionários de Jesus é o Batismo. A partir dele, toda nossa ação precisa estar voltada para fazer a vontade de Deus em nossa vida e na vida daqueles a quem somos enviados. Portanto, o primeiro passo é o esvaziamento de nós mesmos e de nossas vontades. Outros aspectos também são fundamentais: amar a missão assumida, estar convicto e preparado para o exercício dela, saber o que vai anunciar, a quem, quando e como anunciar, abrir mão das certezas e convicções pessoais, evitar a autossuficiência, prepotência e arrogância, não sentir-se mais importante que a mensagem, não buscar recompensas e acreditar na força da missão e na ação do Espírito Santo sobre ela.

Buscar ajuda e contar com a participação de todos no processo de evangelização é indispensável. Nesse sentido, Papa Francisco recorda que “a missão é tarefa eclesial e não se restringe a um grupo, pastoral ou movimento”. De tal modo que “nenhum sujeito eclesial deve se apropriar desta tarefa que é de todo povo de Deus”. E, Francisco insiste na necessidade da oração para obter o sucesso da missão. Ela é o que nos sustenta em Missão.

Por fim, é preciso que o missionário seja um vocacionado da missão recebida e assumida. Vocação e missão são inseparáveis. Sem a vocação, a missão não é mais que profissão. Por outro lado, a vocação, sem a missão, seria um gesto incompleto. Deste modo, o missionário trabalha e Deus realiza o sucesso da missão. Quem é importante na Missão? O “importante não é aquele que planta, nem o que rega. O importante é Aquele que faz crescer: Deus. Nós somos apenas cooperadores de Deus”. (cf. 1Cor 3, 6-7).

Pe. Edinisio Pereira

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

A oração traduz o amor que o Pai Eterno tem por nós

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De todas as conquistas alcançadas ao longo da nossa existência a mais importante delas já nos foi dada: a graça de sermos filhos do Pai Eterno. Maior amor não há. “Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus” (I Jo 3,1-2a). Nele fomos reavidos do pecado que penhorava a nossa esperança. Por Ele conquistamos aquilo que pensávamos ser impossível. Em função Dele assumimos a missão de evangelizadores, não só pelo anúncio da Palavra, mas, sobretudo, pelo testemunho concreto da caridade, em função dos mais pobres e abandonados.

Antigamente, caminhávamos feridos na alma pelas difíceis estradas da vida. Agora, na medida em que assumimos a nossa condição de filhos e devotos, encontramos forças para ultrapassar os sofrimentos do cotidiano, sendo sustentados e amparados pelas mãos amorosas do Pai Eterno. Vejam só! Tudo o que recebemos pela fé só nos vem pelo fato de sermos filhos. Amados pelo Pai também somos convidados a amar. Cuidados, igualmente devemos cuidar. Não podemos ficar com uma graça tão grande como essa apenas para nós. É preciso anunciá-la sempre mais. “Vocês receberam de graça, deem também de graça” (Mt 10,8).

No coração do Pai Eterno prevalece o desejo incondicional de nos salvar, a partir de um amor absoluto, sempre habilidoso em compreender as nossas precisões e a engajar-se conosco, principalmente, para que consigamos vencê-las no dia após dia. Não rezamos para convencer a Deus do que nos falta nem para recordá-lo do que carecemos, muito menos para fazê-lo sentir piedade de nós. Do contrário, a oração é, antes de tudo, o meio pelo qual experimentamos o afeto absoluto de Deus que nos faz filhos e nos convida a viver na dignidade dessa divina filiação.

Na verdade, rezamos porque temos necessidade do amor do Pai. Não sabemos viver distantes de Sua terna presença. Sem sombra de dúvidas, Nele depositamos o horizonte primeiro e último da existência que construímos depois de tantas demolições. Não há problema algum de expor, em nossas orações, as angústias despertadas, os medos ocultados, as dificuldades sentidas, as mágoas nutridas, dentre tantas outras dificuldades. Afinal de contas, somos Seus filhos queridos. Mas, ainda assim, Deus não permanece no alto do céu, aguardando pelo momento em que vamos acordá-lo com preces variadas. Acreditamos verdadeiramente que Ele não está dormindo diante dos nossos tormentos.

Sabendo primeiro daquilo que precisamos, Deus já sai para buscar a nós, se empenhando em nossa luta, que também é sua. Incapaz de nos provar, também não nos despacha nenhum sofrimento. Na verdade, as dores da vida são consequências dos limites da existência. Enfim, não podemos tudo e a realidade do mundo nos diz isso. Logo, em Sua eterna bondade, jamais nos envia doenças, quanto dirá provações. Pai que é Pai, a todo o momento, quer o nosso bem, sem cessar de nos proteger na esperança, cuidar no amor e fortificar na fé!

Portanto, antes mesmo que peçamos, Ele já está nos amparando perante os padecimentos da vida. Sua atuação vai rompendo com toda a amargura, concedendo um lugar de afeto para que consigamos nos reorientar. Junto Dele encontramos novas soluções para tantos problemas. Algo que só é possível porque Nele está o nosso socorro fiel. Que possamos fazer também de nossas preces experiências profundas de encontro com o Deus que nos ama. Desse ‘encontrar’, entre o divino e o humano, nasce a fé que aquece o coração. Que nela alcancemos a força necessária para avançarmos adiante da dor. Deus jamais nos deixará desamparados!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Presidente-Fundador da Associação Filhos do Pai Eterno

Paulo Apóstolo e seus colaboradores

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Mês de outubro é reservado para que a Igreja reflita de modo mais aprofundado sobre a sua vocação missionária. Parece-nos oportuno refletir este tema à luz do testemunho do apóstolo Paulo e seus companheiros, ou melhor, e seus colaboradores, afinal, em suas cartas, Paulo faz um uso abundante do termo synergos que significa literalmente “colaborador” em referência àqueles que estavam com ele na missão. Paulo e seus colaboradores é um tema muito rico e vasto, que ilumina, também, o ano do laicato que celebramos.

Afinal, no exercício do apostolado de Paulo entram como participantes muitos homens e mulheres de diversos modos e de grande estatura humana e moral, inclusive alguns que a Igreja venera como santos. Basta pensar, por exemplo, a Lucas, Barnabé e Timóteo. O anúncio do Evangelho realizado por Paulo é um trabalho de equipe. Este tema nos ajuda a compreender uma característica marcante do estilo pastoral do apóstolo Paulo: o seu trabalho realizado com a ativa participação de outros membros.

O caminho escolhido por Paulo nos dá o testemunho de vários colabores que deram assistência direta na missão do apóstolo em anunciar o chamado “Evangelho de Cristo” pelo qual Paulo era apaixonado. A literatura bíblica que temos à nossa disposição mostra Paulo rodeado de homens e mulheres, jovens e anciãos no anúncio do Evangelho, no seu trabalho de fundar e organizar as comunidades cristãs, na elaboração das estratégias necessárias para enfrentar os problemas pastorais do seu tempo e encontrar meios para resolvê-los. Essa propensão paulina do anúncio do Evangelho em equipe não se apresenta como uma novidade na história do cristianismo.

Já nos Evangelhos, Jesus propõe o apostolado como uma missão a ser realizada em equipe: “O Senhor designou ainda outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois” (Lc 10,1; cf. Mc 6,7). Disso já tiramos consequência prática para a nossa realidade pastoral: a evangelização é uma missão tão elevada e exigente que somente pode ser realizada em equipe.

Daí, não nos surpreende que nos Atos dos Apóstolos, assim como nos Evangelhos, o termo “apóstolo” quase sempre aparece no plural e quase nunca no singular. Isso indica que a vocação apostólica não pode ser vivida a sós. Paulo entendeu bem isso: “Não se pode ser apóstolo a não ser em equipe, na Igreja” (W. Roger, Paul de Tarse. L’homme et son oeuvre). Por isso, a importância que ele dá aos colaboradores em sua missão de apóstolo.

São numerosos(as) colaboradores(as) de Paulo, se queremos dar um rápido olhar, destacamos três grandes figuras como: Barnabé, Timóteo e Apolo e tantos outros como: Marcos, Silas, Tito, Lucas, Áquila, Epafrodito, Apolo, Epafras, Tíquico, Aristarco, Demas e Silvano; tantas mulheres: Damaris, Lídia, Priscila, Febe, Maria, Trifene, Trifone, Ninfei, Evodia e Síntique. Como se vê, trata-se de um número considerável, composto de pessoas diferentes.

Pe. João Paulo
Missionário Redentorista
Mestre em Exegese Bíblica

Uma vida convertida à Palavra

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A Palavra de Deus se revela a nós cristãos, salvando-nos de nós mesmos, convertendo-nos desde dentro, transformando-nos no dia a dia, para que nos humanizemos cada vez mais, perante o pecado que tanto nos desumaniza. Distante da Palavra a vida cristã fica esvaziada de sentido. Fora dela o desespero toma conta do nosso coração. Sem ela ficamos reféns do ódio. Isso quando não nos tornamos aprisionados ao cativeiro da mágoa: moendo e remoendo tantos sentimentos amargos. 1968: Há cinquenta anos, um papa pisava na América pela primeira vez.

De 22 a 25 de agosto de 1968, o Papa Paulo VI visitava a Colômbia. Em Bogotá participou do XXXIX Congresso Eucarístico Internacional e abriu a II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (Conferência de Medellín).  As Escrituras Sagradas nos tocam, dizem respeito a nós, têm uma relação profunda para conosco. “A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto onde a alma e o espírito se encontram, e até onde as juntas e medulas se tocam; ela sonda os sentimentos e pensamentos mais íntimos. Não existe criatura que possa esconder-se” (Hb 4,12). Dela não podemos abrir mão, muito menos abdicar- nos do compromisso que ela mesma espera de nós. Ou a colocamos em prática ou, do contrário, corremos o risco de depor contra ela diante dos outros.

A Palavra sempre solicitará pelo nosso testemunho fiel. Não só no mês de setembro, mas vida afora, precisamos ficar em contato permanente com a Escritura de Deus. Ela não se encontra impressa apenas no papel. Para além das folhas que se dissolvem com o tempo, a Palavra deve estar fixada em nossos corações. É fundamental que nos convertamos a ela. Isso parece óbvio. Porém, existe o risco de que a queiramos convertê-la a nós, segundo os nossos critérios, inclusive com interpretações pessoais, deturpadas ou literais. Lutemos pela plenitude de vida, sem deixar de mirar na Palavra que nos direciona pelos difíceis caminhos da vida. Ela nos concede o norte que aponta para Deus.

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

A sabedoria em defesa da vida

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A Palavra de Deus é um pão a ser partilhado na comunidade. O mês da Bíblia, celebrado em setembro, deseja ajudar as comunidades a tomarem consciência do lugar da Palavra na vida dos fiéis. Neste ano de 2018 nos é proposto um estudo e reflexão do livro da Sabedoria, especialmente, sobre a visão bíblica oferecida por este livro em relação ao “mundo” – entende-se por mundo a realidade que nos circunda e na qual nós vivemos, é o cosmos bíblico – isto é, qual sentido e qual o valor do “mundo” para o ser humano?

De antemão, para o sábio bíblico, o mundo é visto como criação e dom do Criador confiado aos cuidados do ser humano. O ser humano apresentado no livro da Sabedoria não concebe o “mundo” como uma realidade separada e contraposta a ele. Antes, o “mundo” é visto como o próprio processo de mudança histórica e como o lugar da ação de Deus na vida humana. Ao contrário da visão que vê Deus somente nas grandes manifestações, a experiência de Deus para o sábio bíblico é feita no quotidiano da história, onde criação e salvação estão estreitamente ligadas entre si. Por isso, o convite deste livro para nossa realidade hoje é justamente este: descobrir o sentido do “mundo” que vivemos dentro do projeto salvífico de Deus, afinal, a ação de Deus na história do seu povo é algo que envolve toda a criação.

É muito atual e urgente essa reflexão que nos faz encarar o “mundo” que vivemos de modo diferente. Talvez nos sirva como síntese essa visão: “Ele criou tudo para que subsista; são salutares as gerações do mundo: nelas não há veneno destruidor, e o hades não reinará sobre a terra” (Sb 1,14), ela nos ajuda a compreender que a criação é boa e portadora de salvação. A ideia central é que toda terra é plena da presença do Espírito de Deus.

Sábio é aquele capaz de ver o “mundo” criado como algo desejado por Deus e bom para a humanidade, aquele capaz de conceber o mundo ordenado para a vida e não para a morte. Aquele que é capaz de admitir que todo o mundo criado por Deus, além de bom, tem, também, um valor salvífico. Ainda este versículo 14, na sua parte final, oferece uma resposta indireta ao problema do mal quando diz que nem mesmo o hades, isto é, o poder da morte, é capaz de destruir o projeto salvífico de Deus. O sábio reconhece este valor do mundo, enquanto o ímpio o nega. E nós, como nos relacionamos com Deus a partir da realidade das coisas criadas por Ele?

Pe. João Paulo
Missionário Redentorista
Mestre em Exegese Bíblica

Vocação à luz da Sagrada Escritura

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Em agosto, a Igreja dá especial atenção à reflexão sobre a vocação cristã em suas variadas dimensões. De que modo a Bíblia pode iluminar essa reflexão? Apresentamos algumas considerações que podem ajudar a entrar no tema proposto. Antes de tudo, o tema da vocação não é somente recorrente entre nós, mas é indispensável. De tantas perspectivas, certamente já refletimos muito este tema. E sobre a reflexão vocacional, não podemos prescindir do texto fundamental da nossa fé, afinal, entendemos que a Palavra de Deus está na origem da nossa vocação.

A Sagrada Escritura é, por excelência, o livro da vocação. Simultaneamente humana e divina, a Palavra de Deus apresenta um notável caráter apelativo e, por isso mesmo, uma inquestionável força vocacional. De fato, percorrer as páginas da Escritura é viajar por entre numerosos e diversificados relatos de chamados divinos e de respostas humanas. Podemos até afirmar que toda a Palavra de Deus é vocação, dado tratar-se de um chamado explícito ou implícito de Deus ao ser humano, a que este responde de forma positiva ou negativa, com maior ou menor ousadia. Contudo, há páginas em que a temática vocacional se evidencia, nomeadamente aquelas que apelidamos de “textos de vocação” ou “histórias vocacionais”.

O termo “vocação” e, de modo geral, o ato de “chamar” faz referência ao processo que descreve a condição do ser humano, convidado a dialogar com Deus e, em consequência desta relação, a escolher viver segundo um projeto de felicidade e salvação. Deste modo, olhando os personagens e a teologia das narrações bíblicas onde são representados os dinamismos do chamado divino e da resposta humana, a vocação não aparece de modo estático, como se fosse um bem adquirido, mas aparece como um caminho de gradual amadurecimento da descoberta a ser realizada em relação ao projeto de Deus, princípio e fonte de toda vocação.

Nesta perspectiva, a existência humana pode ser entendida como um caminho vocacional, lugar onde se pode experimentar diversos “chamados” que ajudam a acolher, confirmar e verificar a verdade que sinaliza o projeto de um caminho para a vida. Portanto, a vocação se apresenta como supremo apelo à consciência e indiscutível tarefa de toda existência humana que vive na fé a sua história de amor e se abre na esperança ao cumprimento do projeto salvador. Entendendo esta relação como projeto, logo, ela determina o próprio ser da pessoa humana, o seu destino de criatura, colocada diante do Criador.

Pe. João Paulo
Missionário Redentorista
Mestre em Exegese Bíblica

De onde parte a nossa vocação?

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Definitivamente, a vocação cristã tem origem no coração do Divino Pai Eterno! De lá, ela parte e para lá, ela chega. Dele viemos. Nele somos e existimos. Para Ele haveremos de retornar quando a morte vier e a vida seguir adiante na eternidade. Pela vocação assumida sempre partiremos e voltaremos à Casa do Pai. Em sua divina bondade, Ele nos confia talentos dos mais variados para que sejam utilizados na construção de seu Reino, já aqui na Terra, como uma antecipação do céu. São esses dons que alicerçam a comunidade dos batizados.

Algo que só é possível quando nos colocamos a serviço de cada vocacionado. Já não há escapatórias para quem se deixa escolher e enviar por Deus. Esse chamamento não vem nem por nossos méritos nem por nossa dita importância. Na verdade, a vocação brota por pura gratuidade divina. “Ele nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não por causa de nossas obras, mas conforme seu próprio projeto e graça” (II Tm 1,9). Por nos ter sido concedida de graça precisamos reparti-la gratuitamente, jamais usando-a em benefício próprio, mas sempre em função dos nossos irmãos, principalmente, os mais pobres. “Não foi Deus quem escolheu os que são pobres aos olhos do mundo, para torná-los ricos na fé e herdeiros do Reino que ele prometeu àqueles que o amam? (Tg 2,5).

Compreendendo a gratuidade de cada chamado é que também acolhemos a igualdade de cada vocação. Por conta disso, o serviço do padre não é mais importante que o da freira. Muito menos o da freira é mais admirável que o dos leigos. Independente de ser uma coordenadora da comunidade ou de ser um fiel sentado no banco: todos são imprescindíveis para que o amor do Divino Pai Eterno seja conhecido, abraçado e vivenciado. Que neste mês de agosto tenhamos a bonita disposição de retornar ao sonho original, ao princípio de tudo, ao primeiro chamado que nos moveu a abraçar a fé cristã, por meio da vocação escolhida. Somente assim poderemos testemunhá-la na verdade merecida.

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

Por amor, buscamos alcançar o coração de milhares de pessoas para levar a mensagem do Pai Eterno

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“Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34). Esse ensinamento foi dito com tamanha autoridade, por Jesus, que nunca perdeu a sua força. A verdade que hoje aquece o nosso coração é de que Jesus é o Filho Unigênito do Divino Pai Eterno. Nós, que somos cristãos e amamos o Senhor, devemos seguir os Seus passos e ouvi-Lo. E o que Ele prega é o amor.

Jesus veio em um tempo em que as pessoas achavam que o mais importante era cumprir à risca o que estava escrito na lei. E, já naquela época, Ele ensinava que não basta ser um fariseu exemplar cumpridor da lei. É preciso ter amor para que a lei seja levada à sua plenitude, para que ela tenha sentido, seja fecunda e, de fato, valha.

Qualquer outro mandamento que não tiver o amor como frente e força, faz a lei cair por terra. Toda riqueza, poder e influência política podem até fazer diferença na vida de alguém. Mas, sem amor no coração, nada disso vai valer a pena. Porque o amor e os seus belos frutos são o que dão força à vida do ser humano e o que mantêm a nossa vida em pé e nos fazem caminhar e enchem a nossa vida de luz, graça e bênçãos.

O amor sempre me faz olhar para o outro e me preocupar com o que o outro precisa, porque ele me tira de mim mesmo. Foi essa a motivação principal para o início do meu trabalho de evangelização pela Associação Filhos do Pai Eterno, a Afipe. Quando tive a ideia de criar essa associação, as pessoas me perguntavam: “O que te motiva a acreditar tanto que você vai conseguir essas coisas que você está projetando?”. Eu respondia sempre: “O amor a Deus”.

Eu olhava a Festa do Divino Pai Eterno e, no meio daquela multidão de gente, eu via lá no fundo uma pessoa rezando e se entregando a Ele. E eu ficava imaginando como seria especial se eu conseguisse falar com aquela pessoa e com tantas outras que, assim como ela, estavam em busca de paz, força e amor.

E aí, surgiu a Afipe, em 2004, de um sonho, de um desejo profundo de chegar às pessoas e não esperar que elas venham a nós, no campo religioso de suas vidas. Entrar nas vidas das pessoas, falar às pessoas, chegar aos corações delas com uma mensagem muito profunda a respeito da figura do Divino Pai Eterno, que é a Trindade Santíssima: o Pai, o Filho e o Espírito Santo coroando Nossa Senhora. Sendo ela a representante da humanidade no coração da Trindade. Quando olhamos para a imagem, vemos Maria sendo coroada e a mensagem iconográfica é essa: a humanidade sendo abraçada pela Santíssima Trindade por meio da presença de Nossa Senhora.

A figura do Pai é uma figura alusiva ao Deus Uno e Trino. Popularmente, já se chamava Divino Pai Eterno, não foi a Igreja quem impôs isso, mas realmente o nome que pegou: Divino Pai Eterno, mesmo tendo ali a coroação da figura de Nossa Senhora. A gente vê a força da devoção, de falar de Deus, de falar do Pai, da figura paterna de Deus. O Pai Eterno é a figura central do cristianismo porque Cristo que nos mostra o Pai. Na própria missa, quando nós rezamos, falamos ao Pai Eterno. No Pai Nosso, a oração universal, nos reportamos ao Pai; nas orações da Igreja, nós falamos ao Pai.

Tudo é do Pai, tudo vem do Pai, tudo provém de Deus: a graça, o milagre e, inclusive Jesus, é intercessor junto ao Pai. As outras devoções aos santos e a Nossa Senhoras são uma forma de reforço às intenções que apresentamos para que Cristo leve ao Pai os nossos pedidos. Então, a força dessa ideia “Filhos do Pai Eterno” é para que nós entendamos nossa filiação divina, nossa condição de filhos de Deus: nós somos filhos, no Filho muito amado, como diz São Paulo.

Então, a Afipe é isso, uma instituição que se concentra fortemente em levar o Evangelho, a Boa Nova do Pai Eterno em Jesus Cristo, na força do Espírito Santo, tendo Maria como uma referência daquela que foi a primeira discípula, daquela que viveu plenamente a vontade do Pai, daquela que refletiu no seu modo de ser e viver, no seu “SIM”. No seu colocar-se a serviço de Deus, ela refletiu todos os desejos de Deus para a humanidade. Por isso, somos abraçados como Maria, no coração da Trindade Santíssima.

A Afipe promove o entendimento, a divulgação dessa mensagem, de um modo particular através dos meios de comunicação. Nós fazemos também obras sociais, mas não é a principal finalidade da Associação. Nossa missão central é levar, pelos meios de comunicação diversos, a imagem, a mensagem, a devoção ao Divino Pai Eterno. Essa é a Afipe e você, que parte desse sonho comigo, me ajudar a forma essa estrutura, um esqueleto, uma verdadeira família que, hoje, leva o amor do Pai Eterno Brasil afora, por amor. Obrigado por fazer parte disso!

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

Para além do jejum de palavras, Maria nos ensina o dom do silêncio

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Em nossas comunidades paroquiais pode haver silêncios que necessitem ser rompidos e barulhos que precisem ser cessados. “Silêncio! Cala-te! E cessou o vento e seguiu-se grande bonança” (Mc 4,39). Às vezes, falamos demais e escutamos de menos. Antes do benéfico direito de falar, nos foi dado o dever de ouvir, inclusive, para que compreendamos uns aos outros. É o que fazem as crianças, ao desenvolverem primeiro a audição e só depois a linguagem. Ruídos, em excesso, geram toda sorte de boatos. Já boatos demasiados suscitam verdadeiros estardalhaços. É um ‘disse que me disse’ de cá e um ‘zum-zum-zum’ de lá. Ambos parecem desproporcionais. Talvez, por não abraçarem a medida da misericórdia derradeira.

Cultivar o silêncio, da Quaresma para a vida, não tem nada a ver com comportar-se de modo isolado, permanecendo recluso na indiferença ou distante dos compromissos comunitários. Pelo contrário, é afastar-se de todo e qualquer burburinho, apto a comprometer a nossa fé na comunidade. Em alguns momentos, acontece da história de uma pessoa ser exposta, não só em conversas informais, mas até mesmo em eventos comunitários, quando o maior interessado do assunto não se encontra ali presente. Mesmo um culpado possui o direito da ampla defesa e do acesso à informação que pesa sobre ele. Como tal, não pode ser o último, a saber, daquilo que lhe diz inteiro respeito.

Tal comportamento gera uma atmosfera de intriga e desconfiança entre os fiéis, como se todos vivessem rodeados por certos espiões ou delatores (Cf. Zc 8,17). A ninguém foi outorgada a incumbência de analisar, às escondidas, os passos, as conversas e os comportamentos dos demais. Afinal, Jesus não nos pede para sermos agentes secretos, mas, em contrapartida, irmãos (Cf. Jo 13,34-35). Não havendo nada de bom a proclamar, também não há nada de ruim a acrescentar.

Existem circunstâncias nas quais precisamos guardar muitas palavras em nossos corações: seja porque não possuem um sentido de resposta, seja para dizermos na ocasião propícia, de acordo com a lição instruída por Maria (Cf. Lc 2,19). Seguindo o exemplo da Virgem do Silêncio, principalmente na Quaresma, é importante cobrir o outro com o manto do cuidado. Isso nada tem a ver com omissão ou cumplicidade. Trata-se de um comportamento pacífico, conciliador, cheio de boa vontade para com os outros, sem sabatiná-los, mas exortando-os, acima de tudo, ao amor (Cf. Tg 3,17).

Servimos às palavras, em especial, aquelas do bem dizer. Se, por algum motivo desconhecido, temos nos focado na tarefa, cansativa e enfadonha, do maldizer, então, algo está seguindo no sentido equivocado. Nosso tempo deve ser gasto com a evangelização, não com questões vãs e infrutíferas. Quem ama de todo o coração, se preocupa e vai ao encontro dos demais, sobretudo, os feridos desde mundo (Cf. 1 Pd 1,22). Caso alguém esteja perdido, em nossas comunidades, precisamos suportá-lo, não no sentido pejorativo, mas servindo de auxílio e suporte para que ele possa reencontrar o caminho da fé (Cf. Cl 3,13).

Adiante disso, o desassossego com a vida do outro não está no medo de que a Igreja fique mal afamada. Isso é corporativismo. Também não se detém na inquietude de que a reputação pessoal seja perdida. Isso é a publicidade de quem vive empenhado em produzir apenas boas notícias. Igualmente, não permanece na suspeita, nas opiniões infundadas ou no julgamento explícito. O que conta não é a sua verdade nem a minha verdade, mas a nossa verdade, decorrente dos fatos. A preocupação cristã se encontra no bem-querer, naquela afeição de irmãos e no zelo pelo bom êxito da evangelização (Cf. Mc 16,15).

Quem olha para o ícone do Perpétuo Socorro, também conhecido como Senhora da Paixão, na Tradição Oriental, percebe a Virgem de lábios apequenados e cerrados. Com humildade, miremos Nela. Suas palavras não são espessas nem amargas. Apenas apontam para o silenciamento de Jesus. Que, juntos de Maria, aprendamos a ser tão comprometidos com o silêncio, assim como o somos com as palavras. Permitamos, portanto, que Ela nos ensine, em todas as coisas, a primazia do amor e do amar, superando a violência, inclusive aquela proveniente do mau uso das palavras.

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente-fundador da Afipe

Em Cristo Redentor somos todos irmãos (Mt 23,8)

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Vivemos em um mundo ferido e violento. Independente de quem causou a lesão, precisamos reconhecer que ferimento se cura com o remédio da fraternidade. A dimensão fraterna da vida não se faz apenas com ajudas ocasionais aos mais próximos, com laços isolados de amizade ou, ainda, com simples partilhas de ideias. Isso soa como superficial. Fraternidade tem a ver com um movimento de encontro consigo e com os outros, sem esquecer de que o fundamento desse encontro está no amor de Deus Pai. Vinculados a Ele aprendemos a nos vincular aos outros, sem maiores reservas e sem requisitos prévios. Não há imposição de condições para o bom exercício da fraternidade. “Quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele” (I Jo 4,16b).

Quisera Deus que não precisássemos discorrer sobre a fraternidade tamanha fosse a nossa persistência nela, muito menos necessitássemos de uma Campanha da Fraternidade para nos recordar da violência e da indiferença para com nossos irmãos. Mas, somos falhos e limitados. No caminho da honestidade pessoal e comunitária é possível perceber a fragilidade de algumas relações que construímos. Faz-se necessário peregrinar, durante toda a Quaresma, se quisermos ultrapassar os possíveis desacordos do dia a dia. É forçoso o movimento de saída para que encontremos, no rosto das pessoas, a face amorosa de Cristo.

Se os nossos afetos estiverem orientados para o Pai Eterno não temeremos tratar aos demais como irmãos, pois acima de tudo está a comunidade de oração, a comunidade de missão e a comunidade de fraternidade com as quais nos comprometemos lá no Batismo. Já que a fé nos deu asas, nos esforcemos para que as diferenças não nos criem gaiolas. A salvação passa primeiro pela reconciliação e pela perseverança “no amor fraterno” (Hb 13,1).

Sabemos bem que, antes de sermos cristãos, somos todos irmãos. Não possuímos laços sanguíneos, nem parentesco próximo. Nosso único vínculo é Cristo e Ele nos diz: “todos vocês são irmãos” (Mt 23,8). O mesmo Novo Testamento também nos orienta: “Vivam em paz entre vocês. Por favor, irmãos, corrijam os que não fazem nada, encorajem os tímidos, sustentem os fracos e sejam pacientes com todos” (I Ts 5,13-14). A Quaresma também nos pede para ‘amarmos’ mais e nos ‘armarmos’ menos. Na verdade, cada vez menos. Até que a violência, nas suas mais variadas formas, seja definitivamente sepultada.

A ocasião solicita que cessemos as contendas entre nós. O acúmulo de mágoas e o cultivo de ressentimentos só fazem adoecer a fraternidade que nos move. No lugar do maldizer, o bendizer. Em vez de intrigar, devemos congregar. Ao invés de enfraquecer-nos uns aos outros, precisamos nos fortalecer mutuamente no Senhor. “Tenhamos consideração uns com os outros, para nos estimular no amor e nas boas obras. Procuremos animar-nos sempre mais” (Hb 10,24-25). Somos um corpo eclesial, cuja cabeça é Cristo. É um engano supor que podemos fazer algo a sós ou por iniciativa própria. Tudo o que realizamos parte da fraternidade, dela depende e para ela retorna.

Pessoas machucadas geram feridas aos mais próximos. Comunidades feridas também machucam os seus membros. Uma realidade não se separa da outra. Estão fortemente vinculadas, tanto nos avanços quanto nos retrocessos. Enfim, a saúde da vida cristã está sujeita a uma convivência fraterna, capaz de unir a todos, mesmo na diferença que nos constitui. De bom grado, aceitemos que as diferenças geram plenitude e pluralidade, jamais nos enfraquecem.

Por outro lado, é preciso recobrar a esperança que supera a todo desânimo. Se a vida é ferida pelo sofrimento é ela quem vai cicatrizando cada desgosto e contragosto, cada dor e dissabor. A esperança não é apenas uma virtude teologal, usada no exercício do bem ou na renúncia do mal. Junto disso, ela se apresenta como uma disposição pessoal no transformar de sonhos em realidade. Sonhos carregados de verdade: da nossa verdade mais profunda!

Que, partindo da Quaresma, possamos passar da estranheza à fraternidade, principalmente, pelo exercício da não violência. Tendo a missão evangelizadora como caminho, descobriremos que o nosso lar é um mundo sedento de Deus.  É no serviço que nos encontramos enquanto cristãos. Com o Pai estabelecemos uma devotada parceira, a ponto de vislumbrar que viemos para servir, especialmente aos mais abandonados. Eles podem estar aí do nosso lado, nesse exato momento, dividindo da mesma necessidade e precisando do mesmo pão. Boa Quaresma a todos!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente-fundador da Afipe

 

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