Retribua o amor do Pai

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O amor transforma corações e dá sentido à existência humana. Quando compreendemos o outro e o sentido de nossas vidas, nos tornamos mais sensíveis e nos humanizamos. Passamos a ir ao encontro de Deus, no serviço ao mais próximo, livre de interesses e obrigações, tendo como motivação principal o amor. Quando nos colocamos no lugar do nosso irmão, entendendo suas necessidades, encontramos o melhor caminho para nos tornarmos mais humanos e verdadeiramente filhos e filhas do Divino Pai Eterno.

No Senhor, contemplamos o fundamento do nosso ser. Ele nos ama, nos salva e nos cria no amor. Na sua essência divina, nos envolve por Sua bondade e misericórdia. Eis um Deus que não impõe condições para amar. E é esse amor misericordioso e incondicional, sem limites ou restrições, que nos prova que fomos criados para também amar o próximo. E, assim, em Deus, confirmamos a nossa identidade de irmãos e filhos, gerados no amor.

“Meu alimento é fazer a vontade Daquele que me enviou e realizar a Sua obra” (Jo 4,34). Essa é expressão de tudo que devemos buscar, na alegria de servir ao Pai e fazer Sua vontade, retribuindo e sendo instrumentos do Seu amor. Foi Ele quem nos amou primeiro e nos enviou seu Filho Jesus, para nos dar sua Palavra e nos ensinar o caminho da salvação.

Por causa de tanto amor é que devemos buscar amar nossos semelhantes e fazer o bem a todos da melhor maneira que pudermos: Caríssimos, se Deus assim nos amou, também nós nos devemos amar uns aos outros” (I Jo 4,11). Retribuir o amor do Pai é demonstrar gratidão por tudo que Ele tem feito por nós. A fé e as nossas boas ações nos dignificam como filhos do Pai e irmãos em Cristo.

Então, estamos sendo leais à Sua missão? Se quisermos ser fiéis ao Evangelho, devemos existir para as pessoas, conhecidas ou não, da mesma forma que Jesus existiu e por elas deu a vida. Alguns podem se perguntar: o que a gente ganha com isso? Contribuímos com amor, paz, tranquilidade e esperança, aprendendo também com esses valores ao retribuir aquilo que o Senhor fez por nós. Desta vida, só vamos levar o bem que tivermos realizado, o amor que demonstrarmos pelos outros e o Evangelho que nos esforçarmos por pregar e viver.

Assim, em uma das maneiras de fazer o bem, reforçamos nossa comunhão de amor, que abraça cada vez mais irmãos, por meio da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe). Através dessa família, devotos têm ajudado a colocar em prática os ensinamentos de Jesus e a levar a Palavra do Pai, com ações concretas a muitos corações. Para nós, fé e união são verdadeiros motivadores para continuarmos no propósito desta caminhada de doação e entrega a Deus.

Evangelizamos na oração, mas também através de gestos reais do dia a dia, permitindo a existência dos ensinamentos do Redentor em nossas atitudes. Corresponder às bênçãos que recebemos diariamente é fazer, mesmo que na pequena boa ação, seja ela qual for, o Evangelho acontecer em nosso meio, no mundo de hoje. Somos evangelizados pelo amor e devemos nos tornar evangelizadores e construtores das Obras Divinas.

Pe. Robson de Oliveira
Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás
Presidente Fundador da Afipe

É tudo uma questão de fundamento!

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Em alguns, não em todos os cenários sociais, é possível constatar certo ar de superficialidade, às vezes, inserido em ambientes vazios e banais. Ali as pessoas são apresentadas de acordo com os interesses que regem um determinado grupo. Valem somente pelos atributos pessoais e financeiros que possuem. Outras são tratadas de modo dispensável, como se fossem objetos ou pior ainda, como coisas! Sem sentimentos, sem história, sem valor. Ao invés de serem reconhecidas como ‘eu’, passam a ser enfocadas como ‘isso’. O importante é o momento. Faz-se o que dá vontade a todo e qualquer custo. Para estes, os sonhos estão distantes e os projetos são somente para o futuro. Planejamento, metas e objetivos claros são coisas de pessoas retrógadas e caretas. Fundamentos para quê?

Nos demais contextos também há a possibilidade de encontrar não poucos indivíduos que possuem convicções firmes e coerentes. Não são absolutistas, mas seguros de si. Creem e buscam algo maior que eles. Não se encontram centrados em suas picuinhas pes- soais. Pelo contrário, são capazes de visitar suas consciências, para perceber os caminhos que não condizem com as suas escolhas. Há uma espécie de tratado firmado entre aquilo que acreditam e o que praticam. Estes são imbu- ídos por aspirações que indicam um norte para suas existências. Na verdade, há um fundamento que os orienta, norteia, elucida e os esclarece. Suas pretensões são alicerçadas sobre a rocha e não na areia (Cf. Mt 7,24-27).

Hoje se fala muito sobre liberdade. Nada mais justo! Mas, qual seria o fundamento desta tão defendida liberdade? Esquece-se que ela só é plena quando vincu- lada ao amor. Sem o movimento do amor, a liberdade se transfor- ma em egoísmo. Ao assumirmos a postura de egoístas nos tornamos como que buracos-negros: suga- mos a força das pessoas, a ponto de elas saírem mal de nossa pre- sença; absorvemos tudo a nossa volta e não fazemos a síntese de nada concreto; queremos tudo, única e exclusivamente, para nós; tornamo-nos infantis e esperne- amos todas as vezes que nossas vontades infantis não são atendi- das. Somos servidos, quando de- veríamos servir, falamos quando deveríamos nos calar e nos esvaziamos quando deveríamos pre- encher as lacunas de nossa existência.

Ah! Como seríamos mais re- solvidos se tomássemos consci- ência do fundamento que rege a nossa vida. Precisamos fazer, com frequência, a viagem ao interior de nossa alma, para descobrirmos o que tem sido depositado no altar do nosso coração. Ali será desvendado para quem temos prestado culto, oferecido incenso e adorado como senhor. É perigoso expressar o que vou escrever agora, mas a coerência me leva a redigir que: nem sempre é Deus que se encontra na essência de nossas ações. Ainda há muitos ídolos, em forma de vantagens, que precisam ser destronados e colocados à par- te, deixados de lado.

O mais agravante é quando nos fazemos ídolos de nós mesmos. Colocamo-nos em um pedestal e, a partir de então, nos conferimos o direito de ‘senhores da história’, até mesmo da história alheia. Os títulos, as condecorações, os prê- mios e as conquistas devem ser acolhidos e validados de acordo com o seu grau de importância. Porém não podem se tornar o fundamento de uma vida. Somos muito mais que isso!

Devemos sim ter a rédea de nossa existência nas mãos, mas sem nos esquecer d’Aquele em quem depositamos nossa espe- rança (Cf. Jr 14,22). Enganam-se aqueles que fundamentam sua es- perança no dinheiro, nas riquezas e em pessoas, cargos ou funções. Por mais segurança que possam nos conceder tais realidades não nos conferem plenitude, porque são passageiras. Por mais que alguns não reconheçam, temos fome e sede do que é eterno: te- mos necessidade Daquilo que não passa! Contudo, ainda possuímos a insistente teimosia em buscar outros fundamentos que não nos saciam, pelo contrário, só nos es- vaziam.

No tempo da Quaresma, tão propício para uma verdadeira conversão nas atitudes e reconci- liação com a Igreja, ferida, muitas vezes, pelos nossos pecados; faz bem orar com o desejo de revisar o fundamento que conduz nossa existência: “Dá-me, Pai, ser livre como teu Filho, Jesus, o Homem livre por excelência. Lendo os Evangelhos, respiro um clima de liberdade e confronto-me com um Homem livre, livre diante dos homens, diante das ideologias reinantes, dos grupos de pressão… Livre perante a sua vida e a sua morte. Onde encontrar a raiz dessa liberdade pura? Creio, Pai, que essa raiz és tu. Jesus foi livre porque te encontrou, acolheu o teu amor, sintonizou o seu que- rer com o teu querer, não teve ne- nhum ídolo. Ele é o caminho. Que eu possa segui-lo para ser livre e amar como ele amou” (José Antô- nio de Oliveira, SJ).

Que o dom da fé não nos dei- xe perder o foco de nossas ações, exercidas pelo amor, em prol da esperança. Tenhamos a clareza de nossas escolhas fundamentais e não perderemos nossa liberdade. Saibamos que mais vale ser ínte- gro, do que ser vendido por reali- dades vãs, que só nos fazem sofrer e perder o sentido da vida.

Na Quaresma, ‘não pratique- mos a oração, a esmola e o jejum por obrigação’, mas, sobretudo, para descobrirmos quem tem fun- damentado nossa vida: o Deus de Jesus, chamado ‘Pai Eterno’ ou outras realidades, pessoas e situ- ações que colocamos como divin- dades? Uma abençoada Quaresma a todos, baseada em um sincero retorno ao Grande Fundamento de nossa fé!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente Fundador da Afipe

“E, Deus viu que tudo era bom”

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Ao tratar da origem do universo e da humanidade, o livro do Gênesis diz que o Pai Eterno criou o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança no amor. Além disso, diz a literatura bíblica, que Deus concedeu à pessoa humana o livre arbítrio – capacidade de criar, agir, decidir – e o direito de dominar os peixes, as aves e os animais domésticos, as feras dos campos e os répteis que rastejam sobre a terra (cf. Gn 1,26-29). Esta realidade bíblica confere ao ser humano um lugar privilegiado no plano salvífico de Deus, de destaque frente ao restante da Criação.

Isso significa dizer que podemos tudo? Que seja feita “nossa vontade”, aqui na terra como no céu? Vamos percorrer um rápido itinerário juntos – porque juntos pensamos melhor e chegamos mais longe – com o objetivo de analisar nossas atitudes e ações frente a tão grande dádiva divina. E, com isso verificar se elas não são filhas de um grave equívoco interpretativo da vontade e do sonho de Deus para a humanidade e para as maravilhas que Ele mesmo criou.

Constitutivamente somos seres sociais, relacionais. Nos relacionamos conosco mesmos, com o mundo em que vivemos, com as pessoas e com o próprio Deus. Todo relacionamento humano é agressivo e invasivo por natureza. O espaço do outro(a) é alterado, modificado com a minha presença. Exagero ou não, há quem diga que a morte de um é sobrevivência de outro. Outrossim, faz-se necessário pensar que desembarcamos neste mundo não como máquinas vorazes. Daquelas do tipo que destroem tudo o que encontram pela frente. Uma máquina para silagem, por exemplo.

Com uma demanda cada vez maior por alimentos, produtos e serviços, o que era para ser o paraíso pensado por Deus – a natureza – está se convertendo em um grande deserto sem vida, árido, com calor escaldante durante o dia e frio intenso durante a noite. Presenciam-se atualmente, grandes catástrofes naturais tais como furacões, tsunamis, avalanches, tornados, abalos sísmicos (terremotos e maremotos). Além de grandes precipitações chuvosas com ventanias, raios e tempestades.

Aparentemente, como o próprio nome sugere, são fenômenos que ocorrem independentemente da ação do homem e da mulher. Acontece que os efeitos de nossas ações afetam e contribuem para o aceleramento, bem como para o agravamento e aumento da intensidade desses fenômenos. Com isso, tem-se registrado ano após ano, temperaturas climáticas cada vez mais elevadas que favorecem inundações frequentes em algumas regiões do globo terrestre e secas prolongadas em outras. Dado que afeta, principalmente o abastecimento de água para os grandes centros urbanos, a produção agrícola e a atividade da pecuária.

A vegetação é para a terra o que a roupa é para o corpo. A constante retirada da cobertura vegetal é dano ainda maior para a manutenção dos recursos hídricos. A água potável, o bem mais precioso e valioso da terra e indispensá- vel para nossa sobrevivência, está se tornando cada vez mais escasso. O lençol freático cada vez mais profundo. Prova disso é o fato de o Brasil estar enfrentado nos últimos tempos uma crise de água sem precedentes na história do país. Os reservatórios de armazenagem e captação de água estão muito abaixo de suas capacidades normais. A ausência de uma política séria e comprometida com o meio ambiente tem ajudado a agravar e piorar ainda mais esta situação. Faltam ainda planejamento e políticas públicas de curto, médio e longo prazo, orientadas para tal fim.

Fatores tais como desmatamento, queima de florestas e combustíveis fósseis, abertura de estradas, coberturas asfálticas, construções de grandes barragens, loteamentos irregulares em cabeceiras de nascentes, retirada de floresta e matas ciliares, têm contribuído sobremaneira para o agravamento da questão. Vale ressaltar que tudo o que precisamos para nossa sobrevivência, desde o necessariamente básico ao absolutamente supérfluo é retirado da natureza. Excessos e exageros hoje geram escassez e privação amanhã. Lembremos que pequenas iniciativas e atitudes pessoais e comunitárias podem salvar uma vida. Podem salvar o planeta.

O que fazer, então? Que medidas tomar para resolver esta situação? A era do amor de Deus parece estar chegando ao fim? Penso que não! Falta-nos aprender a fazer a diferen- ça onde ela ainda não foi feita. E, abandonar a velha pedagogia do “todos”. Todos é ninguém, não é mesmo? Somente realizamos bem feito na vida aquilo que nos dá prazer em realizar. Se amamos a natureza e tudo o que ela contém, vamos preservá-la, defendê-la. Primeiro é preciso que cada um de nós tome consci- ência que não somos daqui. E, que nada nos pertence.  Segundo, assumir nossa missão que é muito mais profunda: defender, conservar, manter, proteger, cuidar da vida em todas as suas dimensões. Somos diferentes dos outros seres criados por Deus porque pensamos. Naturalmente, que isso nos obriga a uma responsabilidade infinitamente maior aos demais.

É preciso também recuperar a harmonia inicial que existiu um dia entre Criador e criatura: “E, Deus viu que tudo era bom” (Gn 1,21b). E, respeitar cada animal, cada vegetal e cada mineral. O direito recebido de Deus? Não o interpretemos erroneamente. Ou seja, façamos dele um dever. O dever de zelar, regar, cuidar. Se meu nariz é grande demais, respiro todo ar à minha volta. E, quem está a meu lado? Morre asfixiado por falta de oxigênio. Então não podemos tudo. Nem aqui e muito menos na eternidade!

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R.
Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

“Eu vim para servir”

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Irmãos e irmãs,

Iniciamos mais um ano de trabalho missionário com mais uma Campanha da Fraternidade. Precisamos observar o passado e, diante dos pontos positivos e negativos, valorizar a experiência vivida em cada atividade realizada, e lançar nosso olhar para o futuro. Pois, assim como o mundo evolui, nós cristãos também crescemos pela Palavra de Deus que é viva e eficaz.

Nestes últimos tempos, a Igreja no mundo inteiro foi presenteada com duas grandes e animadoras reflexões. Trata-se da Exortação Apostólica Evangelli Gaudium (Alegria do Evangelho) do Papa Francisco e o Doc. nº 100 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Comunidade de Comunidades: uma nova Paróquia. Estes documentos nos fortalecem diante das dificuldades da evangelização no mundo moderno.

O primeiro origina-se das características próprias do autor: “Francisco”, que tem animado o povo católico com seu jeito simples, sereno e humilde de governar. O documento nos sugere que, obstante aos erros, derrotas, barreiras e o ateísmo que hoje enfrentamos, é preciso continuar alegremente nosso trabalho, que consiste em anunciar a redenção aos pobres, excluídos. Vencer o desânimo e cada vez mais acolher com convicção o projeto do Criador para a humanidade.

O cristão que diz sim ao plano de Deus não pode ser fraco. É necessário que sejamos determinados, fortes na fé e alegres na esperança (Const. Redentorista nº 20) e mesmo em meio às dificuldades é preciso saborear a presença de Deus e nos alegrar, percebendo que não estamos sozinhos. Precisamos deixar de ser “pessoas sensíveis, melindrosas” porque gente assim desiste com muita facilidade da missão (conf. João 6,68). Considerando que somos “Filhos Amados do Pai Eterno” já é um motivo mais que especial para nos alegrar e fazer com que as pessoas percebam nossa alegria em servir a Deus. Por exemplo: um Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão que distribui a Hóstia Consagrada “de cara fechada” não está oferecendo Jesus para as pessoas…

O segundo documento trata-se da conversão pela qual todos nós, como Igreja, devemos passar. Essa “conversão pastoral” nos é apresentada pela CNBB a partir da síntese do Concílio Vaticano II, Documento de Aparecida, das Diretrizes Gerais da Evangelização entre outros, refletindo o papel da paróquia. Urge no seio da Igreja um estado permanente de missão que envolva o clero, diáconos e leigos, para que tenhamos consciência da importância de todos na Igreja que é missionária.

O documento não extingue a paróquia/ sede, mas nos interpela para que tenhamos uma visão mais abrangente, além estruturas, ou seja, como Igreja missionária devemos ir ao encontro do outro, sair de nossas comodidades e lançar redes. Suscitar nas pequenas capelas e comunidades, o desejo de querer ser ali, sinal da graça de Deus que alcança todos os povos.

Percebemos nos pequenos bairros um avan- ço de Igrejas de outras denominações. Não as culpo. Estão fazendo seu trabalho. Talvez nestas regiões, nossa presença católica não esteja sendo expressiva. Também não precisamos ficar apontando que este ou aquele é o culpado. É preciso refletir juntos a partir de uma boa avaliação sobre tal realidade. Como já foi dito, a conversão é para todos nós.

É preciso nos organizar e juntos iniciar um trabalho mais abrangente. Sei da dificuldade do acompanhamento por parte dos padres nas nossas capelas, pastorais, grupos e movimentos. Por isso, é preciso que mais pessoas digam “sim”. Abramos o nosso coração e alarguemos os nossos horizontes. Devemos sim, passar por esse processo de conversão. Muitas vezes constatamos que nossa comunidade ou pastoral não está boa. Será que eu não estou contribuindo com essa má fase? Estou somando ou dividindo? Preciso me questionar.

A Campanha da Fraternidade deste ano é um forte apelo para que a Igreja descentralize, saia de si, das suas comodidades e vá ao encontro da sociedade que clama a presença amorosa de Deus nos corações das pessoas. Conclama todos nós cristãos católicos para que, a exemplo de Jesus, sirvamos o outro nas suas mais diversas necessidades. Esta campanha é um tempo oportuno para a Igreja mostrar a sua fé e força e, diante de tantas propostas, se apresentar à sociedade e destacar a “notícia boa” que é o Cristo presente em nosso meio. Que nós, enquanto comunidade, sejamos a expressão do amor do Pai Eterno para todos.

Peçamos a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que nos guie pelos caminhos que nos levam ao seu Filho Jesus. Amém!

Pe. José Bento Oliveira
C.Ss.R. Missionário Redentorista

“Eis-me aqui, envia-me a mim”

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“´Quem hei de enviar? Quem irá por nós?´, ao que respondi: ´Eis-me aqui, envia-me a mim´” (Isaías 6,8).

Caros confrades, graça e paz da parte de Deus! Atraídos ao Pai, consagrados no Filho, enviados pelo Espírito e inspirados nas palavras do livro do profeta Isaías, iniciamos outro quadriênio, com um novo governo, em nossa apreciada Província de Goiás.

No dia 11 de novembro de 2014, alguns dias após a nossa eleição, tivemos uma primeira reunião do Conselho, acontecida às 8h30, no Escritório Central da Província. Mediados pela fé e alicerçados na esperança, começamos em clima de ação de graças, cientes de que é a oração que sustenta a nossa missão. Cada um pôde falar de suas expectativas e anseios para este governo que se principia e para o futuro da Província. Fez-se menção também às nossas fragilidades que, por vezes, acabam enfraquecendo a vida missionária e as necessidades do nosso grupo apostólico, para fortalecer a evangelização que nos foi confiada pela Igreja. Tudo de maneira muito madura, centrada e responsável. Todos desejosos de colaborar para que o novo governo, neste quadriênio, traga, ainda mais, força e determinação frente aos variados desafios da missão.

O profeta, como vimos acima, estava na presença do Senhor e atento às Suas palavras. Naquela ocasião, ouviu o apelo de Deus que ressoava no interior da alma missionária, a dizer: “Quem hei de enviar? Quem irá por nós?” As palavras do Senhor não foram dirigidas, única e exclusivamente ao profeta Isaías (1,1-39,7), como vemos, com certa frequência, em outras situações… Foi diferente… Trata-se de um chamado geral, para todos os que, de coração livre e desimpedido, aceitam o desafio da radicalidade da vida profética para um determinado momento da história. Foi Isaías quem ouviu e se dispôs, com prontidão e sem relutância: “Eis-me aqui, envia- -me a mim”.

Realmente não hesitou em responder! Não sabia nem mesmo qual era a mensagem e, ainda assim, despojado de condicionamentos, apresentou-se para anunciá-la. Não quis saber se havia salário, quanto ganharia nesta empreitada, se teria prejuízos para sua vida pessoal ou familiar na missão assumida. Seu espírito, desprovido de posses e fiel ao apostolado é um ótimo exemplo para todos nós, Missionários Redentoristas. Um dia ouvimos o apelo de Deus, escutamos o grito dos pobres a tocar nossos tímpanos e nos apresentamos ao Senhor para servi-Lo, recebendo o mandato de pregar o Evangelho do Reino, proclamando-o largamente ao mundo inteiro (Cf. Mt24,14).

A capacidade de escutar o chamado da fé, obedecendo livremente à palavra ouvida, frente à primazia da vontade Divina, depende de cada um de nós, da maturidade espiritual cultivada e conquistada, do caminho que já percorremos até aqui, de nossa consciência missionária e da graça que nos fortalece na gratuidade. De sobremaneira, há de se contar com a intensidade do nosso afeto por Deus e do modo como correspondemos ao Seu amor, nos colocando a serviço da missão e jamais nos servindo dela, em benefício próprio. Depende também de como estão nossos ouvidos interiores, inclusive para que estejam aptos a escutar o Evangelho, deixando de lado os ruídos que dispersam a alma e empobrecem o apostolado. Somente por esta via é possível permanecer cativo ao Pai, sem deixar de ser fiel a si e à missão. Diante disso é preciso que cada um questione-se sempre: estou aberto e disponível para ouvir com grandeza ou “entupido” no egoísmo e na conveniência dos que professam com os lábios, mas têm o coração distante do Senhor?

Os que ouvem a palavra do Senhor e a obedecem vivem também sob sua bênção, graça e proteção. Não devemos ter medo de ouvir Sua palavra que desafia a nossa vida e nos move à missão: “Porque este mandamento, que hoje te ordeno, não é excessivo para ti, nem está fora do teu alcance. Ele não está no céu para que fiques dizendo: ´Quem subiria por nós até o céu para trazê-lo a nós, para que possamos ouvi-lo e pô-lo em prática?´ E não está além no além-mar para que fiques dizendo: ´Quem atravessaria o mar por nós, para trazê-lo a nós, para que possamos ouvi-lo e pô-lo em prática?´ Sim, porque a palavra está muito perto de ti: está na tua boca e no teu coração para que a ponhas em prática” (Dt 30,11-14).

O serviço eficaz a Deus depende dos nossos ouvidos cheios de prontidão, mas também do nosso coração amadurecido e desejoso de amar sem fronteiras, sem segundas intenções e sem medianos interesses. O chamado de Deus entra no coração ou é rechaçado! O convite é que adentre e permaneça no coração. A seara está madura para a colheita e poucos são aqueles que, de fato, estão dispostos e disponíveis, voluntariamente, para a labuta. Diante dos desafios deste mundo, para nós que cremos, é como se o Senhor  gritasse a todos e a cada um, em especial: “Desentope os ouvidos, eu preciso de você! Você é um escolhido! Disponha-se!”.

O chamado é para todos e a necessidade de proclamadores das boas-novas é urgente! Quem se dispõe a ouvir e atender ao chamado de Deus tem o privilégio de partilhar, com Ele, de um projeto sublime e de ver a transformação de uma pessoa, de uma cidade ou até mesmo de uma nação. Faz valer a pena o esforço quando aceitamos os desafios da vida religiosa e nos fazemos instrumentos do Senhor, dia após dia!

Quero hoje, louvar, bendizer, adorar, glorificar e exaltar Aquele que é Nosso Pai pela forma como nos amou, sobretudo, ao nos dar o Seu principal tesouro, a Sua maior riqueza: Seu Filho Unigênito, que se fez um de nós. Esse Deus que não nos abandonou e não nos deixa órfãos. Ele nos dá, nos comunica seu Espírito, para que continuemos nossa missão, como Igreja do Senhor, como missionários da Sua Redenção. Agradeçamos ao Divino Pai Eterno que inspirou Afonso a começar um caminho novo e cheio de audácia, em uma realidade eclesial acomodada e sem muito sentido… E que continua nos chamando e nos enviando ao desafio de sermos, em nome da Igreja e da Congregação do Santíssimo Redentor, luz e bênçãos por onde passarmos.

O alicerce que nos sustenta é o Santíssimo Redentor. É ele mesmo quem diz: “Deixem-se redimir e só depois disso anunciem a Redenção”. Nada melhor que o redimido para falar do Redentor. Se quisermos avançar, na missão, devemos manter os olhos sempre fixos neste fundamento, pois é Ele e somente Ele, quem nos mantém em pé e seguros! Ninguém deve alimentar um pensamento ou sentimento diferente.

Habitar na bênção significa: viver no selo de Deus, se nortear no Espírito d’Ele e de acordo com Seus desígnios. Todos nós nascemos pelas bênçãos que vêm do coração de Deus, para aquilo que vamos fazer e realizar, para o que nos foi, está sendo e ainda será confiado. Neste sentido, somos chamados a nos conformar, buscando experimentar Cristo e a força da Sua ressurreição… Estar em plena comunhão de vontades… Mesmo sabendo que não somos perfeitos, precisamos desejar a perfeição, correr ao encontro dela, lutar por ela… Afinal, o Redentor nos alcançou e nos escolheu…

Como irmão, servo e animador desta unidade missionária de nossa Congregação, exorto para que cada confrade possa louvar ao Pai Eterno, pelo dom da vida redentorista. Você pertence à santidade da Igreja. Que renovemos, hoje, as intenções e revigoremos os sentimentos que nos inspiram à doação ao Senhor, dentro de uma realidade evangelicamente adequada e teologicamente crível. Que não percamos a graça, que não escondamos o tesouro, que é Cristo Jesus, Nosso Senhor.

Sejamos, a exemplo de Maria, a Mãe do Belo Amor, nosso Perpétuo Socorro, sempre mais, templo de Deus. Reconheçamos a nossa indignidade, clamemos por misericórdia e deixemos que Ele purifique os nossos lábios, regenere e evangelize nossos corações, abra os nossos ouvidos para escutarmos o apelo do céu e nos capacite para respondermos profeticamente ao chamado, dizendo: “Eis-me aqui, Senhor, envia- -me a mim”.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Superior Provincial dos Redentoristas
de Goiás e Presidente Fundador da Afipe

Feliz Ano Novo!

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Enunciado muito utilizado neste período do ano. Para alguns, uma frase rica de significados, valores. Principalmente, quando dita a partir de um coração
bondoso, generoso. Um coração que ama profundamente, e sem restrições, deseja o bem para a pessoa amada, querida. Para outros, uma formalidade vazia de sentido. Em todo caso, consciente ou não, sua empregabilidade expressa um sonho, um sentimento, um desejo. Na melhor das hipóteses, um incentivo que visa transferir a outrem a responsabilidade que conduz a um novo recomeço. Um novo desafio.

“Começar é difícil. Recomeçar é quase impossível.”Cresci ouvindo esta frase. Chegou 2015. As festividades de Natal, Fim de Ano e Réveillon ficaram para trás. Agora é hora de voltar à vida real. De assumir as tarefas nossas de cada dia. Daí que um programa de vida articulado, pensado, planejado e bem feito, pode ajudar a superar desafios e fracassos anteriores. Bem como valorizar esforços, consolidar conquistas e projetar o futuro. É hora de dar sentido novo e pleno a muitas coisas. Reorganizar a vida de oração, de convivência, de estudo e de trabalho.

É hora de fazer uma boa faxina na casa. Rever planos, traçar metas, estabelecer objetivos. Lançar-se a novos desafios. Alçar voos a novos ares. Explorar terras desconhecidas. Conquistar horizontes navegando outros rios, oceanos e mares. Rever estratégias e não contar somente com as próprias forças. Acreditar e confiar, principalmente, na ação da graça do Divino Pai Eterno em nossa vida.

É tempo oportuno para uma boa faxina no coração. Organizá-lo. Purificá-lo das paixões maldosas, libidinosas, dos desejos e sentimentos duvidosos. Libertar-se de mágoas, rancores e desafetos passados. Pedir o perdão devido e dar o perdão necessário para caminhar juntos outra vez. Fazer o retorno para Deus percebendo em cada pessoa humana, em cada irmão, em cada irmã, o rosto bondoso do Divino Pai Eterno. E tomar consciência de que o coração que foge de Deus abre um abismo insondável dentro do peito onde faz morada. Afasta-se de si mesmo, dos outros, das obras criadas (mundo), e do próprio Deus. Cultiva, fomenta e alimenta o ódio. E, por que cultivar o ódio se há tantas coisas boas neste mundo necessitadas de carinho e ausentes de amor? Portanto, não odiar é a mais sublime forma de amar.

Há ainda uma verdade que precisa ser entendida, assumida. Ou seja, quanto mais dificuldades e obstáculos encontrarmos na subida, mais chances teremos de completar o horizonte lá do alto. Olhemos para o cobrador de impostos, Zaqueu. Ele desejava ardentemente conhecer Jesus e não conseguia por causa da multidão e de sua baixa estatura. Para realizar o sonho de ver Jesus, escalou em um pé de figueira (cf. Lc 19,1-10). Outro bom exemplo é a cura do paralítico de Cafarnaum. Abriram um buraco no telhado para que ele pudesse chegar à sala onde estava Jesus (Mc 2,1-12). Outro exemplo que também não podemos nos esquecer é o da cura da mulher portadora de hemorragia (Mc 5,25-34).

O desânimo paralisa nossa vida. A dúvida neutraliza nossas ações. O medo enfraquece nosso espírito. A falta de fé abre em nós um vazio existencial impreenchível. Os poucos relatos bíblicos acima citados são indicadores para o incentivo à busca do novo que constantemente se apresentem em nossa vida, tendo como fonte de inspiração Jesus de Nazaré, o Cristo Ressuscitado. Agora, em se tratando de Ano Novo, vida nova, não podemos jamais nos esquecer do episódio das Bodas de Caná e ouvir o que Maria tem a nos dizer: “Fazei tudo o que meu Filho vos disser” (Jo 2,5).

Isto é ouvir os apelos de Deus que fala ao nosso coração através das Palavras de seu Filho Jesus. Palavra que liberta, cura e salva a pessoa humana por inteiro. Para fazer tudo novo, de novo, é preciso também dar a tônica nossa vida onde estivermos. Cada lugar neste mundo, seja ele físico ou geográfico, tem a mística e a espiritualidade de quem dele organiza, preserva, cuida.

É também tempo de mudança e revisão de vida, conversão de atitudes. De ouvir o Senhor que nos diz: “Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei” (Jo 15,12). E ainda, “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). Mandamento que não nos é pesado, sofrido, penoso quando vivido à luz do Espírito Santo no seguimento radical a Jesus Redentor, pois “este mandamento, que hoje lhe ordeno, não é muito difícil, nem está fora do seu alcance. Ele não está nos céus, para que você fique perguntando: ‘Quem subirá por nós até o céu para trazê-lo a nós, a fim de que possamos ouvi-lo e colocá-lo em prática?’. Também não está no além-mar, para que você fique perguntando: ‘Quem atravessará por nós o mar, para trazer esse mandamento a nós, a fim de que possamos ouvi-lo e colocá-lo em prática?’. Sim, essa palavra está ao seu alcance: está na sua boca e no seu coração, para que você a coloque em prática” (Dt 30,11-14).

Busquemos, pois, não cair no vazio existencial de palavras soltas e desconexas. E, aprendamos que não nos basta apenas palavras, gestos. É preciso deixar ressoar em nós o convite que o Pai Eterno nos faz ao coração. E buscar a oração, muita oração. Orar e agir. Somente alcançarei o céu, vivendo a plenitude de Deus aqui na terra. Somente alcançarei a plenitude Eterna, vivendo a simplicidade da natureza terrena marcada por situações adversas e contrárias. A dica, então? Use bem as mãos que o Pai Eterno lhe concedeu, “segure firme o arado e não olhe para trás” (Lc 6,69).

Assim sendo: FELIZ ANO NOVO!

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R.
Reitor do Santuário Basílica
do Divino Pai Eterno

Mãe do Belo Amor

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Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é o título conferido a Maria, Mãe de Jesus, representada em um ícone de estilo Bizantino venerado desde 1865 em Roma, na Igreja de Santo Afonso, dos Missionários Redentoristas.

Vindo da Ilha de Creta, passando pela Igreja de São Mateus, em Roma, durante trezentos anos este ícone foi venerado e reconhecido pelos sinais prodigiosos operados pela fé de muitos devotos da Mãe do Belo Amor, nosso Perpétuo Socorro. Esta devoção se expandiu graças ao trabalho dos Redentoristas que, desde 19 de janeiro de 1866, a pedido do Papa Pio IX, espalham por todas as paróquias e santuários onde atuam, esta importante devoção.

Santo Afonso escreveu um tratado completo sobre o papel de Maria no plano da salvação chamado: “As Glórias de Maria”. Dizia que Maria, por ser tão amada por Deus e corresponder plenamente ao Seu amor, se tornou novo modelo perfeito de vida cristã. Segundo a biografia de Afonso, a devoção a Maria vem desde a sua infância. A ela dedicou sua vida, seu amor e uma grande obra para que pudéssemos, como ele, venerá-la com a mesma intensidade.

Dizia Santo Afonso: “Maria, a cheia de Graça que adianta as nossas orações, ampara-nos nas aflições, protege-nos e dá-nos santas inspirações para vivermos profundamente a caridade. Mais ainda, ela anima e fortalece nos momentos mais difíceis. É fiel defensora dos seus filhos”.

No Brasil, temos diversos santuários onde existem novenas, um estilo popular de rezar e cantar a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, invocando as suas bênçãos pelos objetos, pela água, pelos enfermos e por todas as necessidades das pessoas.

Em Campinas, Goiânia (GO), na tradicional “Campininhas” onde chegaram os primeiros Missionários Redentoristas vindos da Alemanha, cresce cada vez mais esta devoção. A cada terça-feira, se deslocam milhares de fiéis de Goiânia e arredores para agradecerem graças alcançadas e pedirem benefícios em oração e súplica a Mãe de Deus e nossa mãe.

Hoje, a Matriz e Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Campinas é um grande centro de devoção onde todos os devotos visitam, rezam e buscam alcançar as graças necessárias. Nas suas angústias, sofrimentos, alegrias e tantas necessidades querem se aproximar do seu Filho Jesus, o Redentor do mundo onde encontramos a salvação e a vida plena.

Somos agradecidos a Deus por termos no Centro-Oeste um santuário que acolhe os devotos de Maria, em seu Perpétuo Socorro. Ao mesmo tempo, pedimos ao Divino Pai Eterno as graças necessárias para que o mesmo seja conhecido a todos os povos do Brasil e do mundo, oferecendo cada vez mais melhores condições para acolher bem a todos que vão para rezar, agradecer, pedir e contemplar em Maria o Perpétuo Socorro, recebendo pela fé e oração todos os benefícios pedidos.

Rezemos com Santo Afonso: “Toda sois formosa e em vós não há mancha. Ó Mãe puríssima, toda cândida, toda bela, sempre amiga de Deus! Dulcíssima, amabilíssima, imaculada Maria. Sois tão bela aos olhos do Senhor. Olhai-me e compadecei-vos de mim e curai-me. Oh belo imã dos corações, atraí para vós, também, este meu coração. Tende piedade de mim e rogai a meu favor. Amém!” Que a Mãe do Belo Amor, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, abençoe a todos!

Pe. João Otávio Martins, C.Ss.R.
Missionário Redentorista

O Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós!

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“No príncípio, Deus criou o céu e a terra. Ora a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas” (Gn 1,1-2). “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito” (Jo 1,1-3). Se o coração do Gênesis é a imagem do Deus que salva e cria, o coração do Evangelho de João é o testemunho da encarnação histórica de Jesus de Nazaré. Acredita-se que a intenção do prólogo da comunidade joanina é a atualização do primeiro capítulo do Livro do Gênesis. Tanto Gênesis 1 quanto João 1 começam com a palavra ‘no princípio’. Se o primeiro utiliza o termo hebraico B’reshit, o segundo falará a partir da expressão grega En arché. Trata-se da afirmação de que em Cristo se dá um novo Gênesis, uma nova origem, uma nova criação, uma nova humanidade. A palavra criadora do Gênesis torna-se criatura em João.

Etimologicamente, o termo ‘encarnação’ é proveniente do latim clássico in-carnare. É a manifestação mais crível de que um dia Deus se tornou carne em nossa carne, sangue em nosso sangue, história de nossa história e vida em nossa vida.

Diante da encarnação podemos afirmar que “nada do que é humano é estranho a Deus” (Montaigne). Ele havia criado tudo, inclusive o humano, mas nunca havia sido humano. Deus se torna humano em Jesus. Por isso que diante da encarnação está a história do Deus que se tornou Humano, para que o humano se torne divino. “Divinando- se o homem é mais homem. Humanando- se Deus é mais Deus para nós” (Leonardo Boff). Na encarnação, o Filho de Deus se apresenta como o encontro entre o Sagrado e o Profano. Eis o Deus Redentor!

Vale ressaltar que o movimento do Encarnado na história não foi uma aparição miraculosa ou fantástica, mas, sobretudo, a concretude do amor em carne. O amor do Pai torna-se carne (sarx). Por isso, Jesus é Sacramento do Pai Eterno. Não estamos defrontes a um Deus mágico, mas perante um Deus que teve que aprender a ser humano. Um Deus que “não responde, pergunta. Não soluciona, põe em conflito. Não facilita, dificulta. Um Deus que não gera meninos, mas faz adultos” (Inácio Larrañaga).

Jesus de Nazaré não assume a história a partir de fora, mas vem de dentro. Não assume um corpo emprestado, no qual habita o seu espírito. Pelo contrário, esvazia-se de sua condição divina para tornar-se plenamente humano.

“Jesus nasceu em uma pátria insignificante, dentro de uma vila interiorana. Não sabia grego nem latim, as grandes línguas da época. Falava um dialeto – o aramaico. Jesus sentiu a opressão, conheceu a fome, a sede, a saudade, as lágrimas pela morte do amigo Lázaro, a alegria da amizade, a dor da traição, a tristeza, a tentação, a raiva, o pavor da morte e passou pela noite escura do abandono de Deus” (Leonardo Boff).

Diante do presépio está a incidência do Deus que busca o homem e do homem que busca Deus. A pessoa humana chega a Deus porque Deus chega primeiro à pessoa humana. A iniciativa sempre será do Divino. O atemporal entra na ordem do temporal. O Infinito conhece a finitude do humano. O Onisciente, o Onipresente e o Onipotente se coloca como pequeno e frágil.

Devemos olhar e admirar o Jesus criança que nasce na manjedoura da pobreza humilhante, porque não encontrou lugar no coração da humanidade. Jesus vem como criança para nos mostrar que Deus não nos ameaça ou condena. E assim a encarnação vai sendo atualizada na história e não se torna um fato do passado.

“Quando o pobre que pouco tem ainda reparte: o verbo se faz carne novamente. Quando o sedento dá água e o faminto dá o pão: o verbo se faz carne novamente. Quando o fraco fortalece o impotente, quando se diz a verdade onde reina a mentira, quando se ama onde há ódio, quando se prega a paz onde vigora a guerra: o verbo se faz carne novamente” (Leonardo Boff).

Desta forma, encarnação nos fornece a chave de leitura para compreendermos muitas questões não respondidas atualmente. As pessoas muitas vezes perguntam: por que a dor? Qual o sentido do sofrimento? Por que a humilhação, a fome e a miséria? “As pessoas perguntavam e Deus se silenciava. Na encarnação Deus responde e a pessoa se silencia. Deus não responde ao porquê do sofrimento. Ele sofre junto. Deus não responde ao porquê da dor. Ele se faz homem das dores. Deus não responde ao porquê da humilhação. Ele se humilha” (Leonardo Boff).

Deus não assiste a tragédia do humano. Ele entra na história e se encarna nela. Um Deus Emanuel – Deus Conosco. Companheiro de Jornada e irmão da história. Diante das decepções da vida e das frustrações do cotidiano nunca nos esqueçamos de que o verbo se fez carne e habitou entre nós por amor!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor da Basílica de Trindade

A luz vem ao mundo

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O tempo litúrgico do Advento nos prepara para a vinda do Senhor na celebração do Natal. É um encontro pessoal com Jesus Cristo. Ele vem, pela fé, renascer em nossos corações. O encontro com Jesus ilumina e alegra a nossa vida e nos devolve a esperança por um futuro bom.

Que cada um de nós esteja vigilante e em atitude de oração para acolher a Luz do alto que vem nos visitar: “Deus é luz e nele não há treva alguma. Se caminhamos na luz, como ele está na luz, estamos em comunhão uns com os outros” (1Jo 1,5.7). Portanto, quem acolhe a Luz, torna-se livre de toda rixa, contenda e ciúme, busca pacificar o coração para viver em comunhão com os irmãos. E quando é difícil olhar nos olhos de algum irmão ou quando estamos feridos, podemos confiar e esperar que o amor de Deus coloque a nossa cabeça e o nosso coração no eixo. Nunca podemos esquecer que Deus é Pai e sempre vem ao nosso encontro com amor eterno para nos perdoar e nos socorrer em nossas fraquezas. Por meio do Menino Jesus, o Pai Eterno ilumina a nossa vida e revela o seu amor por nós: “Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (Jo 12,46).

Jesus Cristo ilumina a nossa vida e restaura em nós a alegre esperança para sermos, com ele, luz e vida para o mundo. Não deixemos que as dificuldades do momento tirem o brilho do amor de Deus que há em nós. Cada um de nós é maior que os problemas que possa ter e é justamente nas horas difíceis que temos a oportunidade de testemunhar ao mundo a razão da nossa fé e da nossa esperança. Quem encontra Cristo encontrou a alegria de viver. Conservemos no coração o mandamento do amor para que a nossa alegria seja plena.

O amor é que ilumina e alegra a vida. O verdadeiro amor se revela nas atitudes. Quem ama como Jesus amou não discrimina pessoa alguma. O amor não faz justiça com as próprias mãos, isto é, não aceita a “lei do olho por olho, dente por dente”. Quem ama perdoa, reparte o pão e paga o mal com o bem. Se amamos, as portas do céu se abrem para nós. Jesus é a maior expressão do amor do Pai por nós. Ele veio ao mundo para nos ensinar a amar porque o amor é a única força que liberta e salva. Que a ternura do Menino Jesus desperte em nós o amor aos irmãos para vivermos alegres e iluminados.

Feliz e abençoado Natal para todos!

Pe. Fábio B. da Costa, C.Ss.R.
Provincial dos Redentoristas de Goiás

Afinal de contas, vale a pena ter esperança?

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Nos tempos hodiernos vivemos imer­sos em uma realidade conturbada! Há todos os instantes somos asso­lados por depoimentos, notícias e situações que testemunham à construção de uma so­ciedade consumista, ególatra e hedonista. Em primeiro lugar o que vale é o consumo, portanto o único interesse presente é consu­mir a própria vida e a dos demais, seguin­do os moldes da mentalidade neocapitalista. Assim, é criado um sistema onde cada um vale aquilo que consome ou produz. As pes­soas passam a ter valorização pelo que tem ou fazem e não pelo que são enquanto filhos de Deus. O consumo confere existência.

O Cogito ergo sum de René Descartes dizia: “Penso, logo existo”, já o consumis­mo atual diz: “Consumo, logo sou”. Será que é possível inculcar valores eternos em uma mentalidade supérflua e passagei­ra? Vale a pena falar de esperança já aqui nesta terra diante da compulsão hiperbó­lica pelo consumo? Até que ponto o con­sumismo não está orientando, guiando e conduzindo a nossa existência como um vírus dispendioso na subjetivação do eu?

Mais adiante vemos configurar-se no cená­rio da existência uma espécie de individualis­mo ultramoderno. Trata-se da doutrina segun­do a qual a sociedade, a economia, a religião e até mesmo Deus, passam a ser analisados em profunda consonância com os critérios do eu individualista. Esta situação também entrou de forma sutil na caminhada tempo­ral da família humana. Em certos contextos sociais fica visivelmente claro alguns dizeres como: “meu carro”, “meu lugar para sentar”, “meu pedaço de carne predileto”, “meu pro­grama de TV”, “minhas manias”, “meu ho­rário”, “minhas vontades”, entre outros. Não há mais a passagem evangélica do “eu” ao “nós”, mas, pelo contrário, do “nós” ao “eu”.

Assim, vamos criando uma vida intimista, cujo resultado é a penhora de toda e qualquer esperança. Não se fala mais de interesses ou imagens coletivas, pois até mesmo no comu­nitário a única bandeira hasteada é exclusiva­mente a do “eu”. Por conseguinte, acabamos por confeccionar uma fé, uma Igreja, uma doutrina, um deus que é nada mais, nada me­nos que a projeção do nosso próprio “eu”.

Vale ressaltar que o individualista não tem a coragem de se visitar e nem mesmo de conhecer sua história existencial, mas somente de se satisfazer. Para o eu indivi­dualista não há sentido nenhum em alicerçar a vida na prática da esperança. Não é nada agradável dispor um pouco de tempo para ajudar na construção de um mundo me­lhor. Não se faz presente em seus compro­missos pensar ou articular meios suficien­tes para a confecção de sistemas dignos de moradia e emprego, pois isso não faz parte da realidade de alguém que não se dispôs para sair de si e ir ao encontro dos demais.

Como consequência da situação, encon­tramos o hedonismo, considerado como a doutrina do prazer pelo prazer. Alguns imaginam que esta última só se verifica no contexto da sexualidade-afetividade. No entanto, se observarmos bem vamos en­contrar pessoas ditas cristãs que só fazem o que lhes concede prazer: só vão à Igreja, à missa, ao terço, às obras de caridade, aos favelados e marginalizados se isso lhes pro­porcionar prazer. Morreu o prazer acabou a esperança de mudança e, na sequência, a opção pelo Evangelho dos pobres de Nazaré.

Agora podemos perguntar: Desde quando é prazeroso cuidar de uma ferida purulenta no corpo ou no coração das pessoas? Até que ponto podemos sentir prazer em reconhecer a situação de miséria em que vive boa par­te de nossos irmãos e irmãs? Muitas vezes ir  à missa ou participar de uma reunião não é prazeroso, mas vamos ao encontro de melho­rias religiosas e sociais, porque esperamos um mundo mais humano e mais digno para todos. Filiamo-nos a uma sociedade alter­nativa, chamada pela Igreja de Civilização da Esperança. Não vivemos em grupo para cumprir um mandamento, mas, pelo con­trário, pelo fato de assumirmos um preceito existencial, no qual somos capazes de dizer a nós mesmos que vale a pena ter esperança!

Como filhos amados do Pai Eterno não nos é lícito deixar de acreditar na vida e muito me­nos cruzar os braços defronte as dificuldades do cotidiano. Não podemos assumir a postu­ra daqueles que cruzaram os braços por que deixaram de ter esperança. “Uma pessoa pode viver quarenta dias sem alimento, três dias sem água, oito minutos sem ar, mas nenhum minuto sem esperança” (Autor desconheci­do). Ela é a vida de Deus que brota em nós.

Deixar de ter esperança é o mesmo que deixar de viver, assumindo, assim, uma realidade vegetativa. Os consumistas, os ególatras e os hedonistas são pessoas que desistiram da existência e abraçaram aqui­lo que lhes foi apresentado imediatamen­te como resposta fácil e descompromis­sada. Iremos nós nos unir a esta torcida? Ou buscaremos forças para ajudá-los na busca de uma realidade mais redentora e redimida à luz dos filhos da esperança?

É tudo uma questão de escolha! A quem queremos servir? Ao desânimo ou a espe­rança? Para tal basta que deixemos passar tudo o que se coloca como resposta imediata para a vida, mantendo os olhos fixos naquilo que é duradouro: Cristo Jesus, autor e consuma­dor da nossa esperança!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor da Basílica de Trindade

 

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