A INJUSTIÇA CAPITALISTA
26 de Outubro de 2008 @ 15:29 - Equipe PaternoArquivado sob Pe. Robson | 2 Comentários | Link desta publicação | Enviar por e-mail
Como o mercado capitalista funciona em torno de uma teia viciosa, vemos a crise sendo distendida. Por outro lado, também há o esforço paulatino para o controle das bolsas de valores em todo o mundo. São muitos os investidores internacionais que acabam vendendo suas ações e trocando a moeda local por dólar, no intuito de honrar seus compromissos financeiros com os Estados Unidos. Perdendo o valor das ações, as bolsas assolam em queda brusca e, ao mesmo tempo, fecham em baixa alarmante. A crise tem a característica do conhecido “efeito dominó”, ainda mais pelo fato da sociedade estadunidense viver economicamente acima de padrões realmente viáveis: “acostumados aos gastos extremos muitos cidadãos estadunidenses se viram sem saída quando o ritmo dos seus gastos superou a capacidade de quitação das dívidas” (Ítalo Paulo).
Sabemos que os valores não recebidos das hipotecas imobiliárias levaram bancos à falência, dentre eles destaca-se o quarto maior banco dos Estados Unidos: o Lehman Brothers, com 158 anos de história. A crise também fez com que somas altíssimas de dinheiro fossem lançadas no mercado financeiro. O Banco da Inglaterra injetou cerca de 19,9 bilhões de libras (US$ 35,7 bilhões) e mais 19,999 bilhões de libras (25,142 bilhões de euros) no mercado financeiro em atitude emergente. Posteriormente também foram disponibilizados 5 bilhões de libras (US$ 8,93 bilhões), com o objetivo de suprir as reservas dos bancos britânicos. Até mesmo o Banco Central Europeu colocou no mercado financeiro 70 bilhões de euros (US$ 99,4 bilhões) no tentame de minimizar os efeitos da crise na Europa.
Não temos conhecimento das novas premissas salvadoras do sistema nem como será o término da crise, uma vez que até mesmo os economistas têm concedido opiniões errôneas e dados equivocados. Muitos afirmaram que os bancos não iriam falir e o que vimos foi o contrário. Contudo, o que mais nos assusta não é a crise, mas, sobretudo, a incongruência que o mercado capitalista tem para disponibilizar montantes em dinheiro para salvar a economia da crise. Claro que é um esforço descomunal e necessário, no entanto, o questionamento parte de duas realidades intrínsecas: 1. O que move o mercado financeiro à ação desesperada? 2. Quais os interesses que estão por trás das características escusas e muitas vezes injustas do sistema. Explico-me!
Junto à crise dos Estados Unidos está a fome provocada pela má distribuição da riqueza no mundo. Os estudiosos alertam que a escassez de alimentos já atingiu cerca de 815 milhões de pessoas em todo o mundo. Destas, 777 milhões estão nos países desenvolvidos, 27 milhões nos subdesenvolvidos e 11 milhões nos países ricos. Os cientistas sociais afirmam que a fome é a grande responsável por provocar os mais variados tipos de mutilações humanas, carência de incrementos vitamínicos em bebês, debilidade mental, crimes e até ceguidade.
Somados a fome também estão aqueles que vivem abaixo da linha da pobreza. No Haiti, por exemplo, a população perdura até os 57 anos de idade e com a alimentação 80% acima do valor original devido à inflação. Os haitianos se mantêm por meio do chamado “bolo de lama”, composto por: terra, água, sal e margarina. No Japão cerca de 45 mil pessoas já vivem na miséria. No próprio Estados Unidos já são 3,5 milhões o número de mendigos. No Brasil, o número de doenças e epidemias aumentou, sem falar das epidemias globais que assolam o planeta. No Rio de Janeiro o fim da miséria custaria para os cofres públicos o investimento de 1,3 bilhões por ano. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação se comprometeu a reduzir em 15% o número da subnutrição no mundo e logo depois protelou a respectiva data para 2050. Adia-se a resolução para a fome e a miséria, mas não se protela a crise? Às vezes parece que o lema que nos rege é este: “salvem o mercado e delonguem as soluções para a miséria que chacina a África e a Ásia”.
Por fim, ainda temos as secas e as inundações ocasionadas pelas constantes mudanças climáticas. A estas também podem ser adicionadas às turbulências políticas, sociais e econômicas dos países pobres. E agora perguntemos: quais são as tentativas coletivas do sistema vigente para amenizar, equilibrar e/ou solucionar tais situações dramáticas? Isso nos faz constatar que a ética e a dignidade humana ainda estão esquecidas e acabam sendo empecilhos para o bom desenvolvimento do mercado. É como se a valorização da pessoa não fosse cotada pelas cifras do financiamento descomprometido com a história. Não se trata de ajuda caritativa dos países ricos aos pobres, mas, sobretudo, da consciência de que somos responsáveis pela fome e a miséria do mundo!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br
POR UMA EXISTÊNCIA MAIS ESPIRITUAL
5 de Outubro de 2008 @ 14:44 - Equipe PaternoArquivado sob Pe. Robson | 5 Comentários | Link desta publicação | Enviar por e-mail
Infelizmente ainda é intensa a quantidade de pessoas que se distanciam da experiência da fé. Esperam chegar à terceira idade para assumirem uma vida de conversão em Deus. Muitos são aqueles que pensam a espiritualidade como um meio de tolir a nossa liberdade. Espiritualidade seria sinônimo de carolice, fechamento, isolamento das pessoas e das coisas boas da vida, resignação e sofrimento. Viver espiritualmente não é uma perda, mas um ganho da pessoa humana. Ganhamos em qualidade de vida ao nos tornamos pessoas redimidas pela experiência de Deus. Nossa vida ganha sentido, nosso coração lucra um norte e nossa história se investe esperança! Parece até uma linguagem capitalista, todavia é só uma forma de linguagem para expressar que Deus não nos tira nada, pois é pura gratuidade. A única coisa que perdemos é aquilo que nos afasta de seu amor de Pai e de sua ternura de Mãe.
O objetivo maior da vida espiritual é comunicar às pessoas o cenário do Transcendente e a hierofania do Sagrado no tempo. É um caminho de silêncio e de busca incessante pela face do Divino que se apresenta na solidão acompanhada pelo humano. Aqui a oração se apresenta como essencial para a vivência do Reino de Deus. A oração é o hálito da alma e a experiência fundamental para o reconhecimento da necessidade que temos de Deus. Por meio da oração a espiritualidade é gestada no interior da pessoa humana. Vivenciada interiormente a espiritualidade torna-se manifestação de Deus no mundo. Logo depois vem a leitura bíblica, como devoção e não como debate teológico. Em seguida está a entrega contínua à vontade de Deus e por fim, seguem as demais realidades: na autodisciplina, na orientação pelo Espírito Santo, na virtude do amor e no julgamento prático. Na experiência mística a oração se volta para a conversão do “eu interior”: é o momento do “estar a sós” para que o Divino se torne humano e o humano de torne Divino, em um movimento contínuo da encarnação de um no outro, sem simbiose, mas na reciprocidade existencial dos dois seres ontológicos.
Por meio da espiritualidade histórica a mística torna-se a proclamação da liberdade e da fidelidade em Jesus de Nazaré. Assim continuamos a missão redentora de Jesus na peregrinação interior pelas trilhas do mundo. Aprendemos a olhar o mundo e o tempo na ótica de Deus. Diante das dificuldades na peregrinação interior no mundo, Deus se apresenta como o único recurso seguro e eterno. Posteriormente a espiritualidade nos convoca a uma vida piedosa em Deus e a luta paulatina contra a intolerância à justiça e a favor da fraternidade entre os povos. Por outro lado, a espiritualidade também insiste que a mensagem bíblica não deve ficar somente nos redutos, mas deve ser antes impregnada ao coração, para ser vivenciada e testemunhada no mundo. Assim nos tornamos “andarilhos de Cristo” na sociedade.
Na essência da espiritualidade está a dedicação de oferecer-se a Deus sempre e em todo lugar. Viver uma vida de oblação na escola da caridade! Tornamos-nos pessoas atentas às necessidades do mundo. Somos capazes de reconhecer no rosto dos pobres o rosto de Cristo, que ainda peregrina no sofrimento humano. Nossos tímpanos são rompidos pelos gritos de dor e desespero que emana no coração do mundo. A espiritualidade nos ensina o limite da vida e constrói em nós um coração próximo ao de Deus! Por isso, que ao falar de espiritualidade é impossível dissociá-la da conversão da pessoa humana. As raízes do nosso ser são transformadas por meio da experiência em Deus.
Por fim, a espiritualidade não se reduz às técnicas de oração nem somente a caminhos para a meditação. Pelo contrário, ela está presente na gênese da experiência da fé. A espiritualidade também não é só conceito, mas, principalmente vivência eficaz e assaz, com conceitos vivos e sem ambigüidades, do mistério de Deus. A espiritualidade é precisa, simples e extremamente esclarecedora. Resume-se em um modo de ser e viver, no mundo, sob a ótica de Deus. Que estejamos abertos para permitir que Deus possa “ser e viver” em nós!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br
ENTRE A POLÍTICA E A POLITICAGEM!
28 de Setembro de 2008 @ 14:41 - Equipe PaternoArquivado sob Pe. Robson | 1 Comentário | Link desta publicação | Enviar por e-mail
Consciente de sua missão, Jesus recrutou um grupo de pessoas e os introduziu no discipulado do Evangelho e na escola da fraternidade. Entre estes era chamado de “Mestre”. Por outro lado, também haviam outros mestres da sociedade, intitulados de “doutores da lei” e “senhores da política”. Enquanto Jesus facilitava, ao falar a linguagem dos menos favorecidos, estes complicavam e tributavam a vida dos oprimidos. Sem generalizações, podemos afirmar que os antigos fariseus nos fazem lembrar os políticos, de ontem e de hoje, que não solucionam, problematizam; não respondem, perguntam e fazem inquérito; não governam, simplesmente manobram.
Aos seus partícipes Jesus não ofereceu altos cargos nem reservou pastas. O único serviço que lhes confiou foi o testemunho do lava-pés, no qual aquele que quisesse ser grande deveria ser o servo de todos. Essa foi a política de Jesus: o serviço livre e desinteressado como fidelidade ao Pai Eterno! Nas reuniões com os seus discípulos não haviam projetos de leis, sistemas burocráticos ou interesses partidários. Havia sim partilha mútua na missão de se constituírem como homens honestos pela verdade, sensatos pelas atitudes e solícitos políticos pela prática do bem. Jesus não formou um partido político, pois sua política era o Evangelho, mas lapidou e conscientizou os seus discípulos a viverem na integridade, sem se deixarem corromper por nenhum sistema adulterado pela corrupção. Excetua-se somente Judas: aquele que traiu a política do Evangelho pelo dinheiro e acabou sendo condenado pela sua própria traição mercantil.
Por tudo o que fez e viveu Jesus torna-se o protótipo de todos os que almejam conduzir os caminhos da política na retidão e na veracidade. Atualmente cabe aos genuínos candidatos a missão de dignificar a política, sabendo que ela é falseada todas as vezes que se converte no “partido do dinheiro” ou nos “dossiês da sujeira”. Neste sistema, a realidade passa a ter uma cotação, os projetos de lei são comprados, o mandato é penhorado pelos lobistas, a verdade é encoberta, o nepotismo é proliferado e os interesses do povo são substituídos em proveito próprio.
Deturpar a política é ferir a existência da sociedade, pois em sua gênese estão a honestidade e a ética como princípios fundamentais. Vale-nos, portanto, distinguir que a politicagem é negócio, a política é serviço. Politicagem é sinônimo de privilégios, política é antônimo de regalias pessoais. Politicagem é falsear as promessas eleitorais, a política é batalhar pela participação de todos na eqüidade pública de enriquecimento do município. Cabe-nos afirmar pelas urnas a eleição dos políticos e a destituição da politicagem, do mesmo modo que na colheita, onde se separa o trigo do joio.
Ademais, precisamos decretar o falecimento deste tipo de candidatura escondida sob o viés da mesquinhez, da falta de escrúpulos e da desonestidade, que erroneamente chamamos de política. A luta desenfreada para alcançar o poder é uma fraude da política, uma não-política. Matar o atual modo de fazê-la é anunciar o renascimento da verdadeira política. Nos tempos de outrora e, principalmente nos dias atuais, a política precisa deixar de ser uma profissão, um arrimo familiar, para transformar-se em uma legítima vocação, como nos diz Rubem Alves: “De todas as vocações, a política é a mais nobre […] De todas as profissões, a profissão política é a mais vil”.
Por fim, nos resta uma fresta de esperança. Que os candidatos sejam mais sérios e não utilizem de meios ilícitos para dividir a opinião da população! Que palavras soltas e sem autorização pessoal não se tornem meios desonestos para confundir a consciência dos eleitores! Que a tramóia do poder seja deixada de lado! Que o bem comum seja colocado como centro das atenções do poder público! Até eu como sacerdote já sofri esse tipo de evasiva quando utilizaram minhas palavras em carros de som pelas ruas de Trindade. Palavras soltas, isoladas, montadas na tentativa desesperada de induzir a opinião do povo sem minha autorização prévia. Sinceramente, fiquei e ainda estou indignado! Justamente por isso reafirmo: que ninguém aproveite de oportunidades sutis para se colocar como “bonzinho” usando a imagem dos que lutam pelo bem comum dos fiéis!
Vamos rezar pelos nossos candidatos. A tentação do poder que corrompe e não se traduz em serviço está na alma de todo ser que respira. Até Cristo foi tentado pelo Diabo! Como não seria com aqueles que estão diante dos oásis financeiros das oportunidades de se enriquecerem ou se elegerem facilmente?! Rezemos e não fiquemos calados diante daqueles que se esqueceram que a política não se constrói à custa de opiniões, mas, sobretudo, na prática do bem!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br
O PECADO ORIGINAL E SALVAÇÃO!
21 de Setembro de 2008 @ 14:39 - Equipe PaternoArquivado sob Pe. Robson | 1 Comentário | Link desta publicação | Enviar por e-mail
Sabemos pela história, que esta doutrina foi cunhada por Santo Agostinho, no século V, e no período em que houve a luta contra o pelagianismo. Entenda-se por “pelagianismo” a heresia criada pelo monge britânico Pelágio que, defende a inexistência do pecado original, a negação da natureza pecaminosa e a não-necessidade da graça de Deus para a salvação do gênero humano. O que está em jogo na doutrina do pecado original e na heresia do pelagianismo é a salvação do ser humano: um assunto profundamente atual! A dúvida de toda pessoa religiosa é a seguinte: serei ou não serei salvo?
Santo Agostinho, entre os anos 412 e 430, ensinava que os seres humanos nasciam na condição de pecado. Nesta realidade, ninguém é capaz de salvar-se e nem de salvar os outros. Um cego não pode guiar outro cego, um surdo não pode escutar outro surdo nem um mudo pode falar a outra pessoa. Por isso na idéia de pecado sempre está a ausência de algo. Santo Agostinho observou a presença do pecado em sua época e almejou encontrar uma causa deste mal, instituindo a doutrina do pecado original. De acordo com Agostinho “fora da graça de Deus, é impossível que uma pessoa obedeça ou até mesmo busque a Deus. Com o pecado de Adão, houve uma total corrupção na raça humana, de modo que a vontade natural do homem está fatalmente cativa e submissa à nossa condição pecaminosa. Dessa forma, somente a graça de Deus, concedida livremente aos Seus eleitos, é capaz de trazer salvação aos seres humanos” (Michael S. Horton).
Por outro lado, para Pelágio, a pessoa humana era capaz de salvar-se a si mesma, sem a participação da graça divina. Assim a salvação é fruto do agir humano e não de um Ser Externo, fora de nós. Neste esquema Adão passa a ser concebido como um simples “mau exemplo” ao passo que Jesus é apenas um bom exemplo. Acaba se esquecendo da dimensão redentora da vida de Jesus. A salvação não seria doação de Deus, mas auto-salvação. Na verdade, “o que a doutrina tradicional da Igreja sobre o pecado original quer nos mostrar é como seria a nossa situação se não fosse pela redenção e pela graça de Deus. Estaríamos alienados de Deus, atolados numa situação de não-salvação” (Afonso Gárcia Rubio).
Por conseguinte, precisamos reconhecer que somos pecadores. Essa visão não pode fugir da nossa expressão de fé, por mais que ajam correntes de pensamento capazes de afirmar que o humano é perfeito e o pecado seria invenção da religião. No entanto, antes de sermos pecadores, somos filhos do Pai Eterno: antes das trevas, à luz; antes do mal, à bondade divina; antes da maledicência, à benignidade de Deus.
Pela História da Salvação sabe-se que o pecado sempre foi uma atitude de rejeição e fechamento a Deus. Justamente por isso, que o pecado original surgiu durante o processo em que o humano deixou de ser animal e se torna hominal. Em um determinado momento, o humano se fechou em seu próprio interesse, rejeitou o projeto de Deus e aos outros seres humanos. Isso originou o pecado.
Para livrar-se da condição pecaminosa, a comunidade cristã institui o Sacramento do Batismo como: adesão à pessoa de Jesus de Nazaré e seu Evangelho. O Batismo passou a ser reconhecido como sinal da capacidade libertadora de Deus, por meio de Jesus, o Salvador. A Igreja tornou-se, então, sinal desta nova realidade a partir da implantação do Reino de Deus no mundo. Cabe, hoje, aos cristãos dar continuidade à missão redentora de Jesus e a permissão para que Ele continue existindo por meio, das atitudes e palavras, de seus seguidores.
Diante do pecado está também a liberdade de escolha para optar pela salvação. A pessoa humana alcança o ápice de seu desenvolvimento quando é capaz de escolher. Antes da opção não há consciência. Não havendo consciência, não há racionalidade e muito menos liberdade existencial. Sem consciência o humano torna-se irracional e, deste modo não-livre. Mas a partir da liberdade a pessoa pode escolher entre a abertura ou o fechamento. E infelizmente, por muitas vezes, a pessoa escolheu o fechamento ao projeto de amor do Pai Eterno!
Por último, a doutrina do pecado original nos ensina a falar mais da graça original do que do pecado original. Neste sentido, precisamos a aprender a conviver com o mal, sem fazer as pazes com ele, buscando incessantemente o caminho da conversão! No fim devemos exclamar com a liturgia: Ó feliz culpa que nos trouxe um Salvador da condição de Jesus Cristo, para mostrar que a vivência de Deus como Pai, no amor aos irmãos e na implantação do Reino de Deus já é salvadora por si mesma e destruidora do pecado!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br
Missa em Barretos-SP
17 de Setembro de 2008 @ 17:13 - Equipe PaternoArquivado sob Geral | 9 Comentários | Link desta publicação | Enviar por e-mail
Devotos do Divino Pai Eterno gravam pequeno momento da missa presidida pelo Pe. Robson de Oliveira e colocam imagem no YouTube. A missa aconteceu nesta segunda-feira, dia 15, na Paróquia São Benedito. Fora da igreja tinha quase o dobro de pessoas… Sucesso geral!
RESPONSABILIDADE E CONSCIÊNCIA POLÍTICA!
17 de Setembro de 2008 @ 17:06 - Equipe PaternoArquivado sob Pe. Robson | 3 Comentários | Link desta publicação | Enviar por e-mail
De acordo com a legislação brasileira todas as pessoas entre 18 e 70 anos são obrigadas a votar. Aos abaixo de 18 (até os 16 anos), aos acima de 70 e aos analfabetos o voto é opcional. No entanto, a idade cronológica não pode ser o critério suficiente. Para exercer com discernimento e, por conseguinte, responsabilidade a ato de votar, faz-se necessária a constituição de uma consciência política sadia, madura e crítica. Esta deve ser apreendida desde a mais tenra idade. Caso contrário, são os fatos do cotidiano que nos conduzem à construção da consciência política crível e justa.
Por consciência política compreende-se a pessoa capaz de desempenhar sua cidadania de modo livre, sem condicionamentos previdentes ou mercantis. Trata-se do indivíduo que não coloca os interesses pessoais acima dos interesses da população. Contudo, são muitas as realidades nefastas que deturpam o genuíno sentido da consciência política, acabando por feri-la ou deformá-la na prática, a saber:
1. Fazer do voto um objeto financeiro, desqualificando-o de responsabilidade individual pelo bem ou mal estar da população;
2. Praticar o voto sem analisar a vida do candidato e sua trajetória profissional, humana e religiosa;
3. Subornar o voto de pessoas destituídas de formação profissional qualificada em troca de dinheiro, emprego, cesta básica ou quaisquer tipos de benefícios pessoais;
4. Corromper o sentido do voto por troca de favores para si ou para familiares (nepotismo) e amigos;
5. Fazer da política um carreirismo salarial ou arrimo para a prosperidade pessoal através do desvio de verbas públicas;
6. Utilizar da boa fé do eleitor fazendo promessas puramente “eleitoreiras” que durarão somente o tempo da campanha, uma vez que o município pode não possuir verbas suficientes para tal;
7. Empregar de mecanismos desfalcados ou da formação de psicólogos e publicitários, no intuito de angariar eleitores de forma inconsciente ou de modo falseado e alienado;
8. Buscar a política pela própria política, desmerecendo a participação da população nas grandes decisões municipais além do período de votação;
9. Agredir, por meio de poluição sonora e visual, a cidade e a vida dos eleitores sem adesão ou permissão;
10. Deixar-se influenciar pela beleza do candidato e não por suas propostas políticas e seu planejamento municipal.
Sabemos bem que “todo o poder emana do povo, muito embora pouco dele em seu nome seja exercido” (Gercinaldo Moura). Assim sendo, saibamos valorizar o nosso voto como um ato lícito. Reconheçamo-lo como a oportunidade de mudarmos a vida política de nossos municípios e a estrutura social que nos norteia. Não permitamos vendas, trocas e muito menos a corrupção do ato de votar. Sejamos honestos para elegermos pessoas corretas e íntegras. Se quisermos candidatos éticos no pleito municipal precisamos efetivar a nossa cidadania com ética. Votar por coação é o mesmo que anular o próprio voto. Vale ainda ressaltar que existem duas ferramentas para aqueles que almejam exercer a consciência política: o voto e o impeachment. Pena que este último, na evolução histórica da política brasileira, só foi aplicado ao Chefe de Estado da Nação e do Governo. Se o voto representa a esperança de dias melhores para a população e a renovação das instituições sociais, o impeachment significa que o poder concedido também pode ser negado por dignos parlamentares e, ademais, pela população: início, meio e fim de toda e qualquer gestão política.
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br
A PALAVRA DE DEUS PROVOCA!
8 de Setembro de 2008 @ 15:34 - Equipe PaternoArquivado sob Pe. Robson | 6 Comentários | Link desta publicação | Enviar por e-mail
A força emanada das Sagradas Escrituras nos conduz a um processo de radicalidade em nosso modo de ser e viver. Ela age transformando a nossa consciência para a prática solícita do bem. Falamos da radicalidade compreendida como seriedade de vida e não como alienação. Radicalidade contrária a todo fundamentalismo bíblico ou a uma visão míope das Escrituras Sagradas. A Palavra de Deus provoca o confronto! Diante de sua ousadia profética não nos é possível permanecer inertes ou alheios à sua convocação! Justamente por isso que ao nos confrontarmos com a Palavra acabamos por transformar as nossas atitudes e optamos por uma existência mais radical. É assim que, na fraternidade e no serviço, testemunhamos a radicalidade do batismo, consagrado na fé; a radicalidade da oração voluntária, na esperança e a radicalidade da pobreza evangélica, no amor.
Pela Palavra escolhemos uma radicalidade livre e, ao mesmo tempo, libertadora. Uma radicalidade que não se fundamenta nem no tradicionalismo nem no conservadorismo, mas, pelo contrário, em uma vida enraizada no Coração do Pai Eterno!
Junto à radicalidade também está a revisão das atitudes. As Escrituras Sagradas têm a capacidade de questionar as raízes dos nossos comportamentos e nos fazer pensar se eles estão contribuindo para a nossa salvação e, por conseguinte, para a conversão das pessoas com as quais convivemos e nos relacionamos. No coração daquele que é apaixonado pela Palavra de Deus está alguém que não tem medo de si, que não se assusta com seus sentimentos, crises, tensões e reorientações para a vida. Está sempre revisando a sua caminhada e perguntando: No meu lugar o que faria Jesus de Nazaré? É a pessoa integrada e feliz na escolha assumida. Sabe que é feita de luzes e trevas, de certezas e dúvidas, de certo e reverso, de direito e avesso: é um “ser de contrários”. Exatamente por isso que a revisão acontece cotidianamente, através da leitura orante da Palavra. A revisão habitual e progressiva nos faz revelar no dia-a-dia a face do Amor.
A Palavra de Deus também nos faz possuir um coração de “migrantes”. No coração do Pai somos como que “nômades” e não sedentários. O Pai Eterno também é migrante e o Êxodo é o testemunho deste Deus itinerante que caminha com o seu povo. O coração de migrante nos leva a sairmos de nós, de nosso casulo e irmos em direção a todas as pessoas que estão precisando de nós, sejam elas: abastadas ou angustiadas profissionalmente, pobres, ricas, negras, índias, brancas, africanas, européias ou oceânicas. A Palavra de Deus é universal e não pode ser concebida como patrimônio particular. Ela também não é proselitista, mas, sobretudo, oferecida como dom de Deus a nós!
A Palavra soa ainda como reconversão, revitalização e remigração para o Coração do Pai. Não nos é lícito permitir que a Palavra se torne um museu para visitarmos ou uma múmia para admirarmos. Ela não pode ser enfeite ou ficar nas cabeceiras de nossas camas como uma peça ornamental. O fundamental para um genuíno filho da Pai Eterno é continuar a missão de Jesus de Nazaré.
Assim, somos capazes de vivenciar confiando que a Palavra provinda de Deus é fiel por Ela mesma. Diante dos conflitos é a vivência madura da Palavra que fala mais alto. Diante do medo e da fraqueza é a força da Palavra que pode nos sustentar. Nos momentos de crise e de dificuldade é na Palavra que encontramos a coragem e o descanso. Somos chamados a viver como “bons samaritanos” que oferecem cuidados a quem mais precisa.
Para sermos revigorados pela Palavra precisamos adentrar o caminho proposto para aqueles que querem ser reestruturados em sua humanidade por Jesus. Só é lícito falar da Palavra aqueles que estão sendo iluminados pela Boa Nova do Evangelho. Por isso se faz necessária a vivência de uma espiritualidade bíblica: orando, convertendo-se e vivendo a Palavra, não obstante as provações pessoais. E aqui, meus amigos, bastam as palavras deste artigo, pois acabamos de entrar no campo do Mistério de Deus que nos convida à contemplar no silêncio esta comunhão. Sem espiritualidade não há missão, não há conversão e muito menos anúncio, quer na vida dos cristãos, quer na existência daqueles que possuem fome de pão e da Palavra de Deus!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br
DEIXAR-SE AMAR PARA NÃO INVEJAR!
14 de Agosto de 2008 @ 16:38 - Equipe PaternoArquivado sob Pe. Robson | 18 Comentários | Link desta publicação | Enviar por e-mail
Na inveja está um misto de sentimentos hostis, tais como: a incapacidade de crescimento interior, a comparação doentia, o ressentimento vingativo, a frustração existencial e a inferioridade estagnada. Pessoas invejosas dificilmente se relacionam com tranqüilidade, uma vez que necessitam reafirmar posses, qualidades, valores e vantagens pessoais no intuito de diminuir as pessoas com as quais convivem. Até mesmo algumas críticas destrutivas e o fato de falar mal dos outros demonstram a capacidade dissimulada da inveja.
O pior acontece quando o invejoso não assume que possui a inveja como um dos operantes de suas atitudes invasivas. Vai se formando, então, uma espécie de falseação do ser. A pessoa torna-se vítima do sucesso alheio. Estritamente reprimida, a inveja vai tomando conta da potencialidade da pessoa a ponto de torná-la cópia de tudo aquilo que almeja, pois na raiz da inveja está o sentimento oculto de ser igual ao outro. E se este último também for invejoso, tornamo-nos, portanto, “cópia da cópia”. Na psicanálise este processo é denominado simbiose competitiva: relação na qual um indivíduo se confunde com outro no intento de ocupar o melhor lugar. Justamente por isso surgem as emoções inconscientes como raiva, agitação exterior e incapacitação diante do sucesso de outrem.
Qual é o lugar da inveja? Onde ela mora? Em que parte do humano reside? Na verdade, “a inveja habita no fundo de um vale onde jamais se vê o sol. Nenhum vento o atravessa; ali reinam a tristeza e o frio, jamais se acende o fogo, há sempre trevas espessas […]. Assiste com despeito aos sucessos dos homens e este espetáculo a corrói; ao dilacerar os outros, ela se dilacera a si mesma, e este é seu suplício” (Ovídio, poeta latino). Assim sendo, a inveja é uma resposta cíclica que vai mergulhando a pessoa em um mundo de devaneios e profundas decepções consigo mesma. A inveja tem o poder destrutivo de nos incapacitar ao amor, de aniquilar o sentimento de perdão, de arruinar os sonhos interiores e de destruir, como uma doença viral, a potencialidade da própria pessoa, conduzindo-a ao estado terminal do ser. O invejoso assume, de forma inconsciente, o suicídio lento das suas qualidades mais belas e das suas capacidades mais longínquas.
Em um mundo capitalista, no qual desde a mais tenra idade somos estimulados a competir, fica evidente o alicerce da inveja. Existe até mesmo um dito popular que diz: “Enquanto o invejado sobe os píncaros da glória os invejosos sobem o calvário das lamentações”. Devemos, deste modo, visitar o nosso interior e procurar ali todas as situações que nos remetem a ‘desejar’ aquilo que não nos pertence, a ‘almejar’ o que não é fruto do nosso suor e a ‘cobiçar’ os bens e as qualidades alheias. Saibamos que, a inveja é um desequilíbrio afetivo, emocional e espiritual. Neste sentido, o primeiro passo para a libertação é o reconhecimento sincero de possuí-la. Sem disfarçar, mas, sobretudo, tentando conviver com este mal e, ao mesmo tempo, não compactuando com ele. Não se trata de travar uma guerra interior, com o objetivo de extirpar a inveja bruscamente. Pelo contrário, devemos sim construir um itinerário místico a ponto de minimizá-la até o coração ficar livre.
Se a inveja age como uma formação reativa em vista da destruição de si e do outro, precisamos descobrir que na gratuidade divina há um espaço para a cura. Tomando consciência dos próprios valores e qualidades a pessoa torna-se mais transfigurada, sendo capaz de transpor a sua figura pela figura do amor de Deus. Destituindo as comparações ou as críticas doentias é possível viver livremente sem depender dos bens de outrem para ser feliz! Amar o próprio interior já é uma forma de sair do jugo da inveja. Reconciliar-se com o corpo, perdoar os próprios aspectos físicos e genéticos já é um meio de deixar a escravidão da inveja. Em Jesus de Nazaré encontramos o alento para começarmos a viver amando o que somos e valorizando o nosso interior, sem penhorar a nossa existência nos dons, nas características e nas propriedades dos outros!
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br
A Cruz
22 de Julho de 2008 @ 18:19 - Equipe PaternoArquivado sob Geral | 18 Comentários | Link desta publicação | Enviar por e-mail
Certa vez, um homem cheio de fé cristã fez um pedido e prometeu que carregaria uma cruz sobre os ombros, até a cidade mais próxima, para que o pedido fosse atendido.
Pois bem, nosso personagem fez sua cruz e iniciou sua jornada. Aproximadamente na metade de seu trajeto, em um pequeno vilarejo, ele já sem forças e com os ombros quase sangrando, avistou uma pequena fábrica de cruzes e perguntou ao proprietário:
-”O senhor trabalha com troca?”
O fabricante sem pensar:
-”Sim, trabalho.”
O cristão:
-”Então vou ‘experimentar’ algumas pois já não estou agüentando o peso da minha…”
Passado um bom tempo “experimentando” cruzes e mais cruzes ( pois uma era muito grande, outra muito pesada, outra muito pequena… ), o cristão grita:
-”Achei ! Finalmente encontrei uma cruz na medida certa !!! Quanto lhe devo meu nobre amigo ???
O fabricante com um pequeno sorriso, suavemente responde:
-”Você não me deve nada meu amigo…”, já sendo interrompido pelo cristão, ainda eufórico:
-”Como não devo, o senhor teve trabalho e tenho que remunerá-lo por isso !!!”
O fabricante ainda com o sorriso em seu rosto:
-”Amigo, cada um tem a sua cruz a ser carregada e Deus sabe bem o peso que cada uma deve ter.”
O cristão:
-”Não estou lhe entendendo…”
O fabricante:
-”É simples: quando você começou a experimentar as cruzes, você deixou de lado a sua e no meio a bagunça feita em meu estabelecimento, você optou por esta cruz que é simplesmente a mesma que entrou apoiada em seus ombros…”
A V I D A . . .
17 de Julho de 2008 @ 16:09 - Equipe PaternoArquivado sob Geral | 8 Comentários | Link desta publicação | Enviar por e-mail
“Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade. Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga. Aí sim, a vida de verdade começaria.
Por fim, cheguei a conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade. Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho!
Assim, aproveite todos os momentos que você tem. E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo; e lembre-se que o tempo não espera ninguém.
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade; até que você volte para a faculdade; até que você perca 5 quilos; até que você ganhe 5 quilos; até que você tenha tido filhos; até que seus filhos tenham saído de casa; até que você se case; até que você se divorcie; até sexta à noite; até segunda de manhã; até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova; até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos; até o próximo verão, outono, inverno; até que você esteja aposentado; até que a sua música toque; até que você tenha terminado seu drink; até que você esteja sóbrio de novo; até que você morra…
E decida que não há hora melhor para ser feliz do que AGORA MESMO…
Lembre-se: “Felicidade é uma viagem, não um destino”.
Santuário Basílica do Divino Pai Eterno | http://blog.paieterno.com.br