FAZER A VONTADE DO PAI ETERNO!
julho 16, 2010 on 10:04 am | In Sem categoria | Sem ComentáriosO segredo da santidade cristã está na realização da vontade Divina. Ela se efetiva na medida em que temos claro o objetivo da salvação, destinada a todas as pessoas. A vontade de Deus reafirma o caráter da nossa fé e concede testemunho às nossas obras. Dessa forma, somos inclinados a agir como Deus age, a amar como Ele ama, a perdoar da mesma maneira que Ele perdoa e a ser continuação redentora do Seu Evangelho no mundo.
Na vontade está a intenção, consciente e reflexiva, de realizar os sonhos de Deus. Vontade coagida não é vontade, pelo contrário, é alienação. Justamente por isso que o Pai, em sua infinita amabilidade, não nos manipula nem nos controla. A vontade Divina não nos transforma em marionetes e muito menos em fantoches de um desejo alheio. Falar da vontade do Pai Eterno é o mesmo que tomar conhecimento da nossa essência de ser e existir. Trata-se de um convite à plenitude da liberdade.
A vontade de Deus resgata a capacidade pessoal de agir em favor do bem. Muito aquém de intervencionismo, ela é suscitada no interior de cada coração. Assim, comparamos, discernimos, julgamos e escolhemos entre o certo e o errado. Pela vontade Divina o ser humano se assume e se realiza como filho de Deus.
Por ser sinal de maturidade ninguém consegue “resistir à vontade de Deus” (Rm 9,19). Por conseguinte, devemos nos ofertar, dia após dia, para que a nossa vida seja penhor de uma oferta contínua à vontade do Pai: “aqui me tendes, meu Deus, fazei de mim o que quiserdes” (Santa Teresa de Jesus). Eis uma entrega sincera quando conseguimos exclamar com fé: “Sou vosso, salvai-me!” (At 22,10). A pergunta existencial que deve impregnar nossa alma deve ser: “Senhor, que queres que eu faça?” (At 22,10). No final das contas, desembocaremos naquele caminho pelo qual nasce a descoberta de que “a vontade de Deus é a nossa santificação” (1Ts 4,3).
O pecado nos submete, escraviza e reprime; ao passo que a vontade Divina nos liberta na fé, nos emancipa no amor e nos cativa na esperança. Tal vontade está contida em um processo que exige da pessoa: o desejo, a finalidade, a escolha e por último, o desempenho. “Não devemos nos deixar levar pelo desânimo e arrastar fraquezas, sem fazer esforço algum para romper com o egoísmo e os pecados. Sem perder a coragem, o ânimo e a confiança em Deus, com humildade, paciência e firmeza, procura valer-te da oração e dos sacramentos, do Evangelho e da devoção a Nossa Senhora, prosseguindo a caminhada para o alto. Não percas tempo desejando coisas sublimes [...], o que interessa é a graça da oração, o amor de Deus e zelo pela salvação dos irmãos. E se não for do agrado de Deus levar-nos a tão sublime grau de perfeição e glória, tudo bem; o mais importante é o cumprimento de Sua vontade santa e santificadora” (Santo Afonso Maria de Ligório).
A vida é a escola pela qual somos educados no método da obediência libertadora! Nosso amor, por Deus, fica evidente quando fazemos o possível e o impossível para agradá-Lo! Não é isso que acontece com os enamorados? A paixão conduz por caminhos outrora desconhecidos e leva à realização de metas, antes impraticáveis. Com Deus não é diferente. A única coisa que muda é que a paixão assume as características da eternidade. Vale ressaltar que a vontade de Deus estabelece nossa aliança com o Sagrado e diviniza aquilo que foi desumanizado pelo mal cometido.
O que o Pai Eterno tem sonhado para mim e para você? Só seremos felizes quando desvendarmos esse questionamento! Como é bom sonhar os sonhos de Deus! Como é satisfatório contemplar, com olhos da fé, a salvação Divina acontecendo em nosso cotidiano. Na verdade, “o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, foi isso que Deus preparou para aqueles que o amam” (I Cor 2,9).
Fiéis à vontade do Pai Eterno, desejo a todos uma santa e abençoada Festa de Trindade! Neste itinerário, lembremos sempre do preceito que o próprio Jesus nos deixou no Evangelho: “Sed fiat voluntas tua”: mas faça-se a tua vontade!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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FAZER A VONTADE DE DEUS!
julho 4, 2010 on 10:01 am | In Sem categoria | Sem ComentáriosA espiritualidade cristã, fundamentada no altruísmo, tem a missão de unir a vontade humana com a vontade Divina. Por essa via, acontece o retorno à nossa origem existencial, quando não havia separação de vontades, mas unidade de anseios no amor. Antes de existirmos, potencialmente, éramos um com Deus e Ele era tudo em nós. De fato, “a lei divina entra na nossa vontade, a nossa vontade identifica-se com a sua, tornando-se uma única vontade, e assim estamos realmente livres, podemos verdadeiramente fazer o que queremos, porque queremos com Cristo, queremos na verdade e com a verdade” (Bento XVI).
Fomos nutridos no amor do Pai, sonhados individualmente e amados em elevada ternura. Portanto, todas as nossas atitudes deveriam ser consequência desse amor vital, quando consistíamos em ‘essência’ e não em ‘existência’. Infelizmente, o pecado fez com que perdêssemos o contato direto com a Sagrada voz da consciência. E assim, ficamos confusos na fé, pois era ela quem orientava para a execução da vontade de Deus em nós e por nós. O maior pecado, cometido pelo humano, será o fugir do amor e da vontade Divina que tudo faz pela nossa felicidade.
A fé é a testemunha perene de que nossos desejos mais profundos e nossas aspirações mais ocultas tornam-se consonantes a Deus, na medida em que nos abrimos ao Seu amor e nos deixamos conduzir por Ele. Nesse itinerário espiritual moldamos nossos comportamentos de acordo com o Evangelho, amorizamos nossa vivência, canalizamos nossas energias, enraizamos nossa vida na fraternidade e por fim, nos apresentamos como pessoas cativas às Sagradas Escrituras e aos Sacramentos.
Só seremos capazes de compreender a vontade Divina quando nos unirmos a Ela e passarmos a enxergar a vida sob a ótica de Deus. Não se trata de uma vontade tirana nem manipuladora. Pelo contrário, os desígnios do Pai são convites para a plenitude da liberdade humana. Ele quer filhos, não marionetes. Eis um tipo de vontade que se difere das outras ao não exigir uma submissão alienada, mas, sobretudo, uma adesão recíproca. A confiança mútua é o cordão umbilical que nos liga ao coração do Pai!
E aqui são de suma importância alguns questionamentos: temos a Deus, mas será que Deus nos tem? Onde está enraizado nosso pensamento, com seus afetos e emoções? Em que lugar está fundamentada a nossa vida? Na rocha da fé ou na areia da desesperança? Quem é a figura que vem ocupando o lugar primordial de Deus em nós? Estamos nos moldando à imagem e semelhança do Pai ou estamos querendo fazê-Lo à nossa imagem e semelhança? Será que a criatura almeja ocupar o lugar do Criador? Onde nos encontramos? Em Babel ou em Pentecostes? Há quanto tempo temos prolongado a vontade Divina, enfocando-a como irrealizável e impossível? Por que continuamos a antepor o advento do amor realizado pela vivência do agradar a Deus? Sem generalizações, as perguntas supracitadas acima necessitam de uma séria análise para evoluir em conversão.
A vontade de Deus solicita sabedoria e discernimento para ser aplicada com afinco. Não são nos grandes feitos que ela concretiza-se, todavia, no cotidiano. É pela vontade Divina que conhecemos o rosto do Pai Eterno que se doa a si mesmo, no amor. Por meio dela descobrimos que a “nossa vida não existe por acaso, não é ocasional. A minha vida é querida por Deus desde a eternidade. Eu sou amado, sou necessário. Deus tem um projeto comigo na totalidade da história; tem um projeto precisamente para mim. O amor eterno criou-me em profundidade e espera por mim” (Bento XVI).
Vale ainda ressaltar que a vontade Divina encontra-se junto à prática solícita do bem. O termômetro para sabermos se a estamos realizando é a ocorrência de atitudes benéficas em vista do Reino de Deus e dos irmãos! É assim que o dom do amor maior se consolida e a vida assume a dimensão de plenitude. Dessa forma, somos humanizados e nos tornamos pessoas mais redentoras! A vontade Divina é a forma pela qual permitimos que Deus continue existindo em nós! Falar da vontade do Pai é o mesmo que raciocinar sobre a nossa razão de ser e existir!
Que unidos a Jesus de Nazaré possamos exclamar: Pai, “não seja feita a minha vontade, mas a Tua” (Lc 22,42). Que a celebração, desses dez dias de romaria, nos conscientize sobre a real importância de integrar os sonhos de Deus aos nossos sonhos. Que não sejamos conhecidos só pelos nossos nomes, mas, principalmente, pelas nossa adesão contínua ao Evangelho! Que nossas obras deem testemunho de que somos filhos legítimos da vontade do Pai Eterno! Sejam muito bem-vindos à Festa de Trindade 2010!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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FILHOS NO PAI, IRMÃOS EM JESUS E SANTOS NO ESPÍRITO!
maio 4, 2010 on 3:49 pm | In Pe. Robson | 21 ComentáriosA santidade é consequência direta da fé em Deus. Aquele que se deixa tocar pela ação amorosa do Pai Eterno assume sua filiação divina, torna-se irmão em Jesus de Nazaré e, por ter as atitudes conduzidas pelo Espírito Santo, adquire a vida de santidade.
Contudo, ainda há aqueles que não compreenderam o genuíno sentido da santidade. Antes de estar vinculada no testemunho dos altares, a santidade se realizou no silêncio do cotidiano. Os santos foram pessoas que tiveram a existência pautada pelo Evangelho. Os milagres, as curas, as bilocações, os êxtases e as visões nunca foram prioridade na vida dos santos. Seus testemunhos sempre foram marcados pela humildade. A Igreja só os coloca nos altares, em forma de imagem, porque eles apontam Aquele que é o único caminho para o Pai: Jesus de Nazaré!
“Não a nós, Jávé, não a nós! Honra sim, o teu próprio nome, por teu amor e fidelidade. Porque diriam as nações: ‘Onde está o Deus deles?’ O nosso Deus está no céu, e faz tudo o que deseja. Os ídolos deles são prata e ouro, obras de mãos humanas: têm boca e não falam, têm olhos e não veem; têm ouvidos e não ouvem, têm nariz e não cheiram; têm mãos e não tocam, têm pés e não andam, sua garganta não tem voz. Aqueles que os fazem ficam como eles, todos aqueles que neles confiam!” (Sl 115,1-8).
Este texto surgiu dentro de uma cultura monoteísta, de tradição judaica, que confessava a fé em um único Deus e não no politeísmo, constituído por várias divindades, conhecidas na Bíblia pelo nome de Baal (Baalath, Baalin ou Balaoth). Por isso que, no Antigo Testamento haverá a proibição contínua em relação à confecção de imagens (Ex 24,4ss; Jz 6,25; I Rs 11,5-8; 16,31-33; Jr 19,4s; Ez 8,5ss; Os 11,2). Era uma forma de assegurar o culto à Javé e extirpar toda espécie de adoração a deuses estrangeiros que não faziam parte da fé de Israel.
Mesmo assim, a Bíblia ainda apresenta inúmeras passagens em que imagens foram utilizadas nas celebrações e nos Templos Hebraicos (Ex 32,1ss; Nm 21,8ss; Jz 8,26s; I Rs 12,28). Assim sendo, há uma contradição em que se afirma que na prática havia muitos cultos em Israel configurados como idolatria, enquanto outros eram expressões da mais genuína fé em Javé.
Vejamos bem que a Bíblia condena a idolatria, conferida a qualquer realidade, quando a depositamos no lugar de Deus. É uma visão mais ampla e não restritiva como afirma os protestantes pentecostais. Assim sendo, o dinheiro, os bens materiais, o poder e não só as imagens de pessoas e animais são configuradas como idolatria. De fato, as imagens têm olhos, mas não veem; têm ouvidos, mas não ouvem; têm boca, mas não falam. E quem foi que disse que as imagens veem, ouvem, falam ou caminham? Seria até mesmo ilógico ou demência psicológica cogitar tamanha indiscrepância. Na verdade, as imagens são expressões reais de pessoas que viveram a fé cristã até as últimas consequências. São exemplos que não adoramos e só veneramos, ou seja, reconhecemos a sua importância enquanto continuadores da missão de Cristo.
Não cultuamos as imagens, mas, sobretudo, àquilo que elas nos remetem: Deus! Nada mais que isso! Quando rezamos diante de Santa Terezinha, de Santo Antônio e de São Francisco não estamos venerando ao referido santo, todavia, ao Deus que aquele santo serviu e até mesmo ofereceu a vida.
Quando nos remetemos aos Santos estamos totalmente fundamentados no conceito de santidade pregado e defendido pela Bíblia. Nela, os santos (qadosh no hebraico e hagios no grego) significam o resultado final da ação de Deus que separa, escolhe e elege determinadas pessoas em contraposição ao mundo profano. O escolhido deve viver a santificação na vida como decorrência da escolha divina. E foi isso que aconteceu com os nossos santos e santas.
De acordo com a Bíblia, santo é o próprio Deus e tudo o que a Ele pertence (I Ts 4,3). Deste modo, são santos: o povo de Israel no Antigo Testamento, os cristãos do Novo Testamento, os colocados nos altares, os não reconhecidos pela Igreja e todos nós que configuramos a nossa vida no Cristo – Santo dos Santos!
Ser santo, não é algo distante de nós. E as imagens dos santos católicos querem nos dizer isto: “Tocamos a mão de Deus e Nele depositamos a nossa vida! Faça você o mesmo!”. Por fim, as imagens veneradas não são um culto em si mesmas, contudo, um meio que nos eleva até o consumador de toda a santidade: o Divino Pai Eterno!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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UMA CHAGA NO CORAÇÃO DA IGREJA!
abril 25, 2010 on 3:40 pm | In Pe. Robson | 1 ComentárioVivemos em uma sociedade ‘reprimida’ e, ao mesmo tempo, ‘erotizada’ em sua sexualidade. Ambas são realidades visíveis na formação da personalidade humana. O modo de viver a sexualidade confere a gênese futura de qualquer indivíduo. Trata-se de um processo que gera a individuação. Realidade, esta, capaz de ampliar ou de aprisionar a consciência.
A sexualidade determina a forma como a pessoa interage com o processo de socialização. São muitas as exigências sociais exercidas pela família e pela cultura. Ambas assumem o viés das instituições sociais que podem libertar para a superação, emancipar para a maturidade ou do contrário, fazer da sexualidade a grande inimiga do humano.
A repressão e a erotização possuem o poder de condicionar, manipular, alienar, infringir, somatizar e nos casos mais crônicos, gerar as enfermidades psíquicas.
Por repressão compreende-se o silêncio dos impulsos sexuais de forma intensa, visando anulá-los na essência. O método utilizado é o das interdições, centradas na vergonha e na culpa. Já a erotização se apresenta como a coisificação do desejo. Neste ponto, o dom da sexualidade é drasticamente reduzido ao extremo. Infelizmente, muitos se esquecem de que a pulsão sexual engloba todas as esferas da vida e está tão presente em nós, que é impossível dissociá-la de qualquer comportamento tido como humano.
A palavra “erotismo” é proveniente do grego transliterado em “erotikós” e refere-se ao abuso do sensual nas variáveis do vulgar. Assim, a sexualidade é confundida com prazer a todo e qualquer custo. E no prazer pelo prazer nasce o hedonismo. Já não há espaço para as prosaicas restrições ao sexo, pelo contrário, ele é vivenciado até a patologia da libido.
A sexualidade não deve ser perseguida. Devemos trazê-la para perto e não distanciá-la de nossa convivência subjetiva. É necessário entender sua linguagem e representações. Sexualidade é dom, não pecado; é prazer, não imoralidade; é potência, não maldição! Pelo fato de nos comportarmos como “seres de extremidade” sempre nos pautamos pela repressão ou pela erotização: dois limites que fazem a sexualidade tornar-se doente e débil.
Com muito respeito e com profunda reverência à fé, acredita-se que a vivência da sexualidade é um problema atual para Igreja. Muitas são as facções que titubeiam na busca da verdade. O que vale é adentrar no campo da “possibilidade” e não agir com determinismo na presente análise.
Os passados e sempre recentes casos de pedofilia demonstram a ausência de uma educação sexual orientada para a plenitude humana. O pedófilo possui um desvio na personalidade pelo fato de buscar prazer em um corpo não responsável por si. O corpo da criança ainda carece de autonomia pessoal. Ela não está preparada e muito menos formada para o sexo, por mais que haja desejos e impulsos sexuais. Uma coisa é tê-los, outra é exercê-los.
Sabemos que existem médicos, pastores, empresários, professores e pais pedófilos. Mas porque os padres ficam em tamanha evidência? Isso acontece pelo simbolismo que possuem e pela função social que exercem. O sacerdote não se confinou na sacristia, mas, sobretudo, assumiu a função de verbalizar a experiência do Sagrado. A sacralidade da missão sacerdotal é muito maior do que aquele que o carrega.
A erotização infantil é um crime contra a alma da Igreja e um delito para a fé dos católicos de todo o mundo. Por ter a missão de internalizar valores no coração dos fiéis o crime da pedofilia, causado por uma minoria irrisória dos clérigos, deixa os católicos boquiabertos e a mídia feroz pela carnificina da fé.
A sexualidade é a potência do amor de Deus agindo no humano. Quando reprimida e erotizada, a sexualidade deixa de ser graça divina e transforma-se em mercadoria. Não vale a pena estigmatizar os instintos sexuais, mas antes conviver com eles, dialogar com as pulsões e compreender que antes de ser dominada, a sexualidade precisa ser amada e integrada para não gerar vítimas. A pedofilia é um câncer que corrói o mandamento do amor!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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PÁSCOA: ESCOLA DA ORAÇÃO EM JESUS!
abril 15, 2010 on 2:50 pm | In Pe. Robson | 3 ComentáriosA oração é uma visita ao coração de Deus! Ela nos faz gastar a vida pela fé na medida em que assumimos o encontro com Cristo vivo! Pela oração, nos tornamos capazes de adentrar o mistério de Deus, em Jesus de Nazaré. Antes de ser um ato externo, a oração é propriamente uma realidade interna. Trata-se de uma prática subjetiva que nos conduz àquela objetividade fundamentada no Evangelho. A primeira função da oração é converter nossa consciência e só depois evangelizar nossas atitudes. Desta forma, a palavra e o comportamento tornam-se inseparáveis: um se condiciona como prática do outro.
Pela oração assumimos o mandato de comunicar às pessoas o cenário do Eterno e a manifestação do Sagrado no tempo. Eis um caminho de silêncio e de busca incessante pela face do Divino que se apresenta na solidão acompanhada do humano. No itinerário pessoal, Deus é o companheiro fiel que nos anima no sofrimento e nos fortalece nas dificuldades cotidianas.
Para conhecer a essência do Reino de Deus é necessário orar. Para amorizar a vida e perdoar o passado é de suma importância: orar! Para compreender as Sagradas Escrituras é imprescindível o estudo, todavia conhecimento sem oração não vale em nada. Só há entrega contínua à vontade de Deus pela oração! Em síntese, não existe Cristianismo sem um genuíno espírito que nos conduza à experiência com Deus na oração!
Teologicamente falando, poderíamos definir a oração como a prática de converter o “eu interior”. Uma experiência de “estar a sós” para que o Divino se torne humano e o humano de torne Divino, em um movimento contínuo da encarnação de um no outro, sem simbiose, mas na reciprocidade existencial de duas pessoas que se amam.
Nem tudo é oração e neste caminho há muitos equívocos. A oração não é norma, não é mesmice nas palavras, não é uniformidade de ritos, não é um mecanicismo legalista nem um reduto da Igreja, mas, sobretudo, uma experiência exclusiva com o sentido único da existência: DEUS! Orar é o nosso selo de qualidade. É o resgate da nossa cidadania divina e do nosso passaporte para o céu. É a linguagem da vida eterna!
Quando nos mantemos cativos à oração o Pai Eterno nos faz conhecer as mazelas da nossa alma! Deste então, passamos a nomear os aposentos do espírito até Deus e, por conseguinte, a mensagem Divina é impregnada ao coração.
Na essência da oração está a dedicação de oferecer-se a Deus sempre e em todo lugar. Viver uma vida de oblação! A oração é enfatizada continuamente como hálito da alma e experiência fundamental para o reconhecimento da necessidade que temos de Deus. Assim, o enfoque principal está na vivência do Evangelho que precisa ser gestado no interior da pessoa humana. Vivenciada interiormente a mensagem de Jesus torna-se manifestação de Deus no mundo.
Neste tempo, no qual celebramos a ressurreição de Jesus, somos motivados a ressuscitar em nós tudo aquilo que foi morto pelo pecado. Isso só é possível orando! Diante do Pai Eterno precisamos ser espontâneos, sinceros e abertos. Não devemos ter medo e muito menos fugir Daquele que faz tudo pela nossa felicidade. Busquemos Deus e nos encontraremos. Banhados pelo amor também conheceremos nossas feridas. Machucados da alma só são curados com o bálsamo da oração.
A oração é o compêndio maior da fé, pois por ela somos capacitados ao exercício de uma vida transformada por Cristo e continuada no Evangelho cotidiano. Não nos esqueçamos que só existe qualidade de vida e a saúde para alma quando reconhecemos a necessidade de orar sempre!
Uma feliz e santa Páscoa!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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FORTES EM DEUS!
março 30, 2010 on 4:07 pm | In Pe. Robson | 6 Comentários
Ao longo de nossa peregrinação terrestre, muitas são as adversidades, temporárias ou contínuas, que nos arroubam o sentido da existência. Não é de se estranhar a angústia profunda e a desolação que demonstramos quando a vida assume o viés crítico das dificuldades. Às vezes, o cotidiano torna-se doloroso ao extremo, sendo capaz de minimizar todas as nossas potencialidades. Focamos no problema e nos esquecemos da solução. Ficamos fracos na fé, confusos na mente, perdidos no coração, doentes na alma e desesperançados quanto ao futuro.
Nos casos mais extremos, a vida vai adquirindo características de crueldade, ao passo que alguns chegam a compará-la com uma selva. Outros, afirmam ainda, que no sistema selvagem só sobrevivem os mais fortes. Mas onde buscar forças diante de problemas tão graves? Como recuperar o equilíbrio depois de tantos surtos? Quais os meios concretos para superar um grande trauma do passado? Como resolver problemas sem nos deixar sucumbir por eles? Tratam-se de perguntas existenciais que nos remetem ao fundamento de nossa fé: o rosto amoroso do Divino Pai Eterno! Ele nos ensina que a vida é um desafio em longo prazo!
Estudos recentes já evidenciam que problemas, ocasionados pelo medo e a ansiedade, alimentam vários tipos de fobia. Inclusive a tão difundida síndrome do pânico. Há tempos que a raiva acumulada está associada às doenças cardíacas e aos derrames cerebrais. Até mesmo a falta do perdão tem gerado incontáveis casos cancerígenos. Por trás de algumas doenças encontram-se sérios sintomas de quem não conseguiu superar obstáculos porque não acreditou em si e também não teve fé. A própria ciência moderna reconhece a importância da fé para suplantar-se após fatos traumáticos da vida.
A capacidade cristã de superação e adaptação a situações emblemáticas está vinculada à esperança. Por meio dela, tornamo-nos aptos em ultrapassar a realidade que nos cerca. Sem esperança não há espaço para a fé agir e desta forma, as dificuldades transformam-se em doenças afetivas e emocionais. Deter-se nas dificuldades não gera resultados positivos, pelo contrário, a fórmula matemática do problema exige uma solução satisfatória ou pelo o menos qualitativa.
Assim sendo, não podemos nos esquecer de que em Deus saímos do negativo para adentrar ao positivo. Tornamos-nos felizes e realizados. Damos ênfase nas forças interiores e não nas fraquezas da alma. Utilizando uma linguagem figurada, digo que passamos a olhar para o infortúnio com os Olhos Divinos. Sem sombra de dúvida, a espiritualidade nos faz passar da enfermidade à saúde, da incerteza à fé, da hesitação à confiança e à persistência! No coração de Deus encontramos o bem estar, o contentamento e a esperança que configuram o sentido para a vida. A plenitude acontece quando esse sentido é encontrado. “Na verdade, ninguém ama sem sentido, ninguém espera sem sentido, mas antes porque existe uma razão para amar e esperar. Por outro lado, quem ama e espera, contribui para a busca e o encontro do sentido” (Patrícia Nunes). Em Deus, a vida não é vista como “morte adiada”, mas, sobretudo, como “plenitude alcançada” daqui para a eternidade! Nele resgatamos nossa capacidade de contínua evolução! Deus nos ensina a amar-nos de verdade:
“Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é… Autenticidade. Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de… Amadurecimento. Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes. Hoje descobri a… Humildade. Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é… Plenitude. Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada” (Charles Chaplin).
Tudo isso é isso é ser forte em Deus, nosso único fundamento!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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O POÇO E A PEDRA
janeiro 29, 2010 on 12:53 pm | In Geral | 8 Comentários
“Um monge peregrino caminhava por uma estrada quando, do meio da relva alta, surgiu um homem jovem de grande estatura e com olhos muito tristes. Assustado com aquele aparecimento inesperado, o monge parou e perguntou se poderia fazer algo por ele. O homem abaixou os olhos e murmurou envergonhado:
“Sou um criminoso, um ladrão. Perdi o afeto de meus pais e dos meus amigos. Como quem afunda na lama, tenho praticado crime após crime. Tenho medo do futuro e não sinto sossego por nenhum instante. Vejo que o senhor é um monge, livre-me então desse sofrimento, dessa angústia!”- pediu ajoelhando-se.
O monge, que ouvira tudo em silêncio, fitou os olhos daquele homem e alguns instantes depois disse:
“Estou com muita sede. Há alguma fonte por aqui?”
Com expressão de surpresa pela repentina pergunta, o jovem respondeu:
“Sim, há um poço logo ali, porém nele não há roldana, nem balde. Tenho aqui, no entanto, uma corda que posso amarrar na sua cintura e descê-lo para dentro do poço. O senhor poderá tomar água até se saciar. Quando estiver satisfeito, avise-me que eu o puxarei para cima.”
O monge sorrindo aceitou a idéia e logo em seguida encontrava-se dentro do poço. Pouco depois, veio a voz do monge:
“Pode puxar!”
O homem deu um puxão na corda empregando grande força, mas nada do monge subir. Era estranho, pois parecia que a corda estava mais pesada agora do que no início. Depois de inúteis tentativas para fazer com que o monge subisse, o homem esticou o pescoço pela borda, observou a semi-escuridão do interior do poço para ver o que se passava lá no fundo. Qual não foi sua surpresa ao ver o monge firmemente agarrado a uma grande pedra que havia na lateral.
Por um momento ficou mudo de espanto, para logo em seguida gritar zangado:
“Hei, que é isso? O que faz o senhor aí? Pare já com essa brincadeira boba! Está escurecendo, logo será noite. Vamos, largue essa rocha para que eu possa içá-lo.”
De lá de dentro, o monge pediu calma ao rapaz, explicando:
“Você é grande e forte, mas mesmo com toda essa força não consegue me puxar se eu ficar assim agarrado a esta pedra. É exatamente isso que está acontecendo com você. Você se considera um criminoso, um ladrão, uma pessoa que não merece o amor e o afeto de ninguém. Encontra-se firmemente agarrado a essas idéias. Desse jeito, mesmo que eu ou qualquer outra pessoa faça grande esforço para reerguê-lo, não vai adiantar nada.”
“Tudo depende de você. Somente você pode resolver se vai continuar agarrado ou se vai se soltar. Se quer realmente mudar, é necessário que se desprenda dessas idéias negativas que o vêm mantendo no fundo do poço. Desprenda-se e liberte-se.”
A escuridão nada mais é do que a falta de luz, assim como o mal é a ausência do bem. Quando pensamentos negativos turvarem nossa mente, nossa razão, ocultando nossos melhores sentimentos, busquemos a luz da verdade e o caminho do bem. Abandonemos as pedras da ignorância e do medo que nos mantêm prisioneiros de nossas próprias imperfeições, nos poços do egoísmo e do orgulho. ”
Autor desconhecido
Discurso do Pe. Robson no Gente que é Notícia, em Barretos
dezembro 30, 2009 on 4:13 pm | In Geral | 5 ComentáriosNo dia 27 deste mês, o reitor do Santuário Basílica, Pe. Robson de Oliveira, foi o paraninfo do qüinquagésimo Gente que é Notícia, em Barretos (SP). Na noite em que 10 personalidades foram homenageadas pelas ações que desenvolveram ao longo de 2009, Pe. Robson fez um discurso que destacou a importância de se fazer o bem e amar o próximo, independente de quem seja. Confira a íntegra do discurso:
Nesta noite aqui em Barretos, desejo externar a todos os presentes a alegria de ter sido convidado para ser o paraninfo desta qüinquagésima edição do Gente que é Notícia. Para isso, eu poderia iniciar este meu breve pronunciamento de várias formas: poderia, por exemplo, exaltar a importância do evento e dizer o quanto me sinto honrado em estar aqui; poderia também apontar as principais qualidades de cada um dos homenageados e dizer como é bom participar deste momento com tanta gente significativa e importante; e como sacerdote que sou, poderia também iniciar com uma breve reflexão bíblica e, em seguida, promover um profundo momento de oração. Mas apesar de todas essas formas de se iniciar este momento serem interessantes e marcantes, não quero começar com nenhuma delas, porque, na minha concepção, o que nos une aqui não é o evento, não é o individual e, mesmo sendo uma ação profunda do Pai Eterno em nossas vidas, também não é o intuito de oração que nos trouxeram aqui.
Começo, portanto, lembrando que só estamos reunidos nesta noite porque nossas atitudes fizeram com que estivéssemos aqui. É o bem que fizemos e são as ações profícuas que desempenhamos ao longo dos anos que possibilitaram a presença de todos que estão aqui nesta noite festiva. Ao longo da vida, cada pessoa presente e, principalmente, os homenageados poderiam ter seguido diversos rumos, que não os que estão fazendo da nossa presença motivo de alegria e comemoração. Não sou adepto da tese maniqueísta e dualística de que o mundo está dividido, puro e simplesmente, entre o bem e o mal; mas sou adepto da concepção de que nossas atitudes plantam o que colheremos no dia seguinte. Se fazemos o bem, teremos o bem; mas se plantamos o mal, colheremos o mal.
E é exatamente neste ponto que se inicia um grande questionamento. Como fazer para plantar somente o bem, em um mundo repleto de injustiças e impregnado de valores negativos? Como seguir o caminho da solidariedade e do amor, seja qual for o ramo que atuamos, se estamos em um mundo que valoriza muito mais a esperteza do que a humildade? Como dizer ao próximo o quanto você o ama se em muitos casos o próximo só finge que te ama? Vivemos num mundo em que o “EU” se sobrepõe a tudo: se sobrepõe ao “TU”, se sobrepõe ao “ELE”, se sobrepõe ao “NÓS” e, pasmem, quer se sobrepor até a Deus… Vivemos num mundo que, infelizmente, está impregnado de rancor, de egoísmo e de inveja. Muitos poderosos cheios de vaidades querem sempre ter mais e mais poderes, e não um poder para a prática do bem, mas um poder nocivo que não leva nada a lugar nenhum.
Ao desabafar desta maneira, lembro-me de um sermão de padre Antônio Vieira que, em 1654, na cidade de São Luís do Maranhão, já questionava a briga do poder pelo poder no Brasil colônia. Padre Antônio Vieira, ao proferir o “Sermão de Santo Antônio aos Peixes”, ironizou os seres humanos comparando-os aos peixes. Ou melhor: comparou os peixes aos seres humanos.
Com algumas adaptações literárias feitas para este momento, faço minhas as palavras do padre, símbolo do Barroco: “A primeira coisa que me desedifica, de vós, peixes, é que vos devorais uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos devorais uns aos outros, senão que os grandes devoram os pequenos. Se fora pelo contrário seria menos mal. Se os pequenos devorassem os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes devoram os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil para um só grande [...] Os homens, com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que devoram uns aos outros. Tão alheia coisa é, não só da razão, mas da mesma natureza que sendo todos criados no mesmo elemento, todos cidadãos da mesma pátria, e todos finalmente irmãos, viveis de vos devorar. Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes; e eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é, quero que o vejais nos homens [...]”.
E ainda continua Padre Antônio Vieira: “Parece-vos bem isto, peixes? Representa-se-me que com o movimento das cabeças estais todos dizendo que não, e com olhardes uns para os outros, vos estais admirando e pasmando de que entre os homens haja tal injustiça e maldade! Pois isto mesmo é o que vós fazeis. Os maiores devorais os pequenos; e os muito grandes não só os devoram um por um, senão os cardumes inteiros, e isto continuamente sem diferença de tempos, não só de dia, senão também de noite, às claras e às escuras, como também fazem os homens”.
Depois de ter contemplado estas profundas palavras de Padre Antônio Vieira, refaço uma pergunta feita há pouco: Como fazer para plantar somente o bem, em um mundo repleto de injustiças e impregnado de valores negativos? Acredito que muitos de vocês tenham a resposta. Mas eu enfatizo uma que acho de extrema importância: devemos nos motivar a fazer pequenas e grandes coisas para agradar ao Pai Eterno, que é o nosso Deus Onipotente. Se agradamos ao Pai Eterno, estamos no caminho estreito e difícil, mas estamos no caminho certo.
Dito isso, acredito que devo entrar naquelas nuances que poderiam ter sido o início do meu pronunciamento, mas que não foram. Em primeiro está este evento. Quando recebi o convite, busquei o mais rápido possível me informar com exatidão sobre o que seria o “Gente que é Notícia”: quais seriam os critérios e como eram escolhidos os homenageados. Descobri que, além de terem prestado bons serviços a sociedade, os homenageados deveriam ter tido condutas baseadas no respeito e na valorização do ser humano. E é exatamente por isso que tal evento já tem tantos anos de existência e é tão respeitado.
E por essa magnitude, digo que me sinto honrado em ser o paraninfo do “Gente que é Notícia” deste ano, e, obviamente, aproveito para agradecer esta pessoa tão especial que me convidou para estar aqui nesta noite. E quando o chamo de especial é porque eu poderia identificá-lo de várias formas. Ao longo da vida, por exemplo, ele assumiu diversas funções e tem um vasto currículo. Mas não posso resumi-lo aos cargos que ocupou. Poderia, então, anunciá-lo como empreendedor nato, como uma pessoa hiper respeitada e também respeitosa, como católico convicto ou até como evangelizador por fé e vocação.
Com ousadia e com o apoio da Igreja, ele foi o responsável por fazer com que a Rede Vida de Televisão se tornasse o principal veículo de comunicação católico do nosso País, quiçá até mundo, vez que o Brasil é a nação com mais habitantes católicos do planeta. Por essas razões e outras, prefiro chamá-lo de especial, porque somente as pessoas pelas quais temos um carinho distinto; é que consideramos especiais.
Dr. João Monteiro Barros Filho, muito obrigado ao senhor e à sua família por me ter feito este convite, e muito obrigado também por fazer de nosso país uma nação de mais fé, com o cultivo dos valores cristãos e, principalmente, com a presença Dele, o nosso Querido Pai Eterno, que é o princípio e o fim; o Alfa e Omega; de onde tudo vem e para onde tudo vai. Parabéns por tudo que tem realizado ao longo da vida e mais uma vez: obrigado!
Então, depois de conhecer mais sobre o evento, fui me informar melhor sobre cada um de vocês que está sendo homenageado. Tive outras gratas alegrias:
• O promotor de justiça Aluísio Antônio Maciel Neto recebeu destaque pelo combate permanente contra o nepotismo e a corrupção. Além de ser um exímio combatente do crime organizado, principalmente contra o tráfico de drogas;
• Cuiabano Lima é narrador de rodeio, mas em vez de usar somente suas técnicas de narração como qualquer outro locutor, procura sempre despertar em quem está assistindo às apresentações os aspectos de valorização humana, autoestima e fé;
• O reitor do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos, Álvaro Fernandez Gomes, é homenageado porque instituiu a transparência na instituição que comanda e ainda possibilitou o ingresso no ensino de nível superior de milhares de jovens e também adultos e idosos;
• O empresário Eduardo Ferreira Leite é um dos principais responsáveis pelo fortalecimento da rede hoteleira em Barretos, ajudando o município a se desenvolver em aspectos econômicos, turísticos e culturais;
• Giovane Barroti, empresário, professor universitário, pesquisador e citricultor, é um dos grandes responsáveis pelo setor de alimentação não só em Barretos, mas em todo o Brasil. A produção de alimentos que abastece a mesa de milhares de brasileiros é de extrema necessidade, ainda mais quando o trabalhador, aquele que sustenta qualquer empresa, é valorizado, como é afamado o tratamento feito aos seus funcionários;
• O empresário Guilherme Marconi, além de ser um dos grandes incentivadores de ações culturais em Barretos, se destaca no fortalecimento de ações filantrópicas que tem como objetivo a inclusão social, tão importante nos dias de hoje;
• O ginecologista e obstetra, o dr. Hussein Gemha Taha já fez mais de 3 mil partos ao longo de sua carreira. Dentre suas principais qualidades estão não somente o atendimento ao paciente, mas uma relação de confiança entre médico e paciente que objetiva a valorização da vida;
• A enfermeira Jussara de Angelis Colli, que há 18 anos atua na secretaria municipal de saúde, tem como foco principal a saúde, e não a doença. Ajudar com que outras pessoas se sintam com mais dignidade em momentos de sofrimento e angústia é extremamente significativo;
• O engenheiro civil, Kelly de Almeida Leme, especializou-se na execução de obras, tanto comerciais, residenciais ou industriais. Em muitos lugares da cidade existem um pouquinho de seu trabalho. Além de ter ajudado no crescimento arquitetônico de Barretos, ele se destaca ainda na valorização das pessoas com quem trabalha;
• E a presidente da Associação de Voluntários da Cidade de Barretos, Regina Almeida Barros de Freitas, é destaque no apoio a pessoas necessitadas. Os serviços de voluntários da associação a que pertence são importantíssimos para a construção de um mundo melhor para se viver.
Como vimos, todos merecem estar aqui. E não foram o poder, o dinheiro ou o prestígio que fizeram com que estivessem aqui, mas foram, sim, as atitudes de cada um. Todos estes homenageados merecem não somente as minhas palmas, mas a de todos os presentes.
Agora, para encerrar, termino com o que há de melhor. Salvo algumas exceções, vocês já observaram que quando paramos para almoçar ou jantar, sempre deixamos a parte melhor no canto do prato para que seja degustado com mais prazer; para que o gosto bom premie a delícia da refeição.
Aqui também faço isso. São com as palavras da primeira epístola de São Paulo aos Coríntios que encerro este pronunciamento. Estas palavras são para mim, mesmo sem vocês homenageados terem consciência disso, o que motivou cada atitude profícua que vocês tiveram, não somente neste ano de 2009, mas durante toda a vida.
Dizia o apóstolo Paulo: “Ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. Ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.
E aqui eu peço a todos: Amem! Amem não somente quem nós amamos naturalmente; mas amem até mesmo, e principalmente, quem não conhecemos. Amem, em qualquer lugar que estejamos, em tudo o que fazemos, as pessoas que necessitam de nosso amor.
Muito obrigado e parabéns a todos!
ALGUÉM PRECISA DE VOCÊ
dezembro 12, 2009 on 11:43 am | In Geral | 8 Comentários
Você já se sentiu alguma vez como um zero à esquerda, ou seja, sem valor algum? Você pode responder que não, mas outras tantas pessoas já tiveram o seu dia de baixa auto-estima. São aqueles dias em que a gente olha ao redor e não consegue ver nada em que possamos ser úteis. No entanto, e por essas mesmas razões, há sempre alguém que precisa de você.
Há pessoas caladas que precisam de alguém para conversar.
Há pessoas tristes que precisam de alguém que as conforte.
Há pessoas tímidas que precisam de alguém que as ajude vencer a timidez.
Há pessoas sozinhas que precisam de alguém para conversar.
Há pessoas com medo que precisam de alguém para lhes dar a mão.
Há pessoas fortes, mas que precisam de alguém que as faça pensar na melhor maneira de usar a sua força.
Há pessoas habilidosas que precisam que alguém as ajude a descobrir a melhor maneira de usar sua habilidade.
Há pessoas que julgam não saber fazer nada e que precisam de alguém que as ajude a descobrir o quanto podem fazer.
Há pessoas apressadas que precisam de alguém que lhes mostre tudo o que não têm tempo para ver.
Há pessoas impulsivas que precisam de alguém que as ajude a não magoar os outros.
Há pessoas que se sentem perdidas e precisam de alguém que lhes mostre o caminho.
Há pessoas que se julgam sem importância alguma e precisam de alguém que as ajude a descobrir como são valiosas.
E você, que muitas vezes pensa não ter nenhuma utilidade, pode ser justamente a pessoa que alguém está precisando agora… É claro que você não precisa, nem pode ser a solução para todos os problemas, mas faça o melhor ao seu alcance.
Se não puder ser uma árvore frondosa no topo da colina, seja um arbusto no vale; mas seja o melhor arbusto do vale.
Se não puder ser um arbusto, seja um ramo; mas seja o ramo mais exuberante a enfeitar a paisagem.
E se não puder ser um ramo, seja um pequeno tapete de relva para dar alegria a algum caminhante…
Se deseja ser um lindo ramalhete de flores perfumadas, e não consegue, seja uma singela flor silvestre; mas seja a mais bela.
E nesse esforço de ser útil a alguém que precisa de você, irá cada vez se tornando mais forte e mais confiante. E todos as alegrias que espalhar pelo caminho serão as mesmas alegrias que encontrará na própria estrada.
Por mais difícil que esteja a situação, nunca deixe de lembrar que alguém precisa de você. E o mais importante: você pode ajudar alguém.
A Terra é uma grande escola, onde o Criador nos matriculou para que aprendamos a ser felizes. A grande maioria das pessoas que habita este planeta não é completamente feliz. Somos todos caminheiros da estrada chamada evolução, e, num momento ou noutro, pode ser que precisemos de alguém. Assim sendo, como sempre estamos rodeados de pessoas, é importante que você fique alerta, pois ao seu lado pode estar alguém que precise de você, neste exato momento.
Autor desconhecido
S O L I D Ã O
novembro 9, 2009 on 10:08 am | In Geral | 10 Comentários
“Era uma vez uma palmeira solitária.
Dormia só,
brincava só,
ria só,
rezava só.
Um dia o vento descobriu que poderia acariciá-la e foi então que ele passou a visitá-la todos os dias.
E a palmeira solitária começou então a dormir com o vento,
brincar com o vento,
rir com o vento,
rezar com o vento.
Mas um dia, o vento deixou de vir.
E todos julgaram que a palmeira morreria de solidão.
Mas isso não aconteceu.
Durante o tempo que o vento esteve ausente, a palmeira solitária continuou:
dormindo com o vento,
brincando com o vento,
rindo com o vento,
rezando com o vento.
E foi então que se revelou que a solidão só existe…
quando não mais existe a esperança de começar outra vez…”
Letícia Thompson
Pai Eterno
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