“Você é pó, e ao pó voltará” (Gn 3,19)

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Viemos do solo fértil de Deus que, em sua generosidade mais bonita, enraizou-se à nossa existência, adubando-a de muito amor, fazendo-nos não apenas criaturas, mas, para além disso, Seus filhos queridos. Do latim temos a palavra húmus, que significa terra. Desse radical vem o termo ‘humano’ e, junto dele, a expressão ‘humildade’. Na história vivida, contada e, só depois, escrita no livro do Gênesis, o autor sagrado demonstrou que o criado está intimamente ligado ao seu Criador. Um jamais se distancia do outro. Nem mesmo o pecado consegue nos afastá-los. Ele pode até desumanizar. Porém, logo em seguida, vem a graça para humanizar novamente, segundo a imagem e semelhança de Deus (Cf. Gn 1,26).

A fé que humaniza nos faz reconhecer aquilo que somos, de verdade, distante de toda arrogância. Nesse lugar privilegiado para o reconhecimento de si não há escapatórias, nem disfarces, muito menos fugas. “Humildade, humano, húmus – estamos todos no mesmo nível em relação à nossa dignidade. Existem pessoas que […] não conseguem aproveitar as oportunidades porque não têm humildade. Qual é o contrário da humildade? Arrogância. Gente arrogante é gente que acha que já sabe, que acha que não precisa aprender […]” (CORTELLA, M. S. Qual tua obra? Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética. Petrópolis: Vozes, 2017, n. p.).

A Quaresma se torna, então, o tempo propício para resgatarmos a nossa humanidade, sepultarmos a arrogância pecaminosa, celebrarmos o dom da humildade, trazendo no coração a certeza de que uma hora retornaremos ao pó, à terra fértil, ao solo que a todos nivela. Eis aí o simbolismo das cinzas quaresmais. De um modo geral, elas decorrem das sobras do fogo. São resultantes diretas das substâncias dos ramos bentos que sofreram um processo de combustão. Na prática dos antigos judeus as cinzas dos animais sacrificados eram tidas como santificadoras. Para nós, cristãos, elas falam da transitoriedade da existência e da fragilidade da condição humana (Cf. Lv 1,16; Nm 4,13; Jd 7,4; Is 44,20; Jr 6,26; Mc 1,12-15).

Sobrepostas na fronte, mas sempre trazidas na alma, as cinzas nos remetem à experiência do recomeço, perante um Pai que cria por amor desmedido e incondicional: “Então Javé Deus modelou o homem com a argila do solo, soprou-lhe nas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivente” (Gn 2,7). Definitivamente, Ele não desiste de nós! Por isso, nos convida à conversão integral, sobretudo, das palavras, do pensamento e das atitudes. É chegado o tempo de visitar as palavras torpes e agressivas, pedindo perdão por cada uma delas. Momento favorável de abandonar os pensamentos de quem vive julgando os outros, mas se esquece de analisar os próprios comportamentos. Reduzidos às cinzas e renascidos delas: celebraremos, adiante, a Páscoa de Jesus.

Para tanto é de fundamental importância o arrependimento sincero e, sua consequência direta, o perdão dos pecados. O erro existe para ser corrigido e é assim que aprendemos: endireitando o rumo, fortalecendo o prumo, aparando as arestas, reparando os exageros, fortalecendo-nos acima de tudo. O arrependimento que gera o perdão só é possível quando nos enxergamos, nos narramos e nos colocamos na condição de pecadores. Em contrapartida, esse reconhecimento faz com que, diante do Pai Eterno, também vejamos a natureza bondosa e agraciada que nos foi concedida por Jesus. No fundo, a Quaresma está a nos dizer que não somos: nem totalmente ruins nem completamente bons. Somos inteiros. Feitos de sombras e luzes!

Só não podemos perder de vista o pedido maior que a própria fé nos faz: “Convertei-vos! Renunciai a todas as vossas faltas! Que não haja mais em vós o mal que vos faça cair” (Ez 18,30b). Sim! Precisamos ficar em pé, sem fazer do pecado uma muleta, amparando-nos somente no poder da conversão. Mas, se cairmos pelo caminho, a graça divina estará ali presente para nos reerguer sempre que necessário o for. Ainda que enfraquecidos, não podemos desanimar. Mesmo em dúvida, não devemos perder as estribeiras. Embora calejados pelo sofrimento, somos capazes de superá-lo dia após dia. Que, partindo das cinzas, possamos chegar aos gestos concretos de reconciliação conosco e com os outros. E, se assim o fizermos, também nos reconciliaremos com o Divino Pai Eterno: “Então o pó volta para a terra de onde veio, e o sopro vital retorna para Deus que o concedeu” (Ec 12,7). Abençoada Quaresma a todos nós!

 Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Presidente-Fundador da Afipe e Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

 

O sentido da Quarta-feira de Cinzas

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O Mistério Pascal de Cristo, isto é, o evento de sua Paixão, Morte e Ressurreição, é fundamento e cume da fé que professamos. Nesse acontecimento, encontra-se, também, a identidade e a razão do culto que elevamos ao Senhor. Por isso, a Igreja celebra o evento pascal com grande solenidade.

Ponto de partida daquele que chamamos de Ano Litúrgico é o comingo, o Dia do Senhor, do qual testemunham várias passagens do Novo Testamento, sobretudo as que falam das aparições do Ressuscitado no primeiro dia da semana (cf. João 20, 1.19,26 etc.). Enriquecido ao longo dos séculos, este dia será importante não só pela Igreja, mas também pela vida social.

Pelo meado do II século, os cristãos escolhem um domingo – a data é motivo de animada discussão – para celebrar a solenidade da Páscoa. Desde o século IV, já existe um tempo de preparação, ao qual é dado o nome de Quaresma, para indicar sua duração de quarenta dias. Este número tem muitas recordações bíblicas, desde a caminhada do povo de Deus, rumo à terra prometida, até o jejum de Jesus, no deserto.

No tempo do papa Leão Magno (+ 461), em Roma, a Quaresma começava no sexto domingo antes da Páscoa e, na conta, compreendiam-se os domingos, dias, porém, em que não se jejuava. No século seguinte, para manter o jejum de quarenta dias, antecipou-se o início da Quaresma na quarta-feira anterior. Eis a origem da Quarta-feira de Cinzas, que marca o início do tempo de preparação e intensa espiritualidade, para dar sentido não somente à celebração da festa, mas para tornar mais coerente com a vida, a celebração da Páscoa.

O sentido deste dia pode ser encontrado nos textos bíblicos e nas orações da liturgia do dia. Na tradição cultural dos povos antigos, também do povo hebraico, colocar cinzas na cabeça é gesto de penitência (cf. Jó 2,12; 2Sm 13,19; Lm 3,16), como destacam as palavras que introduzem o rito de bênção das cinzas: “Roguemos instantemente a Deus Pai que abençoe com a riqueza de suas graças estas cinzas, que vamos colocar sobre as nossas cabeças em sinal de penitência”.

Na oração de Coleta, pede-se que “a penitência nos fortaleça no combate contra o espírito do mal” e a oração sobre as cinzas que “os fiéis que vão receber estas cinzas… possam celebrar de coração purificado o mistério pascal do vosso Filho”. Numa segunda oração, reza-se: “Reconhecendo que somos pó e que ao pó voltaremos, consigamos… obter o perdão dos pecados e viver uma vida nova à semelhança do Cristo ressuscitado”.

Caracterizam esta celebração as palavras: penitência, perdão dos pecados, conversão, coração purificado, domínio dos nossos maus desejos, vida nova, celebrar com fervor a paixão do Filho, Mistério Pascal. O exemplo que Jesus nos deixou e seus ensinamentos, tornam-se referencial para os seus seguidores. O tempo de Quaresma, experiência da divina misericórdia e do perdão do Senhor, aponta para uma vida marcada pelas obras que mostram o batizado qual testemunha de um novo projeto de vida.

O Evangelho do dia (Mateus 6) recorda as três ‘obras’ que distinguem um fiel hebreu: a esmola, a oração e o jejum. Uma insistente recomendação – sempre atual – por parte de Jesus: “Não façam isso só para serem vistos”; neste caso, vocês perderiam “sua recompensa”. Tem um jeito próprio dos discípulos de Jesus: agir sem exibicionismo ou vanglória, ligados só no olhar amoroso do Pai.

Iluminados pela Palavra e a Liturgia, possamos iniciar e viver este ‘tempo favorável’ como precioso dom do Senhor para uma vida renovada e coerente. Por isso, cada um entre em si mesmo, e na sinceridade do seu coração, “converta-se, e acredite no Evangelho”, como pede o ministro enquanto coloca as cinzas em nossas cabeças.

Dom Armando Bucciol

Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia – CNBB

 

Belém é aqui e agora!

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O Natal se configura como o tempo mais sublime da generosidade divina. Isso porque, em Jesus, Deus se torna humano. Ela criou a humanidade, mas só se tornou sangue de nosso sangue e carne de nossa carne com a encarnação do Verbo: “Estes não nasceram do sangue, nem do impulso da carne, nem do desejo do homem, mas nasceram de Deus. E a Palavra se fez homem e habitou entre nós” (João 1,13-14).

O nascimento de Jesus é o momento propício para celebrarmos a simplicidade de Deus. Os Evangelhos dão o testemunho de que Ele se instalou em uma região de extrema pobreza, entre jumentos e bois, nascido na manjedoura, porque não encontrou lugar no coração dos homens. Mesmo assim, em Sua infinita candura, assumiu tudo o que era próprio do humano, exceto o pecado. Partindo da nossa vulnerável condição, deu-nos vida e concedeu-nos o dom da salvação!

Hoje, Ele não nos pede ouro, incenso, muito menos mirra, mas, sobretudo, o nosso coração. Ainda que ele esteja ferido por mágoas passadas ou dilacerado por intensos sofrimentos, não devemos ter qualquer temor de entregá-lo nas mãos de Deus. Somente a fé pode renovar o interior de nossa alma, nos ensinando a perdoar cada ofensa sentida, a superar cada dificuldade experimentada e a transformar as atitudes envelhecidas em comportamentos renovados pela generosidade.

Faz bem lembrar que, em nós, habitam dificuldades e habilidades, sombras e luzes, acertos e erros, fortalezas e fraquezas, bem como limites e superações. Mesmo assim, em nós também mora a semente genuína de Deus que se sobrepõe a todo mal. No Natal, é preciso visitar as profundezas que nos constituem e ali encontrar a manjedoura divina. Nela está o Menino Jesus, aguardando por nós, de braços abertos.

Ele vem para trazer vida e salvação onde antes habitava o pecado e a perdição. No lugar da mágoa ressentida, aparece o perdão que liberta. Ao invés do ódio doentio, nasce o amor que reconcilia. Na contramão do desespero frustrado, a esperança viva. “Eu lhes darei um só coração e os animarei com um espírito novo: extrairei do seu corpo o coração de pedra, para substituí-lo por um coração de carne” (Ezequiel 11,19).

De fato, o Natal reconcilia o nosso passado, santifica o momento presente e protege a dimensão futura desta existência que nos foi dada. Mesmo celebrada anualmente, a encarnação de Jesus transcende ao tempo, porque é eterna. É incondicional, pois não escolhe a quem salvar. É igualitária, uma vez que não age por meritocracia. É sagrada, visto que Deus mesmo vem para divinizar o humano.

O Verbo não aparece sob as meras roupagens de um infante. Pelo contrário, nasce como criança, sem posses e com a marca permanente da pobreza. Não lhe era apenas uma realidade de marginalização, mas também um modelo de vida. Em Cristo, a pobreza é vivida por condição e assumida por opção ao projeto do Pai Eterno. É por isso que, não excluindo aos demais e vindo para todos, Jesus escolhe, sobretudo, os oprimidos, as mulheres, os enfermos, as crianças, os humildes e toda sorte de pecadores que: foram colocados no último lugar, quando deveriam vir em primeiro.

Deixemos que o Natal não seja apenas uma data específica dos finais de ano. Mas, do contrário, um modo de vida, inserido na eternidade. Muito além da ceia e da troca de presentes, devemos levar afeto, gerar reconciliação e testemunhar a esperança frente a uma sociedade que tem se exilado de Deus. Que as nossas palavras e os nossos exemplos deem testemunho da fé que professamos no Divino Pai Eterno. Que o amor do Pai, a salvação do Filho e a santificação do Espírito Santo norteiem a evangelização assumida por nós, concedendo-nos força e perseverança sempre!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

 

Cooperadores de Deus

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Jesus começa sua vida pública logo após ter sido batizado por João Batista nas águas do Rio Jordão. Retira-se, então para o deserto. Ali, abre mão de tudo. Esvazia-se, de si para que o Pai pudesse ser todo Nele. E, realizar através Dele, todo Seu desígnio de amor.

Uma vez tendo sido batizado e recebido o Espírito Santo, Jesus torna-se apto a exercer no mundo a missão recebida do Pai: “anunciar a boa nova aos pobres, proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista, libertar os oprimidos e proclamar o ano de graça do Senhor” (cf. Lc 4,18). Este é, segundo o evangelista Lucas, o programa da atividade missionária de Jesus.

Compreende-se, então, que o Batismo qualificou Jesus à condição de enviado, de missionário e mensageiro de Deus ao mundo para conduzir a humanidade toda à Redenção Eterna. Missão que Jesus não realiza sozinho. Ele chama outros para serem seus auxiliares e cooperadores nesta grande, árdua, penosa e difícil missão. E, disse logo aos escolhidos o que veio fazer: “anunciar a Boa Notícia aos pobres e oprimidos” (Lc 4,18).

Ao revestir-se do Espírito Santo, a exemplo de Jesus, todo batizado recebe também o chamado a ser discípulo missionário de Jesus. Torna-se, um cooperador de Deus na obra de redenção. E assume em sua vida as mesmas atitudes de Jesus: o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo assim como Ele nos amou. E, acolhe alegremente o Espírito que os discípulos receberam em Pentecostes: “Ide, pois, fazei que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei” (Mt 28,19-20).

Para exercer bem a missão que Deus nos confiou, é preciso compreender que o que nos qualifica como missionários de Jesus é o Batismo. A partir dele, toda nossa ação precisa estar voltada para fazer a vontade de Deus em nossa vida e na vida daqueles a quem somos enviados. Portanto, o primeiro passo é o esvaziamento de nós mesmos e de nossas vontades. Outros aspectos também são fundamentais: amar a missão assumida, estar convicto e preparado para o exercício dela, saber o que vai anunciar, a quem, quando e como anunciar, abrir mão das certezas e convicções pessoais, evitar a autossuficiência, prepotência e arrogância, não sentir-se mais importante que a mensagem, não buscar recompensas e acreditar na força da missão e na ação do Espírito Santo sobre ela.

Buscar ajuda e contar com a participação de todos no processo de evangelização é indispensável. Nesse sentido, Papa Francisco recorda que “a missão é tarefa eclesial e não se restringe a um grupo, pastoral ou movimento”. De tal modo que “nenhum sujeito eclesial deve se apropriar desta tarefa que é de todo povo de Deus”. E, Francisco insiste na necessidade da oração para obter o sucesso da missão. Ela é o que nos sustenta em Missão.

Por fim, é preciso que o missionário seja um vocacionado da missão recebida e assumida. Vocação e missão são inseparáveis. Sem a vocação, a missão não é mais que profissão. Por outro lado, a vocação, sem a missão, seria um gesto incompleto. Deste modo, o missionário trabalha e Deus realiza o sucesso da missão. Quem é importante na Missão? O “importante não é aquele que planta, nem o que rega. O importante é Aquele que faz crescer: Deus. Nós somos apenas cooperadores de Deus”. (cf. 1Cor 3, 6-7).

Pe. Edinisio Pereira

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

A oração traduz o amor que o Pai Eterno tem por nós

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De todas as conquistas alcançadas ao longo da nossa existência a mais importante delas já nos foi dada: a graça de sermos filhos do Pai Eterno. Maior amor não há. “Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus” (I Jo 3,1-2a). Nele fomos reavidos do pecado que penhorava a nossa esperança. Por Ele conquistamos aquilo que pensávamos ser impossível. Em função Dele assumimos a missão de evangelizadores, não só pelo anúncio da Palavra, mas, sobretudo, pelo testemunho concreto da caridade, em função dos mais pobres e abandonados.

Antigamente, caminhávamos feridos na alma pelas difíceis estradas da vida. Agora, na medida em que assumimos a nossa condição de filhos e devotos, encontramos forças para ultrapassar os sofrimentos do cotidiano, sendo sustentados e amparados pelas mãos amorosas do Pai Eterno. Vejam só! Tudo o que recebemos pela fé só nos vem pelo fato de sermos filhos. Amados pelo Pai também somos convidados a amar. Cuidados, igualmente devemos cuidar. Não podemos ficar com uma graça tão grande como essa apenas para nós. É preciso anunciá-la sempre mais. “Vocês receberam de graça, deem também de graça” (Mt 10,8).

No coração do Pai Eterno prevalece o desejo incondicional de nos salvar, a partir de um amor absoluto, sempre habilidoso em compreender as nossas precisões e a engajar-se conosco, principalmente, para que consigamos vencê-las no dia após dia. Não rezamos para convencer a Deus do que nos falta nem para recordá-lo do que carecemos, muito menos para fazê-lo sentir piedade de nós. Do contrário, a oração é, antes de tudo, o meio pelo qual experimentamos o afeto absoluto de Deus que nos faz filhos e nos convida a viver na dignidade dessa divina filiação.

Na verdade, rezamos porque temos necessidade do amor do Pai. Não sabemos viver distantes de Sua terna presença. Sem sombra de dúvidas, Nele depositamos o horizonte primeiro e último da existência que construímos depois de tantas demolições. Não há problema algum de expor, em nossas orações, as angústias despertadas, os medos ocultados, as dificuldades sentidas, as mágoas nutridas, dentre tantas outras dificuldades. Afinal de contas, somos Seus filhos queridos. Mas, ainda assim, Deus não permanece no alto do céu, aguardando pelo momento em que vamos acordá-lo com preces variadas. Acreditamos verdadeiramente que Ele não está dormindo diante dos nossos tormentos.

Sabendo primeiro daquilo que precisamos, Deus já sai para buscar a nós, se empenhando em nossa luta, que também é sua. Incapaz de nos provar, também não nos despacha nenhum sofrimento. Na verdade, as dores da vida são consequências dos limites da existência. Enfim, não podemos tudo e a realidade do mundo nos diz isso. Logo, em Sua eterna bondade, jamais nos envia doenças, quanto dirá provações. Pai que é Pai, a todo o momento, quer o nosso bem, sem cessar de nos proteger na esperança, cuidar no amor e fortificar na fé!

Portanto, antes mesmo que peçamos, Ele já está nos amparando perante os padecimentos da vida. Sua atuação vai rompendo com toda a amargura, concedendo um lugar de afeto para que consigamos nos reorientar. Junto Dele encontramos novas soluções para tantos problemas. Algo que só é possível porque Nele está o nosso socorro fiel. Que possamos fazer também de nossas preces experiências profundas de encontro com o Deus que nos ama. Desse ‘encontrar’, entre o divino e o humano, nasce a fé que aquece o coração. Que nela alcancemos a força necessária para avançarmos adiante da dor. Deus jamais nos deixará desamparados!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Presidente-Fundador da Associação Filhos do Pai Eterno

Paulo Apóstolo e seus colaboradores

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Mês de outubro é reservado para que a Igreja reflita de modo mais aprofundado sobre a sua vocação missionária. Parece-nos oportuno refletir este tema à luz do testemunho do apóstolo Paulo e seus companheiros, ou melhor, e seus colaboradores, afinal, em suas cartas, Paulo faz um uso abundante do termo synergos que significa literalmente “colaborador” em referência àqueles que estavam com ele na missão. Paulo e seus colaboradores é um tema muito rico e vasto, que ilumina, também, o ano do laicato que celebramos.

Afinal, no exercício do apostolado de Paulo entram como participantes muitos homens e mulheres de diversos modos e de grande estatura humana e moral, inclusive alguns que a Igreja venera como santos. Basta pensar, por exemplo, a Lucas, Barnabé e Timóteo. O anúncio do Evangelho realizado por Paulo é um trabalho de equipe. Este tema nos ajuda a compreender uma característica marcante do estilo pastoral do apóstolo Paulo: o seu trabalho realizado com a ativa participação de outros membros.

O caminho escolhido por Paulo nos dá o testemunho de vários colabores que deram assistência direta na missão do apóstolo em anunciar o chamado “Evangelho de Cristo” pelo qual Paulo era apaixonado. A literatura bíblica que temos à nossa disposição mostra Paulo rodeado de homens e mulheres, jovens e anciãos no anúncio do Evangelho, no seu trabalho de fundar e organizar as comunidades cristãs, na elaboração das estratégias necessárias para enfrentar os problemas pastorais do seu tempo e encontrar meios para resolvê-los. Essa propensão paulina do anúncio do Evangelho em equipe não se apresenta como uma novidade na história do cristianismo.

Já nos Evangelhos, Jesus propõe o apostolado como uma missão a ser realizada em equipe: “O Senhor designou ainda outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois” (Lc 10,1; cf. Mc 6,7). Disso já tiramos consequência prática para a nossa realidade pastoral: a evangelização é uma missão tão elevada e exigente que somente pode ser realizada em equipe.

Daí, não nos surpreende que nos Atos dos Apóstolos, assim como nos Evangelhos, o termo “apóstolo” quase sempre aparece no plural e quase nunca no singular. Isso indica que a vocação apostólica não pode ser vivida a sós. Paulo entendeu bem isso: “Não se pode ser apóstolo a não ser em equipe, na Igreja” (W. Roger, Paul de Tarse. L’homme et son oeuvre). Por isso, a importância que ele dá aos colaboradores em sua missão de apóstolo.

São numerosos(as) colaboradores(as) de Paulo, se queremos dar um rápido olhar, destacamos três grandes figuras como: Barnabé, Timóteo e Apolo e tantos outros como: Marcos, Silas, Tito, Lucas, Áquila, Epafrodito, Apolo, Epafras, Tíquico, Aristarco, Demas e Silvano; tantas mulheres: Damaris, Lídia, Priscila, Febe, Maria, Trifene, Trifone, Ninfei, Evodia e Síntique. Como se vê, trata-se de um número considerável, composto de pessoas diferentes.

Pe. João Paulo
Missionário Redentorista
Mestre em Exegese Bíblica

Uma vida convertida à Palavra

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A Palavra de Deus se revela a nós cristãos, salvando-nos de nós mesmos, convertendo-nos desde dentro, transformando-nos no dia a dia, para que nos humanizemos cada vez mais, perante o pecado que tanto nos desumaniza. Distante da Palavra a vida cristã fica esvaziada de sentido. Fora dela o desespero toma conta do nosso coração. Sem ela ficamos reféns do ódio. Isso quando não nos tornamos aprisionados ao cativeiro da mágoa: moendo e remoendo tantos sentimentos amargos. 1968: Há cinquenta anos, um papa pisava na América pela primeira vez.

De 22 a 25 de agosto de 1968, o Papa Paulo VI visitava a Colômbia. Em Bogotá participou do XXXIX Congresso Eucarístico Internacional e abriu a II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (Conferência de Medellín).  As Escrituras Sagradas nos tocam, dizem respeito a nós, têm uma relação profunda para conosco. “A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto onde a alma e o espírito se encontram, e até onde as juntas e medulas se tocam; ela sonda os sentimentos e pensamentos mais íntimos. Não existe criatura que possa esconder-se” (Hb 4,12). Dela não podemos abrir mão, muito menos abdicar- nos do compromisso que ela mesma espera de nós. Ou a colocamos em prática ou, do contrário, corremos o risco de depor contra ela diante dos outros.

A Palavra sempre solicitará pelo nosso testemunho fiel. Não só no mês de setembro, mas vida afora, precisamos ficar em contato permanente com a Escritura de Deus. Ela não se encontra impressa apenas no papel. Para além das folhas que se dissolvem com o tempo, a Palavra deve estar fixada em nossos corações. É fundamental que nos convertamos a ela. Isso parece óbvio. Porém, existe o risco de que a queiramos convertê-la a nós, segundo os nossos critérios, inclusive com interpretações pessoais, deturpadas ou literais. Lutemos pela plenitude de vida, sem deixar de mirar na Palavra que nos direciona pelos difíceis caminhos da vida. Ela nos concede o norte que aponta para Deus.

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

A sabedoria em defesa da vida

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A Palavra de Deus é um pão a ser partilhado na comunidade. O mês da Bíblia, celebrado em setembro, deseja ajudar as comunidades a tomarem consciência do lugar da Palavra na vida dos fiéis. Neste ano de 2018 nos é proposto um estudo e reflexão do livro da Sabedoria, especialmente, sobre a visão bíblica oferecida por este livro em relação ao “mundo” – entende-se por mundo a realidade que nos circunda e na qual nós vivemos, é o cosmos bíblico – isto é, qual sentido e qual o valor do “mundo” para o ser humano?

De antemão, para o sábio bíblico, o mundo é visto como criação e dom do Criador confiado aos cuidados do ser humano. O ser humano apresentado no livro da Sabedoria não concebe o “mundo” como uma realidade separada e contraposta a ele. Antes, o “mundo” é visto como o próprio processo de mudança histórica e como o lugar da ação de Deus na vida humana. Ao contrário da visão que vê Deus somente nas grandes manifestações, a experiência de Deus para o sábio bíblico é feita no quotidiano da história, onde criação e salvação estão estreitamente ligadas entre si. Por isso, o convite deste livro para nossa realidade hoje é justamente este: descobrir o sentido do “mundo” que vivemos dentro do projeto salvífico de Deus, afinal, a ação de Deus na história do seu povo é algo que envolve toda a criação.

É muito atual e urgente essa reflexão que nos faz encarar o “mundo” que vivemos de modo diferente. Talvez nos sirva como síntese essa visão: “Ele criou tudo para que subsista; são salutares as gerações do mundo: nelas não há veneno destruidor, e o hades não reinará sobre a terra” (Sb 1,14), ela nos ajuda a compreender que a criação é boa e portadora de salvação. A ideia central é que toda terra é plena da presença do Espírito de Deus.

Sábio é aquele capaz de ver o “mundo” criado como algo desejado por Deus e bom para a humanidade, aquele capaz de conceber o mundo ordenado para a vida e não para a morte. Aquele que é capaz de admitir que todo o mundo criado por Deus, além de bom, tem, também, um valor salvífico. Ainda este versículo 14, na sua parte final, oferece uma resposta indireta ao problema do mal quando diz que nem mesmo o hades, isto é, o poder da morte, é capaz de destruir o projeto salvífico de Deus. O sábio reconhece este valor do mundo, enquanto o ímpio o nega. E nós, como nos relacionamos com Deus a partir da realidade das coisas criadas por Ele?

Pe. João Paulo
Missionário Redentorista
Mestre em Exegese Bíblica

Vocação à luz da Sagrada Escritura

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Em agosto, a Igreja dá especial atenção à reflexão sobre a vocação cristã em suas variadas dimensões. De que modo a Bíblia pode iluminar essa reflexão? Apresentamos algumas considerações que podem ajudar a entrar no tema proposto. Antes de tudo, o tema da vocação não é somente recorrente entre nós, mas é indispensável. De tantas perspectivas, certamente já refletimos muito este tema. E sobre a reflexão vocacional, não podemos prescindir do texto fundamental da nossa fé, afinal, entendemos que a Palavra de Deus está na origem da nossa vocação.

A Sagrada Escritura é, por excelência, o livro da vocação. Simultaneamente humana e divina, a Palavra de Deus apresenta um notável caráter apelativo e, por isso mesmo, uma inquestionável força vocacional. De fato, percorrer as páginas da Escritura é viajar por entre numerosos e diversificados relatos de chamados divinos e de respostas humanas. Podemos até afirmar que toda a Palavra de Deus é vocação, dado tratar-se de um chamado explícito ou implícito de Deus ao ser humano, a que este responde de forma positiva ou negativa, com maior ou menor ousadia. Contudo, há páginas em que a temática vocacional se evidencia, nomeadamente aquelas que apelidamos de “textos de vocação” ou “histórias vocacionais”.

O termo “vocação” e, de modo geral, o ato de “chamar” faz referência ao processo que descreve a condição do ser humano, convidado a dialogar com Deus e, em consequência desta relação, a escolher viver segundo um projeto de felicidade e salvação. Deste modo, olhando os personagens e a teologia das narrações bíblicas onde são representados os dinamismos do chamado divino e da resposta humana, a vocação não aparece de modo estático, como se fosse um bem adquirido, mas aparece como um caminho de gradual amadurecimento da descoberta a ser realizada em relação ao projeto de Deus, princípio e fonte de toda vocação.

Nesta perspectiva, a existência humana pode ser entendida como um caminho vocacional, lugar onde se pode experimentar diversos “chamados” que ajudam a acolher, confirmar e verificar a verdade que sinaliza o projeto de um caminho para a vida. Portanto, a vocação se apresenta como supremo apelo à consciência e indiscutível tarefa de toda existência humana que vive na fé a sua história de amor e se abre na esperança ao cumprimento do projeto salvador. Entendendo esta relação como projeto, logo, ela determina o próprio ser da pessoa humana, o seu destino de criatura, colocada diante do Criador.

Pe. João Paulo
Missionário Redentorista
Mestre em Exegese Bíblica

De onde parte a nossa vocação?

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Definitivamente, a vocação cristã tem origem no coração do Divino Pai Eterno! De lá, ela parte e para lá, ela chega. Dele viemos. Nele somos e existimos. Para Ele haveremos de retornar quando a morte vier e a vida seguir adiante na eternidade. Pela vocação assumida sempre partiremos e voltaremos à Casa do Pai. Em sua divina bondade, Ele nos confia talentos dos mais variados para que sejam utilizados na construção de seu Reino, já aqui na Terra, como uma antecipação do céu. São esses dons que alicerçam a comunidade dos batizados.

Algo que só é possível quando nos colocamos a serviço de cada vocacionado. Já não há escapatórias para quem se deixa escolher e enviar por Deus. Esse chamamento não vem nem por nossos méritos nem por nossa dita importância. Na verdade, a vocação brota por pura gratuidade divina. “Ele nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não por causa de nossas obras, mas conforme seu próprio projeto e graça” (II Tm 1,9). Por nos ter sido concedida de graça precisamos reparti-la gratuitamente, jamais usando-a em benefício próprio, mas sempre em função dos nossos irmãos, principalmente, os mais pobres. “Não foi Deus quem escolheu os que são pobres aos olhos do mundo, para torná-los ricos na fé e herdeiros do Reino que ele prometeu àqueles que o amam? (Tg 2,5).

Compreendendo a gratuidade de cada chamado é que também acolhemos a igualdade de cada vocação. Por conta disso, o serviço do padre não é mais importante que o da freira. Muito menos o da freira é mais admirável que o dos leigos. Independente de ser uma coordenadora da comunidade ou de ser um fiel sentado no banco: todos são imprescindíveis para que o amor do Divino Pai Eterno seja conhecido, abraçado e vivenciado. Que neste mês de agosto tenhamos a bonita disposição de retornar ao sonho original, ao princípio de tudo, ao primeiro chamado que nos moveu a abraçar a fé cristã, por meio da vocação escolhida. Somente assim poderemos testemunhá-la na verdade merecida.

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

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Rede Vida

Segunda, terça, quinta e sexta: 7h Quarta: 9h

Sábado: 7h e 17h30

Domingo: 17h30

TV Anhanguera

Domingo: 5h30

PUC TV

Sábado e domingo: 17h30

TBC

Domingo: 8h

Rede Pai Eterno

Missas Segunda, quarta, quinta e sexta: 7h
Sábado: 7h e 17h30
Domingo: 5h45, 8h e 17h30

Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 4h, 12h e 22h Novena do Perpétuo Socorro Todos os dias: 2h

Rádio Difusora Goiânia

Missas Domingo: 8h Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 13h