TODOS LEEM, MENOS LUIZA QUE ESTÁ NO CANADÁ!

janeiro 22, 2012 on 8:56 am | In Pe. Robson | 1 Comentário

Luiza já está no Brasil e continua sendo um dos assuntos mais comentados da internet nos últimos dias. Mesmo com toda divulgação ainda há pessoas que perguntam: “Quem é essa Luiza? Do que se trata?”. Afinal de contas nem todos precisam saber de tudo o que acontece no mundo virtual. Então, vamos às explicações.

A história teve início a partir de um comercial imobiliário, vinculado no querido estado da Paraíba. Sendo mais preciso na capital, João Pessoa, onde estive em 2010, com a Visita da Imagem Peregrina do Pai Eterno. A cena mostra um pai de família, reunido com a esposa e os filhos, apresentando um luxuoso condomínio. Nada mais natural para oferecer à venda determinados apartamentos, tidos como: familiares, confortáveis e tranquilos. Mas, bastou uma frase para que um viral fosse criado na internet.

Ao se remeter ao empreendimento o pai afirma: “É por isso que eu fiz questão de reunir toda a minha família, menos Luiza, que está no Canadá”. A partir daí o que era apenas um comercial televisivo, se tornou gosto popular. Até o fechamento deste artigo, a frase: “Menos Luiza, que está no Canadá” já havia sido citada no Twitter por mais de 11 mil vezes. Agora que a televisão também assumiu a divulgação da brincadeira, o ocorrido ganhará ainda mais repercussão.

Os especialistas em mídia digital intitulam estas situações como ‘memes’, palavra originada do grego ‘mimese’, que significa ‘imitação’. Todas as vezes que repetimos comportamentos e frases da internet estamos a copiar um ‘meme’, ou então, a reproduzir um viral. No caso da televisão são utilizados os termos jargão e bordão, podendo ser influências negativas ao comportamento das pessoas ou simples expressões. É o que acontece com frases recentes e históricas, como por exemplo: “Que deselegante” (Sandra Annemberg), “Boa noite! Boa sorte!” (Paulo Henrique Amorim), “A gente se vê, com certeza” (Leda Nagle), “E o salário, ó” (Chico Anysio), “Positivo e operante, senhor”, dito por alguns militares e “Peticionei aquela ação”, muito comum entre os advogados.

O fato é que hoje vivemos várias situações ao mesmo tempo e de forma mais acelerada. Talvez por isso, acabamos caindo no ‘instante pelo instante’. Há uma insistência imperativa em “estar antenado”, como os mais jovens costumam falar. Em um cenário tão veloz, precisamos ter a consciência do lugar que ocupamos. A dignidade da vida cristã não deve ser esquecida no mundo da internet.

As redes sociais como: Facebook, Twitter, Myspace, Orkut, entre outras devem ser espaços de diálogo, mas também de cautela. Por uma questão de prudência, faz bem analisar criteriosamente as atualizações de status, saber o que comentar em fotos, ter o discernimento para escolher o que ‘curtir’ e o que não merece ser ‘curtido’, partilhar postagens que façam refletir ou sorrir, sem ferir a dignidade humana. O mais importante é que a comunicação seja, “não só uma troca de dados, mas também e cada vez mais, uma partilha” (Bento XVI).

A internet é um espaço democrático. Por ser tão livre é fundamental que assumamos posturas maduras, dialogando com opiniões diferentes e tomando o cuidado merecido para não difundir racismos, preconceitos, mentiras e maldades. Intolerância e alienação não nos competem. Já há projetos de lei que visam proteger as vítimas de bullyng e combater o lado mais obscuro que percorre o mundo virtual.

Nós que cremos, temos a bonita tarefa de utilizar a internet, não só, mas também para a evangelização. Os perfis não precisam falar da fé o tempo todo, porém devem ter a marca registrada de alguém que crê. Isso já faz toda diferença. Não é uma questão de carolices, mas há determinados comentários e certas brincadeiras, passadas adiante, bastante contrárias para alguém que se intitula religioso, nas redes sociais.

A internet é um ambiente contraditório. Pode ser escravizante para uns e libertadora para outros. Nela estão luzes e trevas, verdades e mentiras, retidão e perdição: tudo junto e disponível ao toque de apenas um clique. Hoje em dia, a recomendação de cuidado não é só para os mais novos. Já há muitos, em idade adulta, que perdem seus valores e transformam-se na projeção mais assombrosa dos conteúdos que acessam. Fazem do erro uma verdade de vida. Nada mais triste!

Vale o lembrete de que “a presença nestes espaços virtuais pode ser o sinal de uma busca autêntica de encontro pessoal com o outro, se estiver atento para evitar os seus perigos, como refugiar-se numa espécie de mundo paralelo ou expor-se excessivamente ao mundo virtual. Na busca de partilha, de amizades, confrontamo-nos com o desafio de sermos autênticos, fiéis a nós mesmos, sem ceder à ilusão de construir artificialmente o próprio perfil público” (Bento XVI).

Portanto, verdade, autenticidade e coerência de vida frente às exposições das redes sociais. Se “Luiza está no Canadá” fez tanto sucesso, não nos esqueçamos de que a nossa “fé está no Pai” e necessita ser testemunhada sempre; não por obrigação, mas por uma escolha pessoal.


Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Twitter: @padrerobson

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ONDE ESTÃO AS NOSSAS OBRAS, LÁ ESTARÁ TAMBÉM A NOSSA FÉ!

janeiro 13, 2012 on 8:38 pm | In Pe. Robson | 8 Comentários

Dou início a este artigo me remetendo ao poema do saudoso Manuel Bandeira: “Vi ontem um bicho na imundície do pátio, catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa não examinava nem cheirava, engolia com voracidade. O bicho não era um cão, não era um gato, não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem”. Infelizmente, esta composição poética sempre é atualizada na vida de quem é vítima da pobreza. Passam-se anos, décadas, séculos e lá está a miséria, mãe do trabalho escravo; o enriquecimento ilícito, pai da exclusão social e a conduta imoral, irmã mais próxima da corrupção.

Para nós que cremos, a fé é uma imersão na vida Divina e uma inserção de esperança na sociedade. Ela habita o nosso ser, transforma a nossa consciência, evangeliza nossas atitudes, converte o nosso coração, nos fazendo testemunhar no que cremos, de forma concreta; sem discursos, mas na prática. “Meus irmãos, se alguém que diz que tem fé, mas não obras, que adiante isso? Por acaso a fé poderá salvá-lo? Por exemplo: um irmão ou irmã não têm o que vestir e lhes falta o pão de cada dia. Então alguém de vocês diz para eles: ‘Vão em paz, se aqueçam e comam bastante’; no entanto, não lhes dá o necessário para o corpo. Que adiante isso? Assim também é a fé sem as obras, ela está completamente morta. Alguém poderia dizer ainda: ‘Você tem a fé, e eu tenho as obras. Pois bem! Mostre-me a sua fé sem obras, e eu, com as minhas obras, lhe mostrarei a minha fé. Como vocês estão vendo, o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé” (Tg 2,14-18.24).

Causa dor e é lamentável a situação de muitos oprimidos, que vivem em regime de trabalho escravo ou semi-escravidão. Dados recentes do Ministério do Trabalho e Emprego afirmam que há 294 infratores, dentre pessoas físicas e jurídicas, responsáveis por situações de serviço degradante, endividamento dos funcionários e jornada de trabalho acima de 16 horas.

Há representantes políticos do agronegócio e das empresas urbanas capazes de afirmar a possibilidade de exageros. Para eles o conceito de trabalho escravo carece de definição no Brasil. Por isto, ainda existe uma grande resistência a aprovação da PEC 438/2001, que autoriza o Governo Federal a apreender terras utilizadas para o trabalho escravo, sem indenização ao proprietário e doadas à reforma agrária. E a escravidão continua…

Pesquisas científicas já comprovam que até 2050 países como o Brasil, a China, a Índia, o México, a Turquia e a Indonésia vão duplicar o valor de suas produções; crescendo acima dos oito países mais ricos e industrializados do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia). A crise imobiliária norte-americana e o descontrole das contas públicas europeias, que têm assolado o mercado mundial, já dão os indicativos desta mudança. E aqui nos cabe perguntar: à custa de quem virá o crescimento econômico?

Pensemos na China que cresce como um gigante (me desculpem a expressão a seguir), explorando seu próprio povo. Não é novidade o caso de funcionários que se suicidam devido à precariedade do salário e a insustentável jornada de trabalho. Não há os sindicatos, defendidos pela Igreja, em sua Doutrina Social e muito menos o direito a greve, sempre que justa e necessária. Atrás de cada Made in China ‘pode’ haver uma situação deflagrada de desumanidade ao trabalhador. No gigante asiático é comum ver as indústrias mudarem de localidade sempre que encontram uma região com o salário mais baixo que a outra. Com isso chegam a lucrar 20% além de toda lucratividade já garantida.

Na mesma direção vem o trabalho infantil. De modo especial, falemos do nosso amado e injustiçado Brasil. Estatísticas já apontam que existem 5,5 milhões de crianças na escravidão. E o que mais entristece: elas começam a trabalhar com apenas 5 anos: carregando caixas, comercializando verduras, aplicando venenos, trabalhando em carvoarias, pisando barro de futuros tijolos. Age com inconsequência quem afirma que criança deve trabalhar cedo para não cair na marginalidade. Acabam se esquecendo de que é a educação quem os livrará do crime, não a exploração.

A justiça social e a honestidade estão a gritar em vários setores da sociedade. Lutam em vão aqueles que tentam silenciá-las. A dignidade humana nos convoca a agir em favor dos que sofrem daquela doença chamada: miséria imerecida. Trabalhadores morrem às traças no campo, impedidos de retornar para suas regiões de origem, enquanto crianças são esmagadas nos lixões, onde se alimentam, brincam e residem. “Não examinava nem cheirava: engolia com voracidade”.

Olhemos sinceramente para a nossa fé e reconheçamos que sem obras ela é ineficaz. Que o dom da caridade e, não o assistencialismo, motive nossas atitudes, junto à consciência social e política. Sem segundas intenções e longe de promoção pessoal ajamos pelos que vivem à margem da sociedade. Pela autenticidade da fé devemos existir para as mesmas pessoas que Jesus existiu em sua época. Ele sentou-se à mesa, junto com os cobradores de impostos; Ele perdoou a prostituta arrependida, que banhou seus pés com lágrimas; Ele curou os leprosos, amaldiçoados e jogados para fora das cidades, por serem considerados impuros. E nós? Para quem temos existido?

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Twitter: @padrerobson

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“NOVA” E “DEFINITIVA” PORQUE É DO PAI!

janeiro 6, 2012 on 8:17 pm | In Pe. Robson | 3 Comentários

Muito em breve estaremos começando a construção de uma das mais belas e emblemáticas igrejas que Goiás e o Brasil já puderam contemplar. Isso mesmo! Nos próximos meses daremos início à edificação da Nova e Definitiva Casa do Divino Pai Eterno, em Trindade, Goiás.

A vivência da fé cristã também é marcada pela construção de Igrejas, Mosteiros e Catedrais. Independente da magnitude ou da simplicidade dos templos, o mais importante é a fé que se experiencia neles. Desde as grandes Basílicas até as Capelas mais simples, um só é o Pai que ali age e realiza as maravilhas do Seu amor.

Desde os primeiros cristãos, sempre houve a necessidade de construir Igrejas, vistas como casas de oração, alicerçadas na Palavra e na Eucaristia. Quando perseguidos, logo após a morte de Jesus, os cristãos se reuniam às escondidas nas catacumbas. Administravam os sacramentos em segredo, nas chamadas Igrejas subterrâneas. Ali eles enterravam os seus mortos e também celebravam o memorial da paixão do Senhor.

Muitos deles eram analfabetos e, por isso, impossibilitados de ler as Sagradas Escrituras. Mesmo assim, foram capazes de compreender o fundamento da fé a ponto de entregar a própria vida. Foi o período dos mártires: época em que assumir-se cristão trazia o risco da perseguição do Império Romano e a possibilidade de ser banhado pelo sangue até a morte. Não deixaram de construir seus templos, nem que fosse embaixo da terra, nas catacumbas. O importante era ter um local reservado para reunir a comunidade dos seguidores de Jesus. Eles não conseguiam viver sem a Eucaristia!

Com o passar do tempo, o número dos cristãos cresceu significativamente e a liberdade da fé foi conquistada. O progresso na participação também exigiu que Igrejas fossem construídas e, com o passar do tempo, ampliadas. Aquelas que não possuíam condições para serem expandidas continuaram a existir e novas Igrejas foram edificadas, com a capacidade maior que a anterior.

Hoje, o mesmo fenômeno se repete em Trindade. Nesta semana foi aprovado na Câmara Municipal de Trindade, com unanimidade dos vereadores, o projeto de lei, que transforma em área urbana o terreno do Novo Santuário. Assim, o uso do solo e o alvará de construção também puderam ser liberados pelo Prefeito Municipal, Ricardo Fortunato. Ao Legislativo e ao Executivo o meu agradecimento!

Foi uma verdadeira conquista, que muito contribuirá para o início das obras, a partir de maio, quando cessa o período chuvoso. A primeira etapa será topográfica, avaliando e preparando o solo para que o mesmo não cause estragos à obra e muito menos a obra a ele.

A edificação da Nova e Definitiva Casa do Pai é o resultado natural do aumento no número de devotos do Divino Pai Eterno. Pelos devotos e não por outro motivo assumi a difícil, mas bonita tarefa de gerir esta construção. Não só eu, mas todos aqueles que evangelizam comigo, serão os responsáveis para que a Casa do Pai seja edificada dentro do prazo avaliado em dez anos. A redução do tempo dependerá exclusivamente da ajuda e da participação de cada um. “Ele me edificará um Templo; será para mim um filho e eu serei para ele um Pai” (I Cr 22,10).

A construção de um novo templo é algo muito trabalhoso e bastante arriscado. Só isso já seria um motivo suficiente para não mexermos com esta construção. Porém, não podemos ficar quietos quando a fé nos convida a agir em vista de um pedido dos próprios fiéis.

Não se trata de um trabalho pessoal ou de uma vontade própria, mas de uma necessidade pastoral, para que os peregrinos sejam acolhidos com a dignidade e o respeito que merecem.  Hoje, o Santuário atual não tem condições de atender a demanda de pessoas que recebe, diariamente, do Brasil e do exterior. Louvemos ao Pai, pois este é o sinal de que estamos evangelizando no caminho certo!

A fé nos move a assumir tão grande missão! Escrevo no plural, pois tomamos parte de uma construção a ser mantida pela família de evangelização dos filhos do Pai Eterno. Que a fé na missão que o Pai nos confia faça da nossa vida uma verdade para o bem dos irmãos, uma biografia de esperança e do seguimento, uma opção radical por Deus! Obrigado a todos que, juntos, estão transformando este sonho em realidade!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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A MELHOR PROMESSA PARA 2012!

dezembro 30, 2011 on 1:58 pm | In Pe. Robson | 3 Comentários

Estabelecer metas para o próximo ano é uma das marcas registradas deste tempo. Mesmo que não sejamos capazes de cumpri-las, lá estão as famosas promessas. Há bonitos desafios propostos por aqueles que sonham parar de fumar ou de beber, pois são atordoados pelo vício. Outros procuram exercer o dom da paciência diante dos sofrimentos da vida, fazendo da dor uma escada para a superação. Também é possível verificar de perto determinadas pessoas, vítimas de transtornos alimentares ou da ansiedade, se comprometendo a emagrecer, com o objetivo de ter uma vida saudável, gerando saúde. Independente do compromisso, o importante é ser coerente no propósito, desde que seja algo bom e edificante.

Neste fim de ano é necessário rever a nossa vida, percebendo de perto se temos sido coerentes com a fé que professamos e com o Deus que acreditamos. Enquanto há vozes destoantes dizendo: “Odeie seu irmão”, nós que cremos, devemos testemunhar: “Amem os seus inimigos e rezem por aqueles que perseguem vocês” (Mt 5,44). Quando muitos estão a falar com raiva: “Não perdoe e se vingue”, temos que colocar o amor em prática demonstrando: “Não paguem a ninguém o mal com o mal; a preocupação de vocês seja fazer o bem a todos os homens. Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber” (Rm 12,17.20).

Se disserem que somos bobos, por não seguirmos o mandamento ditado pela vingança, é aí que estamos sendo sensatos. O Evangelho é visto nas ocasiões em que não nos deixamos vencer pelo mal, mas vencemos o mal com o bem (Cf. Rm 12,21). O cristão perdoa, quando poderia odiar; ama, quando o incitam a se vingar. Visitado pelas dificuldades, prefere orar, ao invés de se jogar aos prantos. Não é frágil, pois sua fortaleza é a fé. Não é tolo, porque vive a sabedoria da Cruz. Não é interesseiro, pelo simples fato de assumir uma existência de gratuidade!

O cristão sabe que acima de todas as determinações, que colocamos sobre nós mesmos, está a meta mais importante para uma vida feliz: o próprio Deus! Ele é a garantia da nossa vitória! A promessa mais eficaz para 2012 é fazer do Pai o fundamento de nossas vidas; a Esperança que tudo contorna; o Amor que compreende, não acusa e dignifica!

Para nós que confiamos, a fidelidade Divina nos ensina a ser fiéis no propósito da fé. A existência terrena é transitória, mas se torna significativa quando vivenciada como peregrinação. Em Deus está a nossa verdadeira morada, o nosso descanso eterno. Graças à fé temos podido reconhecer que nos braços do Pai se encontra o nosso destino último e o sentido do nosso viver. Mesmo que insistamos em procurar outros horizontes, sempre retornaremos Àquele que nos gerou.

No ano que se inicia, guiados pelo exemplo de Santa Maria, Mãe de Deus, procuremos manter os olhos fixos no Pai. Não desistamos de amar, não cedamos lugar ao ódio, não abandonemos nossos valores, não culpemos os familiares, não julguemos os irmãos, não mintamos para os outros nem para nós mesmos. Que a fé seja a nossa guia, a esperança a nossa companheira constante e a caridade o testemunho mais concreto de que vivemos a verdade do Evangelho! Verdade esta que consegue dialogar com o mundo e evangelizar pessoas.

Antes de toda e qualquer promessa para 2012, assumamos o compromisso de renunciar o pecado e acolher a redenção em nós! São as metas espirituais que dão sentido às outras áreas de nossa vida. Uma existência voltada para Deus se torna cheia de sentido e contrária a toda alienação. Tornamo-nos evangelhos vivos!

O Pai Eterno espera a renovação do meu e do seu “SIM”. Que estejamos preparados para juntos evangelizar com atitudes e só depois com as palavras. Nunca nos esqueçamos que antes de ser proclamada, a fé necessita ser vivenciada. Não são as pregações que convencem, mas o testemunho.

Que o Ano Novo não fica restrito somente a confraternizações. Que ele seja reconhecido como um divisor de águas, em vista de tudo aquilo que nos esforçaremos para cumprir diante de Deus! Que em vez de pensar em profecias irreais para o fim de 2012, pensemos no que tem fundamento: o amor do Pai! Se há espaço para algum ‘fim’ que seja para o término do pecado, da maldade e da injustiça no mundo! A fé é dom e quer contar conosco você neste Ano Novo! Desejo a você, meu querido irmão, minha querida irmã, um 2012 abençoado e cheio de conquistas! Felicidades!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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NEM OURO, INCENSO OU MIRRA, MAS O NOSSO CORAÇÃO!

dezembro 30, 2011 on 1:55 pm | In Pe. Robson | Sem Comentários

Pobre por condição e opção! Nascido em uma pátria insignificante. Crescido em uma pequena aldeia. Organizado por algumas dúzias de famílias. Desprovido de condições dignas de vida, devido à carência social da Galileia. Um simples carpinteiro teve que assumir o ofício do pai. Constatou de perto o sofrimento de seu povo no cativeiro da lei e no cativeiro do Império Romano, com seus altos impostos.

Não priorizou a língua dos grandes comerciantes, o grego; nem o idioma religioso da época, o hebraico. Utilizava de um dialeto, o aramaico, para anunciar a mensagem evangelizadora do Reino de Deus. É provável que o grego e o hebraico só tenham sido usados quando extremamente necessários. Em uma época marcada pela pobreza, pela fome, pelo desemprego e pelo endividamento: nasceu o Menino Jesus, sacramento do amor do Pai!

Hoje, bastante diferente da simplicidade do presépio, o Natal tem se tornado uma grande disputa, cada vez mais comercial e menos religiosa. Divididas estão as pessoas entre o Evangelho da Fé e o evangelho do mercado, entre o belo-supérfluo dos presentes e o singelo-necessário do presépio. Vozes e mais vozes ecoam com o ‘Jingle Bells’ e fazem esquecer a ‘Noite Feliz’!

Há uma séria dificuldade em compreender onde tudo começou. Custa para alguns aceitar que o Mestre de Nazaré, nasceu em um estábulo, conhecido, na época, como um lugar para recolher cavalos e o gado em geral. Ali eles dormiam, ficavam protegidos do frio, da chuva e se alimentavam. Isso sem falar da manjedoura. Dentro da realidade da estrebaria, a manjedoura é um cocho, onde se põe comida para os animais e foi lá que Jesus nasceu. Com todo respeito ao ‘bom velhinho’, não convém que o espírito do Natal seja confundido com uma mágica entrega de presentes, que só nos faz mais consumistas e menos espirituais.

A essência do Natal está em um Deus que se fez criança. Ele não nos ameaça em nada. Pelo contrário, necessita de nosso cuidado e dedicação. Só por isso temos podido contemplá-lo. Somos iluminados por Ele: “Para os que habitavam na terra da escuridão uma luz começou a brilhar” (Is 9,1). Esvaziou-se de Si mesmo, exceto de sua condição Divina, para partilhar de nossas dores e pobreza. Conheceu na própria pele as feridas do sofrimento e da extrema pobreza, pois não tinha “onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20).

A grande verdade é que “o Verbo se fez carne” (Jo 1,14) e aqui pensamos: “Como é possível? O Verbo e a carne são realidades opostas entre si; como pode a Palavra eterna e onipotente tornar-se um homem frágil e mortal? Só há uma resposta possível: o Amor. Quem ama quer partilhar com o amado, quer estar-lhe unido [...]” (Bento XVI). O Natal sempre será a feliz memória de um Deus louco de amor por nós. Ele nos recorda toda a intensidade da fé no Pai Eterno, que não mede condições nem impõe limites para amar.  Para os que não creem isso se parece com a reprodução de insanidades ou de mitos antigos, atualizados pelos cristãos. Não esquentemos a cabeça. O mais importante é que esta Solenidade é celebrada há mais de dois mil anos, independente daqueles que a vivenciam, daqueles que a deturpam e também daqueles que não a compreendem. O Menino Deus nasceu para todos!

Aquele que deposita a fé no Natal, com toda a sua verdade, é capaz de atualizar a encarnação do Amor todos os dias: falando bem, quando os outros o instiga a falar mal; se silenciando, onde a fofoca e a calúnia imperam; dando de comer e de beber aos inimigos, na ocasião em que os magoados o incita a pagar o mal com o mal; falando a verdade, quando também poderia mentir, mas não o fez; sendo taxado de bobo e fraco, em um sociedade que prioriza o ditado de não levar desaforo para casa; compreendendo o limite dos outros, quando poderia agir com egoísmo; utilizando o diálogo para chegar a um denominador comum, frente a desculpa: “Falo tudo o que penso. Sou assim mesmo e não vou mudar”.

Todas às vezes que agimos com ética no trabalho, com respeito à dignidade do outro, com consideração àqueles que estão a nossa volta, com disposição para conviver entre as feridas alheias e, aos poucos, transformá-las pelo amor do Pai: o Verbo se faz carne novamente! Isto serve para os que creem, como também para os ateus e céticos. Independente de ter fé ou não, o que vale é a honestidade pessoal, a retidão nas atitudes e um comportamento coerente de acordo com as suas verdades. Talvez, este seja o maior apelo do Natal, meu querido irmão, minha querida irmã!

Deus se torna humano em Jesus. Este é o mistério da encarnação! Ele nasce para devolver o dom da esperança a cada um de nós. Que, na noite do Natal, possamos renovar a nossa espera confiante, sabendo que “passou o que era velho, eis que tudo se fez novo” (2 Cor 5,17). Não percamos a fé nem deixemos de crer na evangelização, pois “manifestou-se a graça de Deus, que traz a salvação para todos” (Tt 2,11).

Mesmo com toda a importância simbólica do ouro, do incenso e da mirra, o Menino Jesus está a pedir uma única coisa: o meu e o seu coração! Não tenhamos medo desta entrega, pois foi assim que um dia Ele se ofereceu a nós: entre animais, palhoças e na mais absoluta pobreza. Sua única riqueza era o Amor! Algo que o humano procura até hoje, vagando pelo mundo, perdido no vazio existencial, sem rumo e sem paz. Sendo a fé o caminho para o Pai Eterno, não nos esqueçamos de que o presépio é o atalho. Portanto, corramos para Belém. Lá o Amor espera por nós! Feliz Natal!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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NA CHINA, “O SANGUE DOS MÁRTIRES É A SEMENTE DOS CRISTÃOS”

dezembro 12, 2011 on 4:11 pm | In Pe. Robson | 1 Comentário

Sirvo-me de uma expressão de Tertuliano, um dos maiores teólogos da Igreja Primitiva, para intitular este artigo, referente ao sangue dos cristãos derramado pelo comunismo chinês. Há uma ferida à dignidade humana no coração deste gigante comercial.

Nos últimos anos, a República Popular da China tem sido enfocada como a nova grande potência, devido os avanços da sua economia. A projeção é que a mesma supere até os Estados Unidos em questão de décadas. O aumento de renda dos trabalhadores, a industrialização em massa, as exportações mundo a fora escondem a triste realidade das perseguições aos cristãos. Dentre eles, nossos irmãos católicos.

Tudo começou com uma revolução iniciada em 1927 e concluída em 1949. O movimento, em sua primeira fase, fez eclodir uma guerra civil, entre nacionalistas e comunistas, no sul do país. O conflito perdurou durante três anos. Mais adiante, o líder do Partido Comunista Chinês (PCCh), Mao Tsé-Tung conduziu uma reviravolta, quando trabalhou a revolução em parceria com os camponeses das zonas rurais.

A partir de então, o movimento alastrou-se por todo o país. Milhões de pessoas pegaram as armas, em nome de uma guerrilha, que visava destruir o temível exército nacionalista. Houve uma ‘Longa Marcha’ (1934-1935), quando os comunistas percorreram mais de dez mil quilômetros, pelo interior do país, até chegarem à Província de Shensi: berço estratégico da revolução.

No ano de 1937, o Japão invadiu a China. O Exército Nacionalista passou a combater os japoneses, deixando de concentrar esforços para conter o movimento revolucionário de Mao Tsé-Tung. Fortalecidos na Província de Shensi, os comunistas organizaram o Exército Popular de Libertação, composto pela massa de camponeses que viviam na miséria. Eram milhões de campesinos, transformados em revolucionários. A lavoura foi trocada pela luta armada.

Como os japoneses eram muito fortes militarmente e estavam dominando a China, os nacionalistas e os comunistas se uniram para destruir um adversário em comum: o Japão. Após a derrota dos japoneses, o conflito é retomado. O exército do país e o exército revolucionário se opõem de novo. Em 1949, os comunistas vencem o conflito e os nacionalistas se refugiam na ilha de Taiwan. Cria-se a República Popular da China.

De acordo com dados históricos, cerca de dois milhões de proprietários rurais foram assassinados por não aceitarem a reforma agrária e por resistirem ao comunismo. Os opositores do novo sistema eram declarados ‘inimigos do povo’. As pessoas eram instigadas a denunciá-los em troca de proteção da República.

Dentre estes ‘inimigos’ estavam os católicos. O plano de Mao Tsé-Tung era exterminar todas as religiões da China. Como não havia possibilidade de concluir essa estratégia, foram criadas igrejas nacionais: budistas, islâmicas e também protestantes. No ano de 1957 foi fundada uma associação patriótica, controlada pelo Partido Comunista. Cabia a ela fiscalizar as igrejas nacionais e punir os oponentes. O Vaticano condenou a Associação e a voz do Papa Pio XII se fez ecoar.

Os bispos que se opuseram aos comunistas e à sua associação foram presos, torturados, permanecendo de 20 a 30 anos em trabalhos forçados. Muitos deles, desaparecidos, agora são encontrados mortos. Os que conseguem escapar são chamados de ‘clandestinos’: reconhecidos pelo Vaticano e perseguidos pelos comunistas. Ao todo são 37 bispos que não pertencem à igreja oficial. São vigiados, dia e noite, por policiais. O crime destes bispos perseguidos é não abdicar da fidelidade ao Evangelho e de sua obediência ao Papa.

A repressão é tão grande que até mesmo os bispos vinculados aos comunistas vêm sendo controlados e seguidos, principalmente nas suas viagens pastorais. O fato é que eles escreveram ao Vaticano e pediram perdão por terem se submetido à igreja nacional. Com isso, foram reintegrados à comunhão católica. Tantos os bispos oficiais (aprovados pelo regime comunista), quanto os bispos clandestinos (obedientes ao Vaticano) sofrem com a perseguição de um sistema ditador e tirano.

Que na aurora do nascimento de Jesus, preparada pelo tempo do Advento, possamos agradecer ao Pai Eterno, por vivermos em um país que respeita a liberdade religiosa. Também não nos esqueçamos de orar pelos nossos irmãos chineses, vítimas de um sistema econômico que os escraviza nas indústrias. Acreditemos que o Espírito do Pai age além de todo poder terreno. Os comunistas podem saciar a sede de pão e moradia, mas não são capazes de saciar a fome espiritual do povo chinês. E aí está a ruína do próprio sistema.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
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ALEGRIA DE MARIA

dezembro 9, 2011 on 4:35 pm | In Geral | Sem Comentários

Todos sentimos verdadeira decepção quando somos injustiçados em nossos direitos. Mas no ganho da causa em relação a isso, nossa alegria é evidenciada. Fez-se justiça!  Nos dizeres bíblicos vemos a grande realidade da ação de Deus que nos dá a garantia de sua ação: “Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações” (Isaías 61, 11). Baseado nessa ação do Senhor, o povo judeu teve a sustentação de sua euforia (Cf. Isaías 61, 10), repetida por Maria no Magnificat: “Meu espírito se alegra  em Deus” (Lucas 1,47).

A alegria de Maria é a nossa também! Ela foi escolhida para nos dar o Salvador. Estávamos perdidos para sempre. De repente a invenção de um projeto divino mudou nossa história. Não somos mais condenados à tristeza, conseqüência do desatino de nos colocarmos no lugar de Deus, deixando-O de lado no nosso encaminhamento de vida. Sem Ele não somos capazes de cuidar com verdadeiro amor do planeta e de quem vive nele. O senhorio de Deus nos enriquece de satisfação em tudo, contando com seu amor e suas coordenadas. Viver em Deus e deixá-lo viver em nós é causa de nossa realização humana. O próprio Jesus nos assegura: “Sem mim, nada podeis fazer”!

Já perto da celebração da presença humana de Deus em nossa história, somos convidados a rever nossa caminhada para percebermos até que ponto O deixamos agir em nós para termos a grande graça e a certeza de que com Ele vencemos nossos limites. Assim, somos capazes de promover a vida de realização plena para todos, mesmo dos mais decepcionados ou desesperançosos. Não são os sofrimentos, os limites humanos, os desafios da caminhada, os empecilhos que vão nos tirar a certeza da vitória e da superação de nossos limites. Com o amor trazido pelo filho de Maria somos capazes de recomeçar uma vida mais saudável e cheia de esperança, motivo de nossa alegria brotada da fé no Emanuel.

Nem as incompreensões e injustiças acontecidas com Jesus anularam a confiança de sua mãe. Ela acreditava nele. Acompanhou-o por toda a vida, até mesmo ao túmulo. Mas viu-o também ressuscitado! Pode verificar seu poder divino, espalhando a toda a humanidade o resultado de seu sacrifício redentor! Mais: ela viu a Igreja nascente a espalhar  até para povos distantes o Evangelho da promoção da vida. Torna-se verdadeira mãe de todos, pois, cooperou com a salvação da humanidade, dando-lhe o Salvador!

Como é bom vermos o resultado de nosso sacrifício para realizar um projeto de grande extensão na vida! Quando realizamos o projeto do Criador, temos a certeza do resultado positivo. Nossa alegria então se verifica, não só num momento, mas sempre. É a alegria duradoura, garantida pelo próprio Deus, que age em nós! Nosso compromisso com a implantação do Reino de Deus nos torna aptos a contribuir com a implantação da justiça. Esta nos leva a trabalhar pela construção da verdadeira cidadania para todos. Como Maria, nossa alegria se torna indizível!

Dom José Alberto Moura, CSS
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG

QUANTA INCOERÊNCIA, MEU DEUS!

dezembro 5, 2011 on 2:05 pm | In Pe. Robson | 5 Comentários

Antes de escrever este artigo parei um pouco para orar ao Pai Eterno. Logo em seguida passei a refletir sobre as incoerências que estão à nossa volta. E não sou poucas! Penso que sábia é a pessoa que se deixa orientar por um princípio de vida, seja ele religioso, ético ou moral. Importa fundamentar a existência a partir de uma convicção interna que nos faz ser melhores. Falo de valores que nos humanizam! Falo de sentido que orienta! Falo de significado que não nos deixa ser vazios nem superficiais!

Começo pelas nossas relações. Elos que estabelecemos com aqueles que nos identificamos. Não é preciso ir muito longe para perceber a ausência daquela gratuidade desinteressada, que nos faz valorizar o outro pelo que ele é, não pelo que ele tem ou faz. Hoje, muitos escolhem os ditos amigos a partir do que eles podem oferecer. Muda-se a ordem das relações quando usamos as pessoas para a nossa satisfação. São as coisas que devem ser usadas, não aqueles que nos relacionamos. Para começo de conversa não existe relação se há um jogo de interesses.  

Há situações em que se sorri por fora, quando é nutrida a raiva por dentro. Trata-se alguém com profunda educação e meia hora depois, desce-se a lenha na pessoa. Há uns que puxam o tapete dos outros quando se sentem ameaçados. Inventam-se situações, difundem-se maledicências e arquiteta-se contra a reputação alheia. Isso acontece principalmente no ambiente de trabalho. É o mal da inveja na vontade obsessiva de ser o outro e de possuir aquilo que ele tem.

A incoerência também se estende no meio religioso, educacional e político. Parece que ninguém está isento dela. É o velho ditado popular: “Cumpra o que eu falo, não o que eu faço”. ‘Dar exemplo’ é uma qualidade, totalmente, excluída na vida de alguns. Falar em ‘testemunho de vida’ é balela e assunto de gente que não tem o que fazer. Há pessoas tão incoerentes que são capazes de acreditar em suas próprias mentiras. Defendem-na até o fim, quando, na verdade, seria muito mais fácil dizer: “Sim! Eu errei. Peço desculpas e perdão, se necessário for”.  

Mestres que esquecem as teorias que outrora defendiam; partidários que não assumem a representatividade do povo, pois lutam somente por interesses pessoais; maridos que vivem uma vida duvidosa, com mulher e amante; esposas que traem como forma de se vingar da falta de atenção e carinho do cônjuge; filhos que tem uma vida contestável, porque mentem para quem lhes concede amor.  Uns pagam o mal com mal, xingamento com injúrias, maledicências com difamação. Claro que não podemos generalizar. Existe muita bondade presente no mundo. Existem corações muito coerentes, por sinal! Porém, é a própria benevolência que nos faz enxergar o que é errado.

Em contrapartida, humildade, reconhecimento, bem querer, diálogo, sinceridade sem ofensas e transparência são palavras cada vez mais esquecidas para o incoerente. Ele está mais acostumado com as dissonâncias da vida, as inconsequências do seu agir egoísta e, por fim, com o famoso comportamento contraditório. Diz uma coisa hoje e faz outra amanhã.

Fundamentados no amor do Pai precisamos desenvolver em nós a autenticidade e a assertividade. A primeira nos ensina a ser verdadeiros, principalmente com a nossa consciência. É muito bom colocar a cabeça no travesseiro com o sentimento de dever cumprido pela retidão de vida. Já a segunda nos motiva a dizer verdades, sem magoar ou afrontar quem quer que seja. Assim, passamos a fazer as coisas de bom coração e não com segundas intenções. Agiremos por sermos bons, não por interesse.

A Palavra de Deus já nos orienta ao dizer: “Diga apenas ’sim’, quando é ’sim’; e ‘não’, quando é ‘não’. O que você disser, além disso, vem do Maligno. Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!’ Eu, porém, lhe digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Pois, se vocês amam somente aqueles que os amam, que recompensa vocês terão?  Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se vocês cumprimentam somente os seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sejam misericordiosos como é misericordioso o Pai de vocês que está no céu” (Mt 5,37. 44-48).

Sem nenhum exagero é possível afirmar que muitos não creem no Cristianismo pelo contra testemunho de certa parcela que afirma ser cristã. Não confiam no Mestre Jesus pela incoerência de seus seguidores. As pessoas não acreditam pelas palavras, mas pelo testemunho coerente. Fé e vida devem caminhar de mãos dadas, sem distâncias injustificáveis.

Permitamos que o Tempo de Advento nos ensine a viver de acordo com aquilo que cremos. Que não haja espaço para uma vida com dois sentidos. Não se pode viver de acordo com a ocasião, somente em vista de benefícios pessoais. Que a coerência seja o primeiro critério para que o Menino Jesus venha nascer em nossos corações, no Natal! Termino, ainda em oração, com o sentimento de que a fé solicita de mim e de você um compromisso sincero e firme com o dom da verdade! Que nossas atitudes deem testemunho do Deus que acreditamos! Amém!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

O TURISMO RELIGIOSO ESTÁ CRESCENDO EM TRINDADE

novembro 28, 2011 on 3:07 pm | In Pe. Robson | 5 Comentários

Trindade sedia hoje uma das maiores festas religiosas do mundo, a Romaria do Divino Pai Eterno. Este ano recebemos a visita de 2 milhões e 530 mil fiéis. Durante 10 dias entre o final de junho e início de julho, uma multidão tomou as ruas da cidade para louvar a Deus com demonstrações de fé e paixão. Eram peregrinos de Goiânia, do interior, de outros estados e até do exterior. Não podemos deixar de reconhecer a corrente positiva que esses fiéis formam e que dão novo alento à economia do município.

Mas Trindade, apesar de quase centenária (foi fundada em 1920), ainda não está preparada de forma adequada para receber tantos turistas. Mesmo com esforços da prefeitura, governo estadual, Sebrae Goiás e da comunidade local, não temos restaurantes, hotéis e transporte público e privado apropriados. Sem falar na segurança, que também deixa a desejar, principalmente aos finais de semana da festa - os dias mais movimentados.

Parte dos turistas ainda se hospeda em Goiânia e só vem para cá em determinados momentos da romaria. Caravanas de fiéis se espalham em diversas áreas da cidade e fazem refeições de maneira improvisada. É preciso que essas pessoas sejam bem atendidas, até para que possam voltar no ano seguinte e trazer mais amigos e parentes.

Segundo o Ministério do Turismo, mais de 15 milhões de pessoas se deslocam, anualmente, no Brasil em busca de lugares sagrados, eventos e festas religiosas, retiros espirituais, peregrinações, caravanas e romarias. Esse grupo movimenta um volume de cerca de R$ 6 bilhões por ano. Além disso, o país recebe, ao ano, 25 mil turistas estrangeiros que também visitam os nossos destinos religiosos.

Por isso, é necessário, de forma estratégica, aumentar a participação de Trindade e de Goiás nesses números. Temos de consolidar e promover o turismo religioso de maneira sustentável e ao longo de todo o ano.

Só assim vamos garantir a qualidade de vida da população, a satisfação dos visitantes e a preservação da religiosidade. Essas são as chaves do sucesso e passam, necessariamente, pelo envolvimento de comerciantes e empresários da cidade, além da população em geral.

Nesse cenário temos que reconhecer que o Sebrae Goiás vem fazendo sua parte, uma ‘mão na roda’ para a estruturação do município. Desde 2008, após a elaboração do “Planejamento Estratégico do Turismo Religioso de Trindade”, nossos empresários de micro e pequenas empresas estão sendo preparados para dar uma guinada profissional.

Nesses anos, realizamos ações de muito sucesso na cidade, como os cursos de Atendimento ao Turista Peregrino, Censo Hoteleiro e palestras sobre a Lei Geral do Turismo, além de um curso que formou 35 condutores de turismo religioso, capacitação de técnicas operacionais e de gestão para os meios de hospedagem, alimentação fora do lar, implantação do Programa Cama e Café, dentre outras.

Em um município pequeno como o nosso, com pouco mais de 100 mil habitantes, é mais do que necessário estimular o desenvolvimento de negócios relacionados ao turismo religioso. Por meio do associativismo ou cooperativismo, poderemos superar as deficiências na infraestrutura e acomodar de maneira mais organizada os fiéis, sem deixar de preservar nossa identidade religiosa.

A igreja Católica tem dado a sua contribuição para que o fluxo de turistas aumente em Trindade. No meio deste ano, lançamos a pedra fundamental do novo Santuário Basílica, que terá capacidade para acomodar 6 mil pessoas sentadas e até 10 mil fiéis em aglomeração. O novo santuário terá cúpula com 94 metros de altura, equivalente a um prédio de 30 andares.

O novo Santuário será edificado em uma área de 15 alqueires (goianos), há 1 quilômetro do atual Santuário Basílica. Haverá, ainda, espaço para missas campais, com um altar monumental e uma praça elevada, que poderá acolher cerca de 300 mil pessoas. Na praça, será erguida uma torre para conter sinos (campanário) com 110 metros de altura. O início das obras está previsto para o início do próximo ano, com término entre 2018 e 2020.

Dessa forma, vamos fazer de Trindade referência do turismo religioso, não só no Brasil, mas em todo o mundo. E essa mudança será concretizada por meio da implantação do Plano Estratégico dos diversos parceiros envolvidos no desenvolvimento do Turismo Religioso de Trindade.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
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ADVENTO: RECOLHIDOS NO PAI À ESPERA DE JESUS!

novembro 28, 2011 on 12:07 pm | In Pe. Robson | 1 Comentário

O Advento tem a marca registrada da esperança que o Pai deposita em nós, enviando-nos seu Filho, Jesus de Nazaré, por meio do Espírito Santo. “Não é a espera vã de um Deus sem rosto, mas confiança concreta e certa daquele que já nos visitou, do esposo que assinalou com o seu sangue uma aliança eterna com a humanidade” (Beato João Paulo II). Eis um Deus que não se cansa de nos amar nem desiste de nossa conversão, por mais frágeis que somos.

Muito mais que falar de “pecado”, o Advento nos traz a realidade da “graça”, por meio da salvação que nos vem pelo nascimento, vida, morte e ressurreição de Jesus. Somos inseridos novamente na vida de Cristo e Nele emergimos renovados na fé, reconciliados na esperança e fervorosos na caridade, pela verdade!

A fé, polida na espera vigilante, traz em si o dinamismo da expectativa pela vinda do Redentor. Só por isso, somos reconstruídos na identidade de filhos e recuperamos a dignidade cristã, tão esquecida por alguns. Que sejamos capazes de testemunhar a chegada de Jesus com nossa própria vida! Que nossas atitudes, não somente nossas palavras possam dar testemunho do Deus que acreditamos.

A origem da palavra “advento” está no latim Adventus, com dois significados bem parecidos: chegada e vinda. Pela palavra ‘Adventus’, pretendia-se dizer: Deus está aqui, ele não se retirou do mundo, não nos deixou a sós. Embora não possamos vê-lo nem tocá-lo, como acontece com as realidades sensíveis, Ele está aqui e vem visitar-nos em diversos modos” (Bento XVI, Homilia das I Vésperas, 2009). Olhemos para a nossa existência, com a visão de quem crê é lá veremos a visita constante do Pai: que não nos deixou órfãos nem se esqueceu de nós. Nunca estaremos sozinhos, por mais que os problemas insistam em nos dizer o contrário.

Em nível de história, o Advento teve início no final do século VI e se desenvolveu até o século VIII, tanto no Ocidente, quanto no Oriente. Sua importância é tão grande que ele marca o início do ano litúrgico da Igreja, que difere do nosso calendário civil, iniciado somente no dia 01 de janeiro.

A Igreja estabeleceu um período diferente em seu calendário, porque vive no tempo da Graça, mediante as celebrações dos fatos mais importantes da vida de Cristo. É o tempo do Mistério, onde não há espaço nem cronologia. É o momento onde tudo se silencia para contemplar a santidade do Menino Deus, testemunhada na pobreza da gruta de Belém. Eis um Deus que foi pobre por condição e por opção! Em sua simplicidade e Divindade Ele vem nos visitar. A única coisa que ele solicitada de nós é o nosso coração. Nada mais!

Não podemos nos esquecer de que o Advento é a memória celebrada e atualizada da ocasião em que o Divino que se fez Carne em nossa carne e Sangue em nosso sangue, para que nos humanizássemos. É em nossa humanidade que Deus se manifesta em plenitude. Em um mundo tão conturbado, em uma sociedade que os semelhantes exploraram os outros em benefício próprio, em uma realidade na qual a dignidade humana é marginalizada, o Advento é este tempo forte em que Deus nos diz: “Eu acredito nas suas capacidades e jamais deixarei de colocar a minha confiança em você”.

Se nem o Pai desiste de nós, porque desistimos dos outros, principalmente daqueles que nos eram mais importantes? Porque não nos dispomos a recomeçar e ajudar aqueles que não têm mais forças? Reflita junta comigo se você já não teve que ser a força de alguém que já tinha perdido o sentido de viver. A fortaleza não era sua, mas do próprio Deus agindo em você. Não é verdade?

Por fim, o Advento é também o tempo em que a Igreja se deixa evangelizar na espera orante do nascimento de Jesus. “Evangelizadora como é, a Igreja começa por se evangelizar a si mesma. Comunidade de crentes, comunidade de esperança vivida e comunicada, comunidade de amor fraterno, ela tem necessidade de ouvir sem cessar aquilo que ela deve acreditar, as razões da sua esperança e o mandamento novo do amor. Numa palavra, é o mesmo que dizer que ela tem sempre necessidade de ser evangelizada, se quiser conservar frescor, alento e força para anunciar o Evangelho” (Papa Paulo VI, Exortação apostólica Evangelii Nutiandi).

Na condição de quem tem fé repitamos com toda a Igreja: “Maranatha, vem, Senhor Jesus” (1 Cor 16,22): sentimos a Sua falta e ansiamos por Sua presença entre nós! Nosso coração tem fome e sede do Seu amor!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
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