Cuidemos de nossa casa comum

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A aguardada Encíclica do Papa Francisco (Laudato si), publicada em 18 de junho, nos convida a uma séria revisão de vida, principalmente, no modo como temos maltratado e saqueado o planeta. É imprescindível que o clamor dos pobres e o grito da Terra rompam com as agressividades que perpetramos contra o meio ambiente, vilipendiado por um modo de vida consumista e insustentável.

Nos alerta o Santíssimo Padre que o ambiente natural se degrada em conjunto com o ambiente humano. Neste sentido, as preocupações ecológicas e as abruptas mudanças climáticas dizem respeito a todos nós, que devemos reconhecer a contribuição, seja ela pequena ou grande, que temos na destruição do ambiente. Afinal de contas, trata-se da nossa habitação comum e essa é uma realidade global, de um sistema que impõe a lógica do lucro a qualquer custo, ignorando a destruição da natureza e a exclusão social.

Equivocadamente, pensamos que os recursos naturais são inesgotáveis. A biodiversidade é cada vez mais reduzida e tem impacto direto em nossa alimentação e até mesmo na cura de doenças, que poderiam ser tratadas a partir de elementos da própria natureza. Nesses atos de negligência, colocamos em risco o presente e o futuro das próximas gerações. Além dos problemas ambientais, os hábitos vigentes levam a outras sérias questões como a fome, a corrupção e a impunidade generalizada; o preconceito, a discriminação e o racismo; o desemprego como exclusão social; e a leis que beneficiam os ricos e menosprezam os pobres.

A indústria costuma nos alienar, nos levando, com suas fabricações em série, a uma homogeneização cultural. Soluções exclusivamente técnicas ignoram as problemáticas e dinâmicas locais. A alienação se estende, ainda, aos produtos que consumimos. Desconhecemos suas origens, a maneira como foram feitos, a quantidade de animais sacrificados, o número de florestas derrubadas, a porção de poluentes lançados em nossos rios e na atmosfera, a extensa contaminação da água e do solo. A produção é tão acelerada que não se pensa mais no destinatário de determinado produto. Produz-se para um ‘eu coletivo’ sem nome, história e lugar. A qualidade do produto não é medida pelo feitio da apurada peça. Pelo contrário, a qualidade é associada à quantidade de mercadorias comercializadas indiscriminadamente.

Ignoramos, até mesmo, o trabalho escravo, ou análogo à escravidão, que ali foi empregado sem o menor pudor. Fundamentada no lucro alienado, a indústria agrícola, têxtil e eletrônica, confundiu a pessoa humana com a máquina, fazendo com que sua vida fosse pautada pela produção contínua, transformando-a em mais uma mercadoria. Hoje, a pessoa, motor da economia, se vê obrigada a ceder espaço para o lucro, sem proporções. O trabalho que, antigamente, enaltecia, agora, desumaniza o próprio trabalhador.

Embora a situação tenha se agravado nas últimas décadas, ainda temos a chance de intervir, de maneira positiva, permitindo que a Terra e o homem retomem as condições propícias para revivificar-se. A regeneração é uma das suas características mais visíveis. Ao mesmo tempo, também nos ensina as consequências das destruições que nela operamos.

É urgente a conversão da nossa mentalidade, construindo uma nova consciência ambiental. Não é a Terra que necessita de nós, somos nós que dela precisamos. “Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante.” (Albert Schwweitzer).

A casa partilhada precisa ser mais bem cuidada. Para tanto, devemos assumir a cordial obrigação de responder pelo futuro do planeta. A temática da sustentabilidade não é propriedade dos intelectuais, muito menos, dos ecologistas. É preciso tomá-la, pelas mãos, se quisermos oferecer um lar, segundo o coração de Deus, para as próximas gerações. Conforme ressaltou a Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, em 2003, “o ambiente situa-se na lógica da recepção. É um empréstimo que cada geração recebe e deve transmitir à geração seguinte”.

Diante da crise, falta Deus, falta amor, falta caridade; dentro de uma ampla ausência de consideração pelo humano. O ofício de cuidar da criação nos foi confiado. E nós, como comunidade católica, devemos ser semeadores da mudança, adeptos da cultura da solidariedade e do encontro. Questionemos nossas atitudes e reconheçamos se, por algumas vezes, e dos mais variados modos, não alimentamos o capitalismo do lucro pelo lucro. Examinemos nossa consciência nos juros que cobramos. Olhemos se não estamos consumindo sem limites. Revisemos nossas prateleiras existenciais e perguntemos: Qual foi a última atitude que fizemos em favor de um pobre? Qual foi o dia em que deixamos de ir passear para visitar uma família carente na periferia de nossas cidades? Quando foi o último celular que compramos e a última cesta básica que doamos? Agora, é hora de questionar se temos correspondido à fé que é: moral e política, doutrinal e histórica, cultural e, integralmente, ecológica. Que possamos retirar um tempo para a leitura, colocando em prática os dizeres desta importante Encíclica Social!

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

 

Você precisa de tudo o que carrega em sua sacola?

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O telefone toca. Desesperada, aquela nobre senhora procura-o dentro de sua bolsa que mais parece um velho baú cheio de quinquilharias. Sem sucesso. Há tantas tranqueiras em tão reduzido espaço, que ela sequer encontra o aparelho antes que pare de tocar. Ela abre o zíper de sua bolsa e despeja tudo em cima da mesa. Eram quatro aparelhos. Pensativa, ela fita-os, um a um e murmura: “Qual deles, meu Deus, será que tocou?”. Passado o susto a conversa entre nós prossegue. E, mais um pouco, ela reclama que há muito convive com fortes dores lombares. Também pudera, pois com todo aquele peso…

O guarda-roupas está cheio do que já não se usa mais. Na garagem, quatro carros de marcas diferentes. Nas paredes da sala de estar, quadros de fotografias antigas. A estante cheia de lembrancinhas e de objetos antigos, amarelados pelo tempo. Empoeirados até. Nas prateleiras do escritório enciclopédias, títulos e livros que, conforme Raul Seixas, “só servem para quem não sabe ler”. “São peças que não se pode jogar fora”, diz o primeiro. “É necessidade”, argumenta o segundo. “São registros que jamais poderão ser esquecidos”, pondera o terceiro. “Todas estas coisas – e outras tantas – são muito caras a mim. Me são úteis. Não posso, não consigo viver sem elas”, justificam todos. E, assim, a vida passa…

Com o passar dos tempos, o do guarda-roupas reclama do mau cheiro dentro do quarto. O dos carros protesta contra o alto e abusivo preço dos combustíveis e o valor do licenciamento anual de seus veículos. A dona das fotografias começa a apresentar sintomas de depressão ao relembrar parentes e amigos que já se foram. O outro, ainda, vai às pressas à farmácia comprar medicamentos para combater a alergia por conta dos ácaros, fungos e bactérias nos livros antigos… Nesse contexto, a vida vai amargando, ficando pesada. Com os excessos, os corpos começam a apresentar sinais de cansaço, fadiga, estresse. O “caminho”, que era para ser bonito e prazeroso, torna-se difícil e longo. Cada pequena coisa acumulada, no todo, torna-se, para eles, pesada por demais.

Alguns acumulam por medo do amanhã. Outros, para serem vistos pelo que têm. Outros, para se sentirem seguros, amparados. Outros ainda, pelo pior de todos os males, ambição, ganância. Jesus é muito claro em Seus ensinamentos. Ele não é contra o “ter”. É a favor do básico, do necessário: “Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos, nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão; pois o operário merece o seu sustento” (Mt 10,9-10). Água demais mata a planta afogada. Se faltar, ela morre de sede. O ideal é que seja irrigada na medida certa: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu Reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6,33).

Contudo, se eu não guardar para o amanhã, o que vou comer, então? O que vou beber? O que vou vestir? Bem, neste caso, o importante é não cruzar os braços na doce ilusão de que tudo caia pronto do céu, pois “você comerá seu pão com o suor do seu rosto, até que volte para a terra, pois dela foi tirado. Você é pó, e ao pó voltará” (Gn 3,19). Assim nos orienta Jesus: “Não vos inquieteis o coração”. E nos diz ainda: “Os gentios é que procuram todas estas coisas; pois, o vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas” (Mt 6,31-32). Vale aqui o conselho para o trabalho diário que dignifica a pessoa humana e os bens adquiridos por ele são graça e dom recebidos de Deus.

Não é possível viver na mentira e ser uma pessoa iluminada e feliz. “Terra não guarda segredos”, diz um ditado popular. A todo momento, o ser humano tem que decidir entre o bem e o mal, ficar e partir, chorar e sorrir, amar e odiar, viver e morrer. Deste modo, cada um de nós traz dentro de si duas realidades: a fome física, que é diária e cessa com a nossa morte para esta vida; e a fome de Deus, que nada mais é do que a necessidade de amar e sentir-se amados. Essa realidade terá sua saciedade na eternidade, em Deus.

“É preciso deixar tudo para ganhar tudo”, conforme nos ensina Santo Afonso. Ter pouco e um coração agradecido, ou ter muito e viver na lamúria, é escolha pessoal. Carregar na bagagem do coração o totalmente necessário ou o absolutamente supérfluo é opção de cada um. É como diz o ditado: “Plantou, colheu”. A nobre senhora dona da bolsa? Não sei por onde anda! Deve estar por aí, em algum lugar do Planeta Terra com a bolsa mais cheia que antes, aguardando novas ligações…

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

Francisco ternura

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Eu sempre apostei na sensibilidade, na ternura, no afeto. Minha vida inteira foi assim. Com essas armas enfrentei o mundo desde pequeno na casa da minha família. Sou partidário do carinho, do abraço, do beijo, da alegria de viver. Olho para o Papa Francisco e, além de prestar atenção em suas palavras, observo seus gestos. Ele é sempre tão afetuoso com as crianças, com os idosos, com as famílias, com os jovens, com os noivos. Durante a viagem que ele faz à nossa América do Sul, procurei acompanhar, nas imagens da TV e nas fotos, os momentos em que ele se derrama de ternura em gestos bem simples de carinho.

Uma dessas situações ocorreu em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Essa cidade me toca bastante porque lá reside meu único confrade cardeal da Igreja, Dom Julio Terrazas Sandoval, C.Ss.R., que por sinal está atravessando problemas sérios com a saúde. Santa Cruz é uma cidade que tem quase a idade do Brasil e é a segunda mais importante do País. Lá, o Santo Padre, em cima de um belíssimo altar, enquanto aguardava o momento de falar, foi surpreendido com a aproximação de uma criança indígena com seu vestidinho branco. Ela chegou e já foi se aconchegando no colo do Papa. Francisco acolheu a criança como se fosse alguém que ele conhecesse desde o nascimento, com a intimidade de um “avô” querido. Passou a mão na farta cabeleira da garotinha e ficou olhando para o desenrolar da cerimônia. A menina ficou um tempinho, se desenrolou dos braços do Papa e saiu enquanto ele a acompanhava com olhos sorridentes.

Um gesto de enorme simplicidade, rápido e creio que nem foi tão notado pelas câmeras. Os grandes holofotes estavam com atenção dividida. Os maiores se endereçavam a polêmicas artificiais como aquela de terem espetacularizado a troca de presentes, como de praxe fazem todos os chefes de estado quando visitam oficialmente uns aos outros, entre Evo Morales e o Papa. O presidente boliviano doara um crucifixo de madeira com o crucificado sobre os símbolos clássicos do comunismo. Pelos esclarecimentos posteriores, se tratava de uma peça artesanal feita por um jesuíta assassinado e que tinha a intenção de mostrar a presença da dor de Cristo na luta dos camponeses pobres da Bolívia.

Outros holofotes, menores, procuravam dar eco à palavra inspirada e profética de Francisco que, num encontro com movimentos sociais, pediu: “Digamos juntos, de coração: nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá”.

Eu, da minha parte, sem me esquecer dessas realidades mostradas pela cobertura jornalística que dá dois pesos e duas medidas para os assuntos, me volto para a cena daquela menina e o Papa. A mudança do mundo se dará, no meu entendimento, somente no dia em que os povos, as famílias e as pessoas aprenderem a lição explícita do que fez a menina e o Papa: aproximarem-se sem medo uns dos outros; acomodaram-se com confiança no território do coração uns dos outros e, ao voltarem para seus lugares, permanecerem alegres com a certeza de que a paz está sempre garantida onde se planta a não-violência.

Aquela menina indígena, em seu rápido passeio pelo colo do Papa Francisco, me deixou uma mensagem que eu levarei para minha vida a fim de corrigir meu comportamento e confirmar meus propósitos: a ternura poderá salvar o mundo. Papa Francisco tem sido um extraordinário apóstolo dessa verdade. E, junto aos povos mais flagelados pela pobreza aqui nessa parte de baixo da América, nos confirma no caminho do Reino já presente nesse mundo e o definitivo que nos aguarda na eternidade.

Pe. Abdon Dias Guimarães, C.Ss.R.

Missionário Redentorista

Experimentar o amor do Pai Eterno

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A fé é a testemunha perene de que nossos desejos mais profundos e nossas aspirações mais ocultas tornam-se consonantes a Deus, na medida em que nos abrimos ao Seu amor e nos deixamos conduzir por Ele. Nesse itinerário espiritual moldamos nossos comportamentos de acordo com o Evangelho, amorizamos nossa vivência, canalizamos nossas energias, enraizamos nossa vida na fraternidade e, por fim, nos apresentamos como pessoas cativas às Sagradas Escrituras e aos Sacramentos.

Por meio dos Sacramentos, vivenciamos e testemunhamos o amor Deus em nosso cotidiano. Sem essa experiência é impossível falar do Mistério Divino, pois estaríamos apenas teorizando e deixando de lado a prática. É com essa vivência que somos capazes de estar mais próximos do Pai Eterno, que nos ama sem impor condições. Assim, quem quiser conhecê-Lo deverá, em primeiro lugar, experimentá-Lo.

Como consequência, não nos resta outra escolha mais plena do que viver Nele e para Ele. Poderíamos até optar por outras possibilidades, mas nosso coração insiste em permanecer cativo Àquele que nos amou primeiro.

A Romaria deste ano, em Trindade (GO), traz o tema “Consagrados ao Pai Eterno”, inspirado na Carta Apostólica do Papa Francisco direcionada aos religiosos e religiosas, pessoas de Vida Consagrada, para proclamação do Ano da Vida Religiosa. Por trás de cada vocação está a história do amor do Pai inserida na vida dos Seus filhos e filhas. A vocação é um chamado à santidade e quando a aceitamos, estamos abrindo o nosso coração para a vontade de Deus em nossa vida.

O segredo da santidade cristã está na realização da vontade divina. Ela se efetiva na medida em que temos claro o objetivo da salvação, destinada a todas as pessoas. A vontade de Deus reafirma o caráter da nossa fé e concede testemunho às nossas obras. Dessa forma, somos inclinados a agir como Deus age, a amar como Ele ama, a perdoar da mesma maneira que Ele perdoa e a ser continuação redentora do Seu Evangelho no mundo.

A vontade de Deus resgata a capacidade pessoal de agir em favor do bem. Muito aquém de intervencionismo, ela é suscitada no interior de cada coração. Assim, comparamos, discernimos, julgamos e escolhemos entre o certo e o errado. Pela vontade divina o ser humano se assume e se realiza como filho de Deus.

Só seremos capazes de compreender a vontade de Deus em nossas vidas, nos unirmos e nos consagrarmos a Ela. Assim, passaremos a enxergar a vida sob a ótica de Deus. Não se trata de uma vontade tirana nem manipuladora. Ser consagrado não é privilégio de uma casta eleita: distante do mundo e surda ao apelo dos pobres. Ao contrário, é uma missão que nos foi confiada – desde as águas do Batismo até o óleo da Unção dos Enfermos, dentro de um horizonte que nos banha, nos insere e nos emerge em Cristo.

Não se trata de um simples vestígio ou de um rastro qualquer, mas de um sinal, constituído pela fé. Não podemos apagá-lo, muito menos eliminá-lo. No entanto, podemos renová-lo sempre que trazemos à memória a marca de outrora. Ela fala da nossa origem e ressoa a nossa pertença a Deus. Marcados, ungidos e consagrados passamos a acolher com gratidão o passado, a receber com afeto o presente e a reconhecer com surpresa o futuro.

Na proximidade de nossa grandiosa Festa de Trindade, lembremos de que a nossa consagração é uma iniciativa direta do Pai. É necessário, portanto, celebrá-la olhando para cada Sacramento. Ali encontraremos a ternura de um Deus que peregrina por todas as etapas da nossa vida, acompanhando-nos do nascimento à velhice, da morte à eternidade! O resultado desta fiel companhia é que só nos consagramos a Ele porque fomos tocados, amados e cuidados: sem medidas e sem reservas!

De antemão, faz bem enfatizar que, no Cristianismo, a fé é experimentada em comunidade. Aqueles que se denominam cristãos e querem viver longe da Igreja precisam reconhecer que de tal modo não há vida cristã que se sustente. Nela todos se reúnem, partilham do mesmo pão e comungam da mesma fé, para constituir a comunidade de salvação e continuar a missão de Cristo no mundo.

Portanto, nos unimos, mais uma vez, em Romaria, para louvar, agradecer e homenagear o Divino Pai Eterno. Junto aos seus irmãos, cada romeiro experimenta a filiação divina e compreende que a paternidade de Deus é universal e concedida para todos. Talvez, aqui esteja uma das principais características da catolicidade da Igreja. O amor do Pai é estendido a cada pessoa, individualmente, sobretudo aos pecadores para que onde “se multiplicou o pecado, a graça transborde” (Rm 5,20).

Que possamos nos consagrar a Ele, dizendo: “Pai Eterno, recebei a homenagem da nossa fé, fortalecei a nossa esperança e renovai o nosso amor”. Que a celebração, desses dez dias de romaria, nos conscientize sobre a real importância de integrar os sonhos de Deus aos nossos sonhos. Que não sejamos conhecidos só pelos nossos nomes, mas, principalmente, pela nossa adesão contínua ao Evangelho! Que nossas obras deem testemunho de que somos filhos legítimos consagrados ao Pai Eterno!

Boa Festa do Divino Pai Eterno a todos!

 Pe. Robson de Oliveira
Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

Romaria dos filhos do Pai Eterno

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“Consagrados ao Pai Eterno” é o tema da Romaria do Divino Pai Eterno deste ano. Donde surgiu este tema? O que ele propõe? Ele foi inspirado na Carta Apostólica do Papa Francisco direcionada às pessoas de Vida Consagrada para proclamação do Ano da Vida Religiosa que teve seu início no dia 30 de novembro de 2014 (1º Domingo do Advento) e terminará dia 2 de fevereiro de 2016, na festa da Apresentação de Jesus no Templo.

Considerando que todo cristão batizado é consagrado ao Pai Eterno pelos Sacramentos – Batismo, Eucaristia, Reconciliação, Crisma, Ordem ou Matrimônio e Unção dos Enfermos – o objetivo principal é despertar no romeiro do Divino Pai Eterno as motivações vocacionais evidenciadas pela consagração batismal, colocando-se no combate às mazelas do pecado e no serviço da Igreja que anuncia a chegada do Reino de Deus.

Neste sentindo, como um grande retiro comunitário, este tema quer favorecer uma ampla e profunda reflexão acerca da razão de ser e existir no mundo a partir dos Sacramentos da Igreja. Além disso, mostrar que a reflexão sobre a consagração sacramental e eclesial, na companhia de Maria, pode favorecer o reconhecimento de que o Pai Eterno chama a todos, indistintamente, para uma vida plena e feliz.

Frente às tantas realidades atuais que desfiguram a pessoa humana, o tema deste ano possibilita a redescoberta de si mesmo e seu valor para Deus, para o próximo e para o mundo onde vive. Assim, é possível perceber que, iluminado pelos ensinamentos de Jesus, existem diversas formas de realização humana, pessoal, comunitária e espiritual. E vivenciar uma verdadeira renovação da sua fé para que continue experimentando e anunciado o amor, a bondade, o perdão e a misericórdia de Deus em sua vida, bem como, na vida de sua família, comunidade, local de trabalho, lazer, descanso e estudo.

Este tema favorece ainda uma reflexão ampla e profunda da missão recebida por cada um de nós no dia do nosso Batismo e ajuda a perceber que na relação Una e Trina de Deus, o ser humano é convidado a tomar parte na vida que brota do amor do Pai para com o Filho, na força do Espírito Santo. Sendo assim, devemos promover as vocações e, por fim, entender que somos consagrados ao Pai Eterno para amarmos, fazermos o bem e sermos felizes.

A Romaria destina-se a milhões de romeiros de Trindade, Goiânia, cidades vizinhas e diversas regiões de todo o País. Cristãos abnegados por tomarem a decisão de caminhar, enfrentar dificuldades e, principalmente, de permanecer firmes na decisão de escutar a Palavra de Deus e a pregação dos missionários durante a Novena Preparatória e a Festa do Pai Eterno.

Para que o romeiro consiga subtrair a mensagem proposta pelo tema, bem como pelos subtemas que serão abordados durante as Novenas, os sacerdotes fazem reflexões breves, previamente preparadas, com criativa fidelidade à proposta geral do tema da Festa. No período de preparação, faz-se uma leitura atenta da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco, como também da sua última carta aos religiosos, por ocasião do Ano da Vida Consagrada.

A linguagem é simples e direta, despojada de raciocínios complexos, citações eruditas e preciosismo nos exemplos pessoais. São utilizados exemplos concretos que mostram situações próximas da vida do povo com particular acento no testemunho dos santos e das pessoas mais simples que deram exemplos de humanidade e de fé.

Vale destacar ainda a intenção de centralizar a mensagem, naturalmente, na Escritura, por meio das leituras diárias, respeitando os espaços de evangelização e evitando a dispersão dos romeiros. Finalmente, oferece aprofundamentos particulares para se formar uma diversidade enriquecedora no conjunto dos pregadores. Desse modo, a dimensão principal a ser abordada com o romeiro é a realidade comunitária da consagração cristã, isto é, após renovar sua fé e seu compromisso batismal, insistir na vivência do romeiro em sua comunidade de origem.

Reunidos como irmãos e irmãos e consagrando-nos ao Pai Eterno, reconhecemos nossa legítima condição filial de filhas e filhos adotivos de Deus, em Seu Filho Jesus Cristo. Já consagrados, nos dedicamos ao serviço do Reino de Deus tornando-nos também testemunhas do seu autêntico e verdadeiro amor. Um mérito e esforço que é de todos. Além dos romeiros, religiosos, colaboradores e voluntários, vários seguimentos da sociedade, empresas particulares e poderes públicos se envolvem diretamente na organização e realização da Romaria. Sem essas preciosas ajudas e parcerias tudo se tornaria mais difícil e os objetivos para cada Romaria, não poderiam ser plenamente alcançados!

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R
Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

Eucaristia: Mistério da Fé

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Em cada Celebração Eucarística, o ministro ordenado que a preside anuncia: “Eis o Mistério da Fé”; e a comunidade reunida confirma: “Anunciamos, Senhor, a Vossa Morte e proclamamos a Vossa Ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”.

Há um grande gesto de louvação e carinho por notar que, Aquele que atravessou todas as dores do testemunho, venceu o que queria lhe vencer e mostrou o poder da vida que anunciava. A Eucaristia brotou do coração de Cristo ao viver o drama de Sua Paixão e Morte. Antecipou para os apóstolos e todos os Seus amigos a participação no sacrifício de Sua vida e deixou para a Igreja a possibilidade de participar posteriormente no mesmo sacrifício. Ele não só realizou o Sacrifício Redentor, mas também nos deixou o meio de participarmos dele como se nele estivéssemos presentes.

Sacrifício real de Cristo, a Eucaristia é também verdadeiro banquete, no qual Ele se dá em alimento, para possuirmos a vida eterna. A Eucaristia celebrada nos remete a duas realidades importantíssimas: a vida de Cristo, que se dá em alimento, e a vida do povo, que precisa ser alcançado por este alimento que sinaliza a todos o céu. Por anunciar a Morte de Cristo até que Ele venha, inclui o compromisso de cada participante tornar eucarística a própria vida. Ela transforma a comunidade que fazemos parte em núcleo evangelizador e nos torna membros de uma grande e especial família.

O Concílio Vaticano II acentuou que a “Eucaristia é o ponto alto da vida da Igreja. A Igreja vive da Eucaristia, por ela é alimentada, por ela é iluminada”. Ela manifesta e faz crescer a comunhão dos que creem em Cristo Redentor. Nela, recebemos Cristo e somos por Ele recebidos. Nela, é consolidada a unidade dos que a celebram. Porque Cristo nos dá Seu Corpo a comer e Seu Sangue a beber, entramos em comunhão sacramental com Ele. São João Crisóstomo lembra que “o pão é transformado em Corpo de Cristo e quem o recebe é transformado também no Corpo de Cristo, Seu corpo vivo que é a Igreja”.

Rezando esta bonita realidade, o Papa aponta como iniciativa pastoral o estímulo ao culto eucarístico fora da Missa. Tal iniciativa compete acima de tudo aos pastores, inclusive com o testemunho pessoal nas exposições do Santíssimo Sacramento e também com visitas de adoração a Cristo presente nas espécies eucarísticas.

Não nos é possível esquecer as muitas maneiras de Santo Afonso, nosso fundador, inculcar em nós a continuidade da oração em formas jaculatórias. Em muitos dos seus escritos que perpassam a história de nossa Congregação, ele, impetrado de um zelo extremo pela Eucaristia nos recomenda o alargar ou estender da Santa Missa por meio da contemplação e da piedade. Prolongamos nosso encontro eucarístico quando guardamos em nós os dizeres sagrados em nossa mente e em nossas ações após a Santa Missa.

Em nossas muitas comunidades vivemos e revivemos essa grandiosa forma de Jesus Redentor se fazer presente e ainda incentivar nossos corações a pulsar como o d’Ele pulsa; a escutarmos Sua Palavra de Salvação para que nossas falas e dizeres sejam afirmações de libertação e cura de almas; de olharmos e auscultarmos Seu exemplo e imprimirmos em nós os mesmos gestos que fizeram marcantes suas intervenções em favor dos mais sofredores. A santa missa tem essa realidade bonita e instigante, pois nos trás a palavra e o pão; nos trás a capacidade de vermos e acolhermos o desejo de Jesus e assumir continuando o que Ele começou.

Pe. Natalino Martins
Missionário Redentorista

Maria: a mulher que nos humaniza

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O seio maternal de Maria é o lugar de encontro do Divino com o humano. Neste movimento, sem simbiose, mas de profunda doação e reciprocidade, acontece a ‘Plenitude dos Tempos’. Maria é a testemunha histórica de que vale a pena entregar-se, total e absolutamente, nas mãos do Pai Eterno. Todo o seu ser tem raízes fincadas no céu. O ‘sim’ de Maria nos trouxe Deus. Sua vida silenciosa, em Nazaré, santifica o nosso itinerário cristão e redentorista no mundo. “Maria, a Mulher, [...], a Feminina, acolheu e foi feita mãe de Deus! Acolheu e foi feita esposa do Espírito. Acolheu e foi feita mãe dos Homens. Acolheu e foi feita esposa de José. Fez-se “sim” e acolhida em seu nome e no meu. Feminilidade e acolhida, sem pecado, isto é, sem restrições, a elevam, e, nela, nos elevam.” (Maria Thereza – Maite).

Pela Revelação Trinitária, sabemos que o nascimento de Jesus, a partir de uma mulher, “constitui o ponto culminante e definitivo da autorrevelação de Deus à humanidade” (São João Paulo II). Em Maria, resgatamos a nossa vocação e dignidade, dentro da Redenção, realizada pelo Pai, no Filho, por meio do Espírito Santo. Na imagem do Divino Pai Eterno, reverenciada por milhares de devotos, no Brasil e no mundo, Maria está logo abaixo, de forma central, sendo coroada pela Santíssima Trindade. Suas mãos estão postas para manifestar o caráter da pessoa orante, experimentada na fé e acostumada a encontrar-se com o sagrado de Deus: face a face! Sua roupa branca expressa a pureza imaculada de viver ‘no’ Pai e ‘para’ o Pai. O manto azul nos abre ao Mistério Divino que está além do celestial.

A presença de Maria é a certeza do lugar que todo homem e toda mulher ocupam no coração de Deus. Contemplá-la, na imagem, é o mesmo que descobrir a nossa origem divina, é encontrar o tesouro perdido, é conceder um rumo santo para histórias, outrora, desumanizadas pelo pecado. Abramo-nos sempre à Santíssima Trindade e façamos do ‘sim’ de Maria a eterna adesão daquilo que o Pai Eterno sonhou para nós!

 

Pe. Robson de Oliveira
Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

Maria e o mês de maio

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É maio. Mês dedicado especialmente à Maria. Nas devoções populares lembramos e homenageamos a Mãe de Jesus com rezas do terço, coroações, ladainhas, oferta de flores, cantos do ofício de Nossa Senhora…, enfim! Tanto na Igreja Católica Apostólica Romana quanto na Igreja Católica Ortodoxa Maria é muito amada, venerada, querida. Porém, a espiritualidade Mariana no mês de maio é forte apenas na Igreja do Ocidente.

Você sabe donde vem a tradição dessa devoção? “O mês de maio mariano é uma herança europeia, uma vez que, na Europa, maio é tempo de primavera, que no Brasil corresponde ao mês de outubro, igualmente dedicado a Nossa Senhora, por ser o mês do rosário. É celebrado em diversos países para homenagear o reflorescimento da natureza. É um mês de festas, de divertimentos, de poesia, que tem suas origens em tradições muito antigas. No mundo cristão, como tentativa de corrigir os excessos e abusos destas festas tradicionais e torná-las mais cristãs, a partir do século XIII, a figura de Maria começa a ser associada ao mês de maio” (Pe. Waldomiro).

No Brasil as devoções a Maria começaram junto com a conquista da “nova terra”, e com ela a evangelização trazida pelos jesuítas. Posteriormente, a devoção foi ganhando força com o passar dos anos até chegar ao que conhecemos hoje. Teve presença forte, sobretudo com o povo pobre, simples e oprimidos que, buscavam na Mãe de Jesus, a esperança, o conforto e a força necessária diante de tantos sofrimentos e maus tratos. As maiores datas dedicadas à Maria em nossa tradição católica, no mês de maio, são: a Festa de Nossa Senhora de Fátima, celebrada no dia 13; e a festa de Nossa Senhora Auxiliadora, que acontece no dia 24.

Utilizando-me destes pressupostos quero falar sobre um assunto muito discutido, mas pouco compreendido: o culto à Maria. É preciso saber diferenciar cultos de adoração e culto de veneração. A palavra “culto”, vem de cultivar, que por sua vez, quer dizer, desenvolver, ser instruído, cultivado, relação de respeito e veneração. Cultiva-se algo especial, como por exemplo, o louvor a Deus. Cultiva-se o carinho e a devoção para com os santos e santas. Podemos então, cultivar nossa devoção à Maria sem, portanto, adorá-la. À Maria, nossa veneração por tudo o que ela foi e por tudo o que ela é. À Maria, nós devotamos, cultuamos o amor por ela. Não a adoramos, pois, nossa verdadeira adoração é somente a Deus, ao Divino Pai Eterno.

Vamos a uma realidade prática. Maria é venerada no mundo todo, recebendo mais de seiscentos títulos, ou seja, nomes atribuídos a ela. É a mesma Maria, a Mãe de Jesus. A Mãe da Igreja e Mãe nossa. No Brasil, o mais conhecido é o título de Nossa Senhora Aparecida, seguido por Nossa Senhora da Graças, da Abadia, do Perpétuo Socorro e tantos outros. Maria, por isso, é fonte de inspiração. Você já prestou atenção na quantidade de pessoas, homens e mulheres, que trazem em seu nome, o próprio nome de Maria? E quantas cidades, escolas, asilos, creches, seminários e igrejas? Isso é uma forma de prestar uma homenagem a ela. Isso é carinho, respeito por alguém especial para nós, cristãos católicos, crentes em Jesus de Nazaré.

O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 971, nos orienta quanto à forma correta de como devemos cultuar Nossa Senhora para não cairmos no perigo de passar do culto à mariolatria. Assim, diz o documento: “A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão”. A Santíssima Virgem “é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja. Com efeito, desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de ‘Mãe de Deus’, sob cuja proteção os fiéis se refugiam suplicantes em todos os seus perigos e necessidades. (…) Este culto (…), embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encanado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, mas o favorece poderosamente”; este culto encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração mariana, tal como o Santo Rosário, “resumo de todo o Evangelho”.

Do mesmo modo a “Marialis Cultus”, que é a Exortação Apostólica do Papa Paulo VI que utilizou parte da renovação litúrgica, decidida pelo Concílio Vaticano II, para explicar o lugar de Maria no ciclo geral e o sentido das festas, propriamente marianas: [...] promovam generosamente o culto, sobretudo o litúrgico, para com a Bem-Aventurada Virgem Maria; dêem grande valor às práticas e aos exercícios de piedade recomendados pelo magistério [...] (LG 67). Neste ensinamento, Paulo VI articula a questão da cultura e da enculturação do culto devido a Maria, como a Mulher que soube viver no seu contexto e inserir-se no mistério de Cristo, porque foi uma mulher que acreditou naquilo que o Senhor lhe disse.

Guiados por Maria, continuemos com os olhos fixos em Jesus Cristo, autor e consumador da fé! “Ajude-nos a companhia sempre próxima, cheia de compreensão e ternura, da Maria Santíssima. Que ela nos mostre o fruto bendito de seu ventre e nos ensine a responder como fez ela no mistério da anunciação e encarnação” (DA 553).

Pe. Edinisio Pereira
Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

Com o Ressuscitado: ressuscitemos!

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Jesus nasce, vive, cresce, morre e ressuscita a partir da nossa humanidade para nos mostrar como é significante viver de Deus e para Deus. Na vida de Jesus o humano encontra o sentido para a vida ao se potencializar no amor, de forma plena e irrepetível.

Na pessoa de Jesus de Nazaré, em Seu ministério público e em Sua intimidade com o Pai, encontramos o âmago da ressurreição cristã! Acompanhada do sepulcro vazio, a morte na cruz pareceu esvaziar qualquer esperança futura. Imperava tão somente o medo da perseguição e o silêncio derradeiro. Contudo, diante da realidade que se colocava como fim, apresentou-se o começo da ação redentora da fé. Passados aqueles tenebrosos dias, a morte foi obrigada a “entregar os pontos”, por não possuir mais a força do término definitivo e sem sentido do próprio viver, da existência.

Da cessação da vida manifestou-se a magnitude da ressurreição, fazendo com que o testemunho das primeiras testemunhas chegasse até nós. “A este Jesus, Deus O ressuscitou, e disto nós todos somos testemunhas” (At 2,32). Entre Jesus e a pessoa humana não há uma troca de papéis ou uma inversão de valores, mas, sobretudo, uma entrega cotidiana de duas vidas, que se unem e se assumem em um único caminho rumo ao Coração do Pai Eterno! Cremos, não apenas pela marca da história ou pelo relato oral e da escrita, mas, sobretudo, pela eficácia redentora da palavra que nos foi transmitida.

Jesus não retorna a esta vida, porque após a Ressurreição, vive-a plenamente em Deus! Cristo vai além do próprio morrer, pelo fato de assumir a vida na inteireza que lhe cabia. Em nenhum momento permaneceu cativo ao poder da morte, pois a todo tempo esteve atado ao amor do Pai. Ele foi glorificado! E é por meio d’Ele que nós ultrapassamos as nossas mazelas e nos apropriamos do conteúdo originário da salvação e da ressurreição. “Para isso, com efeito, o Verbo se fez humano e o Filho de Deus se converteu em filho do homem: para que todo aquele que se unir ao Verbo de Deus e aceitar a adoção, converta-se em filho de Deus” (Santo Irineu).

Na qualidade de primeiros endereçados da ressurreição, precisamos viver alicerçados na experiência das antigas comunidades cristãs. Para sermos reconhecidos – enquanto homens da redenção – é necessário adentrar o tempo mediado pela fé, dobrando os joelhos no chão, a ponto de atingirmos a esfera do absoluto que está em Deus e nos pobres a quem desejamos e pretendemos, especialmente como missionários, fazer chegar nossa mensagem. Eis uma tarefa diária e forçosa.

Mirando no Ressuscitado, precisamos reconhecer que a ressurreição pela ressurreição, sem implicações na vida humana, não tem sentido. A mensagem de Jesus continua viva e atualizada no mundo a partir de nós. Sigamos adiante, no sentido de que a mensagem do Evangelho jamais seja esquecida. Não somos meros seguidores de Jesus, mas continuadores, por excelência, de Sua obra redentora, no mundo.

Deixemos, então, Deus ser Deus em nossa existência e permitamos que o nosso coração se funda no coração de Jesus, para que construamos uma história bela que depende exclusivamente de nós! “A fé no Ressuscitado nos impulsiona a ir ao encontro dos crucificados de hoje, nos colocar a seu lado, para partilhar com eles este sorriso, a certeza alegre que Deus está vivo no meio de nós, ressuscitando, libertando da morte e fazendo uma nova criação” (Instituto Humanitas Unisinos). Portanto, aceitemos o desafio de viver como ressuscitados e ajudemos nossos irmãos de convivência e de pastoral a trilhar este mesmo caminho. Cristo continua existindo no mundo em nós e nas nossas atitudes!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente
Fundador da Afipe

A salvação pela Cruz

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Um momento forte da liturgia de nossa Igreja que se vive durante a Semana Santa é a Celebração da Cruz. Ela acontece às quinze horas da Sexta-feira da Paixão. No tempo de Jesus, a cruz era um terrível objeto de tortura no qual eram crucificados contraventores e malfeitores da sociedade. Um famoso instrumento de suplício e dor. Eis, então, a grande questão: como entender a morte de cruz de Jesus que passou por este mundo fazendo o bem e falando de amor e de paz? Como um objeto de horror e morte pôde se tornar em um grande sinal de graça e salvação?

Leonardo Boff, diz que “ao longo da história, a piedade cristã compreendeu a cruz de Jesus como sendo um sacrifício exigido pelo Pai e necessário para nossa salvação”. Para Boff “esta compreensão comum da piedade cristã, tem seu fundamento na Teologia de Santo Anselmo, e nos leva a ver Jesus paciente, resignado, conformado com o sofrimento e a morte. Mais do que isso, leva os cristãos a aceitarem e justificarem as situações de sofrimento e de morte ao longo da vida. Isso, nós sabemos, não é a intenção da fé cristã acerca da cruz de Jesus de Nazaré”.

Ao longo dos tempos, fomos assimilando também a ideia de que a cruz de Jesus é uma ordem explícita do Pai Eterno, a qual Ele aceitou como um cordeirinho levado para o matadouro. Sendo assim, Jesus teria nascido para morrer em nosso lugar. Nada disso. A morte de cruz de Jesus é fruto de Sua obediência irrevogável ao projeto do Pai Eterno em Sua vida. É resultado de Sua opção consciente e radical pelo Reino de Deus. Ele que “se fez obediente até a morte, à morte de cruz” (Fl 2,8).

Deste modo, a atitude de Cristo é a maior prova de amor e fidelidade que somente um ser totalmente humano e plenamente divino poderia dar. Sua obediência o fez resgatar a todos do poder da morte e do pecado. Do contrário, se diante da cruz Cristo tivesse abandonado sua missão, toda Sua vida e Seus ensinamentos teriam sido em vão. E, o plano de Deus para a humanidade mais uma vez haveria falhado, como no episódio do primeiro homem: Adão!

Os projetos de Deus ninguém pode calar. Ao decidir morrer por amor, Jesus reconciliou consigo todas as coisas “tanto as terrestres como as celestes, estabelecendo a paz pelo Seu sangue derramado na cruz” (Cl 1,20). Ao ser levantado da terra, Cristo atraiu todos a Ele (cf. Jo 12,32) ao perdoar “todas as nossas faltas, anulando o título de dívida que havia entre nós, deixando de lado as exigências legais e fazendo-o desaparecer pregando-o na cruz (Cl 2,14).

A morte de cruz de Jesus é também razão para o seu seguimento pleno e consciente: “se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). Ou, em outra passagem, “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim” (Mt 10,38). Com Sua morte de cruz, Cristo nos libertou e nos fez participantes de Sua Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição. Seguir a Cristo é assumir na própria vida a vida que é Dele próprio. A vida que recebeu do Pai Eterno e comunicou a todos os que são Dele pelo Batismo.

Na Cruz está a vida. Através dela Jesus desceu à mansão triste dos mortos para resgatar aqueles que outrora haviam se desviado de Deus. No alto da Cruz, do lado esquerdo de Jesus, verteu sangue e água: brotou a Vida. Pela cruz, Cristo não só venceu a morte como superou o poder das trevas, do mal e do pecado. Nela, Cristo inaugurou um novo tempo e cumpriu a promessa de Deus à humanidade, na Ressurreição. Toda Sua confiança estava depositada nas mãos Daquele que podia resgatá-Lo e fazê-Lo sentar-se à Sua direita. Com este gesto de entrega, Cristo atraiu junto a si, pela promessa feita a Abraão, todos os filhos e filhas de Deus.

Vale ressaltar que a Cruz de Jesus não é um trunfo para nós cristãos. Ela é antes de tudo uma graça. Uma glória conforme nos diz São Paulo na carta aos Gálatas: “quanto a mim, que eu não me glorie a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio da qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gl 6,14).

Diante dessa realidade e verdade de fé, compreendemos que a Cruz é um sinal de Ressurreição. Uma semente de vida eterna. Quem olha para a Cruz de Cristo e tudo o que ela representa, deseja fazer de Cristo seu melhor amigo, seu companheiro, seu confidente. Estar sempre em Sua presença e unido, para estar unido ao Pai Eterno e Sua Mãe Maria Santíssima.

A cruz, por ela mesma, não diz nada. Sendo assim, podemos entender que a salvação de Deus que Cristo nos propõe não está no objeto no qual Ele foi morto. Mas sim, no cumprimento pleno à vontade Daquele que o enviou: o Pai Eterno. Desta forma, Cristo pede que façamos o mesmo que Ele fez. E, celebremos na vida o que cantamos na liturgia: “Quanto a nós devemos gloriar-nos da Cruz, de nosso Senhor Jesus Cristo. Que é nossa salvação, nossa vida. Nossa esperança de ressurreição. Pela qual fomos salvos e libertos”!

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R.
Reitor do Santuário Basílica
do Divino Pai Eterno

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