Entre a política e a politicagem!

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O amor testemunhado pela pessoa de Jesus de Nazaré pode ser considerado como a maior manifestação política de todos os tempos. No entanto, faz bem esclarecer que Jesus não era nenhum partidário político e muito menos pertencente à nobreza aristocrática da época. Pelo contrário, viveu como pobre na condição e na opção. Foi no encontro com a pobreza que soube revelar a riqueza misericordiosa de Deus. Foi olhando para a situação de miséria do seu povo que conseguiu ser fiel ao projeto do Pai. Foi na ferida existencial do humano que Jesus apresentou-se como “servo dos servos de Deus” até as últimas consequências. Jesus desceu da cruz os crucificados pela “não-política” e se crucificou em seus lugares, demonstrando que a política de Deus é dar a vida e não tirá-la.

Consciente de sua missão, Jesus recrutou um grupo de pessoas e os introduziu no discipulado do Evangelho e na escola da fraternidade. Entre estes era chamado de “Mestre”. Por outro lado, também havia outros mestres da sociedade, intitulados de “doutores da lei” e “senhores da política”. Enquanto Jesus facilitava, ao falar a linguagem dos menos favorecidos, estes complicavam e tributavam a vida dos oprimidos. Sem generalizações, podemos afirmar que os antigos fariseus nos fazem lembrar os políticos, de ontem e de hoje, que não solucionam, problematizam; não respondem, perguntam e fazem inquérito; não governam, simplesmente manobram.

Aos seus partícipes Jesus não ofereceu altos cargos nem reservou pastas. O único serviço que lhes confiou foi o testemunho do lava-pés, no qual aquele que quisesse ser grande deveria ser o servo de todos. Essa foi a política de Jesus: o serviço livre e desinteressado como fidelidade ao Pai Eterno! Nas reuniões com os seus discípulos, não havia projetos de leis, sistemas burocráticos ou interesses partidários. Havia sim partilha mútua na missão de se constituírem como homens honestos pela verdade, sensatos pelas atitudes e solícitos políticos pela prática do bem.

Jesus não formou um partido político, pois sua política era o Evangelho, mas lapidou e conscientizou os seus discípulos a viverem na integridade, sem se deixarem corromper por nenhum sistema adulterado pela corrupção. Excetua-se somente Judas: aquele que traiu a política do Evangelho pelo dinheiro e acabou sendo condenado pela sua própria traição mercantil.

Por tudo o que fez e viveu Jesus torna-se o protótipo de todos os que almejam conduzir os caminhos da política na retidão e na veracidade. Atualmente, cabe aos genuínos candidatos a missão de dignificar a política, sabendo que ela é falseada todas as vezes que se converte no “partido do dinheiro” ou nos “dossiês da sujeira”. Neste sistema, a realidade passa a ter uma cotação, os projetos de lei são comprados, o mandato é penhorado pelos lobistas, a verdade é encoberta, o nepotismo é proliferado e os interesses do povo são substituídos em proveito próprio.

Deturpar a política é ferir a existência da sociedade, pois em sua gênese estão a honestidade e a ética como princípios fundamentais. Vale-nos, portanto, distinguir que a politicagem é negócio, a política é serviço. Politicagem é sinônimo de privilégios, política é antônimo de regalias pessoais. Politicagem é falsear as promessas eleitorais, a política é batalhar pela participação de todos na equidade pública de enriquecimento do município. Cabe-nos afirmar pelas urnas a eleição dos políticos e a destituição da politicagem, do mesmo modo que na colheita, onde se separa o trigo do joio.

Ademais, precisamos decretar o falecimento deste tipo de candidatura escondida sob o viés da mesquinhez, da falta de escrúpulos e da desonestidade, que erroneamente chamamos de política. A luta desenfreada para alcançar o poder é uma fraude da política, uma não-política. Matar o atual modo de fazê-la é anunciar o renascimento da verdadeira política. Nos tempos de outrora e, principalmente nos dias atuais, a política precisa deixar de ser uma profissão, um arrimo familiar, para transformar-se em uma legítima vocação, como nos diz Rubem Alves: “De todas as vocações, a política é a mais nobre […] De todas as profissões, a profissão política é a mais vil”.

Por fim, nos resta uma fresta de esperança. Que os candidatos sejam mais sérios e não utilizem de meios ilícitos para dividir a opinião da população! Que palavras soltas e sem autorização pessoal não se tornem meios desonestos para confundir a consciência dos eleitores! Que a tramoia do poder seja deixada de lado! Que o bem comum seja colocado como centro das atenções do poder público! Que ninguém aproveite de oportunidades sutis para se colocar como “bonzinho” usando a imagem dos que lutam pelo bem comum dos fiéis!

Vamos rezar pelos nossos candidatos. A tentação do poder que corrompe e não se traduz em serviço está na alma de todo ser que respira. Até Cristo foi tentado pelo Diabo! Como não seria com aqueles que estão diante dos oásis financeiros das oportunidades de se enriquecerem ou se elegerem facilmente?! Rezemos e não fiquemos calados diante daqueles que se esqueceram que a política não se constrói à custa de opiniões, mas, sobretudo, na prática do bem!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor da Basílica de Trindade

Continuar a missão de Cristo

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Em agosto, a Igreja celebra as vocações. Por ocasião da memória de São João Maria Vianney (4 de agosto), o famoso “Cura d’Ars”, padroeiro dos párocos, também nos recordamos do dia do padre. É tempo de rezar por todos nós, sacerdotes, e refletir sobre o quanto é importante a missão do padre de acordo com o coração de Deus e não a partir dos próprios critérios ou de sentimentos pessoais.

A missão do sacerdote está inserida no mistério Divino e decorre, diretamente, dele. Assim, quanto mais mergulharmos na origem da vocação sacerdotal, mais encontramos o rosto do Pai, pois Ele é o fundamento que legitima uma verdadeira vocação. O Pai continua a peregrinar pelo mundo, tocando no interior de cada alma. Ele prossegue passando por nossas casas, nossas famílias, nossas escolas e a chamar os seus, para lhes conceder vida e plenitude. Por isso, é impossível falar de vocação sem mencionar a emoção da pertença, a característica da escolha e a eleição para um serviço tão importante como o sacerdócio. Por trás de cada vocação está a história do amor do Pai inserida na vida dos Seus filhos. Fomos convocados pelo Amor!

Muito mais do que pregar e confessar o povo, o sacerdote assume o apostolado do exemplo. Mesmo sendo frágil e humano, suas atitudes devem apontar para o Evangelho. Em seus gestos mais simples, o sacerdote convida a comunidade cristã a aderir seu pensamento, vontades sentimentos e toda a sua existência ao Evangelho de Jesus. É como se ele mesmo dissesse: “Querem conhecer o Mestre Jesus? Olhem para mim e vejam em minhas atitudes a face de Cristo!”

No coração do sacerdote está o chamado a ser ‘mestre da Palavra’, ‘ministro dos Sacramentos’ e ‘guia da Comunidade Cristã’. Não porque ele o quis ou evocou para si estes títulos. Pelo contrário, foi porque a Igreja assim o confiou. O sacerdócio não tem nada a ver com o exercício de uma profissão. Ser padre não é uma questão de aptidão pessoal. Trata-se, no fundo, de um carisma, confiado pelo Espírito Santo àqueles que Ele mesmo escolheu.

Junto à missão sacerdotal está a realidade do serviço, pois o sacerdote “não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28). Sendo homem do serviço, cabe a nós, sacerdotes, animar os fracos; empregar esforços para uma vida, verdadeiramente, cristã nos fiéis; exortar os desanimados; edificar a Igreja com o próprio testemunho; consolar os abatidos; libertar os cativos da injustiça e, por fim, ir ao encontro de todos aqueles que necessitam da face de Deus, sempre com a consciência de que: “quem é posto à frente do povo deve ser o primeiro a dar-se conta de que é servo de todos. E não desdenhe de o ser, repito, não desdenhe de ser servo de todos, pois não desdenhou de se tornar nosso servo Aquele que é Senhor dos senhores” (Santo Agostinho).

Porém, a maturidade da fé já ensina que nenhuma vocação é um mar de rosas. Nunca nos esqueçamos dos espinhos. Muitas vezes carregados na própria carne, como dizia o apóstolo (Cf. II Cor 12,7). Da mesma forma como há aqueles que se deixam inflamar pelo amor do Pai, sendo conscientes do dom espiritual que carregam, também há uma pequena minoria que se deixa perder pelo caminho. Acabam por sucumbir à ideia de que a vocação sacerdotal é coisa do passado. Que engano, pois, as pessoas sempre terão necessidade do amor do Pai! “Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros. Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir” (Bento XVI).

Em uma sociedade cada vez mais secularizada, busquemos a face do Pai e não deixemos de orar pelos sacerdotes. Antes de criticar, oremos! “No coração do sacerdote não está extinto o amor” (Paulo VI). Mas, ele o exerce continuando a missão de Cristo, na caridade incondicional. É este amor que lhe confere o sentido de responsabilidade primeira pelo povo de Deus. Com a oração dos fiéis e com o esforço pessoal, a personalidade do sacerdote é amadurecida. A partir desse momento, somos capazes de carregar esse precioso dom, em nossos frágeis vasos, amparados pela força do Pai! Prossigamos!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor da Basílica de Trindade

Somos a família do Pai Eterno

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“Vede que prova de amor nos deu o Pai: sermos chamados filhos de Deus. E nós o Somos!” (1Jo 3,1). Pelo Batismo recebemos a graça de nos tornarmos filhos de Deus. Em Jesus Cristo, o Filho Unigênito, pela graça do Espírito Santo, o Pai Eterno assume a todos nós como filhos e nos dá a alegria de participarmos da sua vida divina. Que maravilha! Nosso destino é a eternidade. Que bênção! Somos todos irmãos, chamados à comunhão. Formamos, assim, a família do Pai Eterno. O mundo saberá que somos filhos através do nosso testemunho de irmãos que se amam mutuamente: “Nisso reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo13,35).

Jesus, o Filho, nos ensina a viver e agir como filhos: “Amai vossos inimigos, orai pelos que vos perseguem, perdoai sempre, sejam bons para com todos, porque agindo desse modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus” (cf. Mt 5,43-48). O outro, portanto, não pode ser visto como ameaça ou alguém para competir. O outro que vive ao nosso lado ou passa pelos nossos caminhos é nosso irmão. Toda e qualquer pessoa é a oportunidade que Deus nos concede para sermos exercitados na capacidade de fazer o bem e de amar.

O amor de Cristo nos congrega e faz de nós uma só família na Igreja. Professamos a mesma fé e recebemos o mesmo batismo para vivermos em comunidade. A comunidade é o lugar especial para viver, cultivar, renovar e celebrar o dom e a alegria de sermos a família do Pai Eterno. Na escuta da Palavra, no exercício da oração, na celebração dos sacramentos e pela prática da caridade é que podemos viver e crescer como família de Deus na terra para sermos, um dia, família de Deus no céu. A Mãe da Esperança nos livre de todo desespero e nos ajude a sermos profetas da esperança de um mundo melhor.

Pe. Fábio B. da Costa, C.Ss.R.
Provincial dos Redentoristas de Goiás

Família: Dom de Deus semeado no coração do mundo!

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Somos vocacionados à família, porque fomos criados à imagem e semelhança da família de Deus. A ternura incondicional do Pai, a salvação sem medidas do Filho e a santificação permanente do Espírito Santo compõe a Trindade de Pessoas: unas e iguais na essência, mútuas e amorosas na comunhão, envoltas e diferentes na identidade (Santo Agostinho, De Trinitate, Livro IX. 1.1).

A Trindade Santíssima não é fechada em si, muito menos solitária. Pelo contrário, Ela vem ao nosso encontro e, por repetidas vezes, convida-nos sempre à relação, mediante o testamento do amor que rege Suas linhas e entrelinhas. Nela somos devolvidos a nós mesmos, sobretudo, quando caminhamos perdidos e confusos na vida. Da Trindade viemos. Nela somos, existimos e nos movemos. Para Ela, haveremos de retornar quando nossa vida chegar ao fim e for acolhida na Ressurreição.

Ao se encarnar em nossa história, Deus também quis ser família. No seio de Nazaré encontrou lugar entre sua Mãe, a Virgem Maria e seu pai, o justo José. Também foi recebido por seus parentes mais próximos, como o eram: Isabel, Zacarias e João Batista (Lc 1,39-56). Criado em uma realidade agrária, ensinado na escola da carpintaria, Jesus aprendeu os valores do afeto e da pertença a uma família humana. Como se vê, não há História da Salvação que não passe, antes, pelo Evangelho da Família.

Além de ser uma instituição originada no coração do Pai Eterno, assumida pelo Filho e abençoada pelo Espírito, a família também é constituída pela própria necessidade da espécie humana, que desde o primeiro sopro de vida, não consegue se desenvolver sem o auxílio constante de outra pessoa. Para despertar a nossa tendência inata ao amadurecimento dependemos sempre dos cuidados acurados e ininterruptos, seja da maternidade, seja da paternidade.

A família inaugura o sentido da nossa existência em Deus. Nela somos acolhidos, sustentados e providos. É coabitando, entre cada familiar, que não nos sentimos abandonados, desapoiados, esquecidos ou, ainda, repudiados pelos mais variados sofrimentos que nos são impostos no cotidiano. Estar em família é uma forma concreta de viver a experiência do amparo. Ficar sem ela é uma angústia impensável, mas real em nosso amado Brasil.

Quantas crianças sofrem devido à ruptura do vínculo familiar, tornando-se inseguras afetivamente e instáveis emocionalmente. A aterrorizante experiência do abandono, a dor pela perda dos referenciais, a ausência de limites e a sistematização da violência doméstica têm se tornado uma ferida traumatizante. Causada na primeira infância, ela tem se estendido pela vida adulta, pelo fato de se instalar na privação, fazendo com que as pessoas se sintam sem ajuda no mundo.

A agressividade de certos jovens, principalmente, aqueles com padrão antissocial ou comportamento infrator, é um reflexo da profunda crise que perpassa o coração das famílias. Não se pode generalizar, mas é possível que a agressão também seja uma resposta, cuja razão está na incapacidade de elaborar a aterrorizante experiência do desamparo familiar.

Em muitos contextos, a agressividade funciona como uma defesa, diante de um conflito, originado no exato momento em que a pessoa se sentiu aniquilada, desprovida de esperança, perdendo a capacidade de confiar, de se integrar a alguém, desprotegida e não sustentada. Algo que costuma ocorrer, com certa frequência, quando a ausência familiar ultrapassou o limite do suportável. Distante da família, ficamos na companhia da solidão: ela amedronta a alma, esvaziando o significado de todo e qualquer tipo de cuidado, inclusive o paliativo.

Ciente do seu papel evangelizador, a Igreja não permanece alheia aos sofrimentos das famílias contemporâneas. Sua missão é servi-la como instituição querida por Deus e, ao mesmo tempo, fazê-la enxergar a identidade de comunhão que lhe compete na fé. Solícito às necessidades do tempo presente, o Papa Francisco anunciou a Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, para outubro de 2014.

Como medida consultativa e participativa foi enviado um questionário amplo a todas as Conferências Episcopais do mundo e, destas, às respectivas Dioceses. Agora, os secretários sinodais empenham-se, arduamente, em vista das incontáveis respostas, chegadas dos grandes centros e dos confins mais distantes do Vaticano, no intuito de compor uma radiografia das famílias, a servir de instrumento de trabalho, para os Bispos, durante o Sínodo.

Em sintonia com a Assembleia Sinodal, celebraremos o dom de ser família no coração de Deus. Durante a Festa de Trindade, renovaremos os nossos laços afetivos, nos abriremos à compreensão fraterna, sem deixar de lado o dom do perdão. Você que me lê, agora, pare um pouco e, diante do amor do Pai, procure verificar quais são as mágoas e os ressentimentos antigos que lhe impedem de reatar a convivência com um familiar. Às vezes, para se chegar ao perdão, é necessário vencer, antes, o orgulho. De fato, o perdão é um desmemoriado. Só é colocado em prática quando a vida deixa de ser adubada e regada com o rancor.

Rezar em família, amá-la e respeitá-la é a melhor ferramenta para uma sociedade sã e menos adoecida. Alguém que não foi provido, sustentado, manuseado no passado, dificilmente, terá condições de munir, suster e manejar no presente. É por isto que a Igreja cuida das famílias atuais, sem deixar de avistar as futuras gerações.

Por fim, fiquemos com o parecer de Santo Agostinho ao dizer que: “aquilo que é gerado é igual àquilo que o gera” (De Trinitate, Livro IX. 12. 16). Que gerados no amor do Pai Eterno tenhamos o coração recíproco para acolher o Mistério Divino e os caminhos que Ele utiliza para Si revelar a cada um de nós, por meio de nossas queridas famílias. Tanto aqueles que estão aqui em Trindade, quando os outros devotos que nos acompanham pelos meios de comunicação: sejam bem-vindos à Romaria 2014! A fé conta conosco para que, em nossas famílias, enriqueçamos a Igreja, sendo dom de Deus para o mundo!

Pe. Robson de Oliveira

Reitor do Santuário Basílica de Trindade

 

No amor do Pai celebremos o Evangelho da Família!

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O mandato missionário de anunciar o Evangelho foi confiado à Igreja, por Jesus, desde os tempos apostólicos (Cf. Mc 16,15). A transmissão da fé pulsa pela evangelização, mas antes de chegar aos mais variados âmbitos da sociedade, o Evangelho passa antes pelo coração das famílias.

Neste sentido, em contínuo diálogo com os desafios do tempo presente, a Igreja não descansará até que as famílias se encontrem com a mensagem da Redenção, tornando-se, cada vez mais, luzeiros no mundo e, ao mesmo tempo, assumindo-se como comunidades assíduas na oração, escolas primazes da fraternidade e lugares legítimos para o exercício do perdão.

Originada de Deus, sagrada e inviolável por natureza, a família se constituiu como a célula essencial da sociedade. Ela não é apenas um aglomerado de indivíduos, muito menos uma justaposição de pares consanguíneos. Do contrário, na família encontra-se uma comunidade de pessoas: vinculadas no amor, alicerçadas na fé e alimentadas pelo dom da esperança.

Por mais que haja vulnerabilidades, é ali que se aprende o ensinamento da caridade, mediante o sacrifício constante de uns pelos outros e a defesa da vida em todas as suas circunstâncias. É por esta via que a graça da Misericórdia Divina, prometida a Abraão e proclamada no Magnificat, passa a se estender de geração em geração, mesmo em meio a tantas lutas (Cf. Lc 1,46-56).

Diante do Pai, a família é tão importante que, ao enviar seu Filho ao mundo, o encarnou no ventre maternal de uma virgem e o educou pelo testemunho adotivo de um pai.  A Sagrada Família de Nazaré é o protótipo de tudo aquilo que nossas famílias podem ser em Deus. Mesmo passando por inúmeros contratempos, experimentando na própria pele a dor da pobreza e o medo da perseguição, Maria e José jamais se esqueceram de viver Nele, para Ele e com Ele.

Vocacionada à vivência e à transmissão da fé, a família assume a sacralidade de sua missão. Dia após dia ela retoma a ordem das coisas, outrora, invertida pelo pecado. Onde imperava o ódio, agora prevalece o amor; do lugar que vigorava o desrespeito, agora predomina o apreço e a atenção; no ambiente da inútil disputa, agora se vale a lei da alteridade e da austeridade, ambas valorizando as diferenças que coexistem na pluralidade.

A família também se institui na ótica do cuidado. Uma das formas de medi-la é pelo modo como suas crianças, seus idosos, os mais frágeis e os doentes são tratados. Os primeiros já experimentam as dimensões de polaridade da existência, ao passo que os segundos vivenciam a sintomática perturbação na saúde. Não são poucos aqueles que dedicam suas vidas, assumindo para si, a incumbência do zelo e da estima especial. Agindo, assim, acabam por impedir que os infantes, os adoentados e os envelhecidos sejam esquecidos. A mútua consideração é um termômetro eficaz para aferir a afetividade entre os próprios familiares e, em conjunto, constatar seu bem-estar ou sua enfermidade.

Presidindo a Igreja, na caridade, o Papa Francisco tem colocado dois itinerários bastante específicos para a fé eclesial: o primeiro a se realizar em outubro próximo, por meio da Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos de 2014, cuja missão está em receber e reunir os testemunhos, bem como as recomendações para a vivência autêntica da fé entre as famílias. Já o segundo caminho se efetivará na Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2015, na qual serão traçadas as linhas de ação pastoral voltadas para cada pessoa humana, inserida no contexto familiar.

Em comunhão com toda a Igreja, celebraremos o dom de ser família, na Tradicional Festa em Louvor ao Divino Pai Eterno. “Consequentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Efésios 2,19). Em família somos acolhidos e amparados. Trata-se de uma forma concreta na experiência da segurança provedora. Por isso, além de refletir sobre as potencialidades que lhe são pertinentes, também insistiremos no exercício do perdão, deixando de acumular mágoas e cultivar ressentimentos. Afinal de contas, sem a compreensão sincera de cada membro não há família que se sustente, se respeite e se valorize em Deus.

Não nos esqueçamos de que o Pai Eterno é amor (Cf. I Jo 4,8). A ordem da criação, desde o seu primeiro sopro de vida, respira a amorosidade de Deus. Fomos sonhados, moldados e doados à existência para constituirmos comunidades familiares e vinculá-las à Família Maior, que é a Santíssima Trindade.

Hoje, o Pai, o Filho e o Espírito Santos nos chamam a dar testemunho deste Amor: primeiro pelo ‘exemplo’ e só depois pelas ‘palavras’. O mundo anseia por ver, em nossas famílias, as marcas impressas do Evangelho e o registro inscrito da salvação. Mantendo os olhos fixos na fé não nos arrependeremos de ser o testemunho crível e visível do Evangelho da Família. Eis a nossa missão, eis a nossa vocação!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Reitor do Santuário Basílica de Trindade

 

A Família: Célula vital da sociedade!

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Sirvo-me de uma expressão do Decreto sobre o Apostolado dos Leigos – Apostolicam Actuositatem – para tematizar o respectivo artigo. Sabemos que a família é uma instituição humana, social e religiosa. Não se trata de uma imposição da sociedade, como Berger e outros teóricos a definem, mas, sobretudo, de uma condição existencial. Não podemos confundir a família com um mecanismo para o controle dos indivíduos ou uma programação da conduta.

Humanamente, a família é fruto do desenvolvimento da consciência evolutiva dos povos: uma passagem tribal do clã à consanguinidade e à afinidade. Na perspectiva social, a família é uma estrutura criada para a proteção da sociedade. Ela é a escola onde se aprende as virtudes sociais. Por meio de regras claras e disposições ratificadas pelas pessoas, a sociedade é organizada. O objetivo maior é manter a regularidade e, ao mesmo tempo, a satisfação de todos os que se organizam em família.

Religiosamente, a família está radicada no coração do Criador. Ela tem raízes na comunhão de fé e vida da Santíssima Trindade. Porque Deus é família, comunhão de pessoas, nós também o somos ou deveríamos ser. Trata-se de um mistério cujo Pai é Deus e cuja regra é a caridade incondicional. À família cabe a missão de guardar, revelar e comunicar ao mundo a face do amor de Deus.

Infelizmente são muitas as forças que almejam deformar a família ou do contrário, destrui-la. O maior inimigo tem sido a perda dos valores fundamentais que constituem a vida familiar. Disposições como diálogo, perdão, solicitude, reciprocidade e altruísmo são concebidos na ótica do retrógrado. Para muitos, a própria família já é enfocada como um aparelho social arcaico. Vemos surgir movimentos aqui e acolá que almejam compor um novo modelo de família, na qual a dimensão da sacralidade e do divino é destituída de sua importância primordial. Assim, Deus é esquecido. No entanto, estes acabam se esquecendo de que o sepultamento de Deus é também o sepultamento da própria família.

A família tem uma vocação “não só natural e terrena, mas sobrenatural e eterna” (Paulo VI). Um dos grandes desafios da família é a educação da prole. Não são raras as ocasiões em que somos abordados por pais praticamente desesperados pelo caminho vivido pelos filhos nas drogas, no tráfico armado, na prostituição, na vida fútil e no prazer pelo prazer: “a educação para o amor como dom de si constitui também a premissa indispensável para os pais chamados a oferecer aos filhos uma clara e delicada educação sexual. Diante de uma cultura que banaliza em grande parte a sexualidade humana, porque a interpreta e a vive de maneira limitada e empobrecida coligando-a unicamente ao corpo e ao prazer egoístico, o serviço educativo dos pais deve dirigir-se com firmeza para uma cultura sexual que seja verdadeira e plenamente pessoal” (João Paulo II).

É na comunidade familiar que construímos a nossa identidade. Nela somos educados para o amor gratuito. Na família tecemos relações incondicionais em que a vida ganha um norte e a esperança passa a ter sentido. Diante de uma sociedade alienada pelo prazer e demente pelo dinheiro, a família ainda é um grito profético contra o alcoolismo e todos os demais pecados que ferem a dimensão sacral da pessoa humana. Contra a falsificação da verdade, é tarefa de cada um de nós lutar pela existência da família, a saber:

“1. Pelo direito de existir e progredir, isto é, o direito de cada pessoa, mesmo o pobre, a fundar uma família e a ter os meios adequados para sustentá-la; 2. Pelo direito de exercer as suas responsabilidades no âmbito de transmitir a vida e de educar os filhos; 3. Pelo direito de crer e de professar a própria fé, e de difundi-la; 4. Pelo direito de obter a segurança física, social, política, econômica, especialmente tratando-se de pobres e de enfermos; 5. Pelo direito de ter uma habitação digna a conduzir conve – nientemente a vida familiar; 6. Pelo direito de criar associações com outras famílias e instituições, para um desempenho de modo adequado e solícito do próprio dever; 7. Pelo direito de proteger os menores de medicamentos prejudiciais, da pornografia, do alcoolismo, etc. mediante instituições e legislações adequadas; 8. Pelo direito à distração honesta que favoreça também os valores da família; 9. Pelo direito das pessoas de idade a viver e morrer dignamente; 10. Pelo direito de emigrar como família para encontrar vida melhor” (Exortação Apostólica Familiaris Consortio, nº 46).

Rezemos por nossas famílias para que sejam moradas do Pai Eterno no seio da humanidade!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor da Basílica de Trindade

A Romaria do Divino Pai Eterno

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O Santuário do Divino Pai Eterno, em sintonia com as preocupações da Igreja e atento às apreensões do Papa Francisco, tem como tema para a Festa do Divino Pai Eterno em 2014: “Somos a Família do Pai Eterno”, sabendo que a reestruturação da família é um forte apelo ao mundo de hoje. Não podemos deixar de lembrar que a família tem uma função única e insubstituível na vida e na realização do ser humano. E, mesmo que o homem, na sua busca por realização, percorra diversos caminhos, é a família o primeiro e mais importante destes trilhos.

Ao chegar a este mundo o primeiro acolhimento que uma pessoa recebe é da família. Nela a pessoa vai aprender valores, vai se descobrir um ser chamado à comunhão e ao amor, vai construindo suas potencialidades pessoais e sociais, descobre a sua dignidade; dela parte ao encontro de seu desenvolvimento na sociedade e, também, nela encontra o apoio e a força nas dificuldades. Além de ser a família, o lugar do primeiro aprendizado na fé que cada pessoa traz. Tudo isso nos faz ver o quão importante é a família no desenvolvimento do ser humano.

A instituição familiar sofreu, nas últimas décadas, profundas mudanças, provocadas pelas mudanças sociais. Tudo isso traz grandes consequências para o trabalho pastoral evangelizador da Igreja. É preciso dizer que a família é uma instituição que nasce da vontade divina. Ela é para a Igreja e para o mundo o rosto vivo do Deus que ama; portanto, nela deve acontecer uma íntima comunhão de vida e de amor entre os seus membros, mantendo-se aberta às novas gerações.

Os anos 60 do século passado provocaram transformações profundas para a sociedade e para a instituição familiar: a nova compreensão de liberdade abriu portas para que os valores morais sobre a família fossem deixados de lado, provocando novas formas afetivas.

E, mesmo nesse tempo de crise de civilização, a família continua a ser a base real do equilíbrio social e seu maior foco de esperança e estabilidade. E nenhuma crise foi capaz de ofuscar a beleza de tantas famílias, que se empenham em viver o amor e que encontram para isso, força, razão e discernimento na fé.

Ao trazer ao homem a consciência da sua individualidade, promoveu grande benefício, favorecendo-o na afirmação da sua dignidade como ser único, original, diferente, insubstituível, irrepetível e autônomo, fortalecendo conceitos como liberdade, pluralismo e responsabilidade. Contudo, caminhou para o individualismo, que supõe uma vida em que o próprio sujeito estabelece a sua verdade a partir do que lhe é útil, e dos seus próprios gostos, o que o torna egocêntrico e egoísta. Não admite uma verdade objetiva, que não parta dele mesmo.

O homem que vive a partir desta consciência, é marcadamente regido pelo provisório, efêmero, pelo imediato e momentâneo. Tem sua vida orientada pelo prazer, pela satisfação imediata, subalternizando as opções de caráter definitivo, eterno e tudo que é duradouro, ao seu bel prazer.

Essa cultura anula a comunhão, incapacita o homem de dar-se ao outro numa relação afetiva, profunda e definitiva. Torna-o indiferente a Deus e aos seus projetos; fortalece o hedonismo, o consumo e o bem-estar material, o utilitarismo.

Somos, muitas vezes, um conjunto de indivíduos sobre o mesmo teto, mais parecido com hotel ou pensão, com direitos regulados pela lei e não uma comunidade de amor e vida. Mas, na perspectiva da fé, a família não é assim, é na verdade uma comunidade que faz da vida uma doação, a partir da partilha, da solidariedade e do serviço feito com amor.

Também estamos atentos, como toda Igreja, aos casos especiais. Esses merecem atenção, respeito. São filhos e filhas que merecem a caridade, o zelo e compreensão. A Igreja procura estar sempre atenta a esta complexa e multifacetada realidade familiar, vê seus dramas e dificuldades. Somos a família do Pai Eterno, apta e frágil, santa e pecadora, mas, sobretudo amada.

Pe. Idemar Costa, C.Ss.R.

Missionário Redentorista

 

Perpétuo Socorro

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Para os redentoristas e as comunidades onde realizamos a missão, junho é o mês de celebrar a festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Somos convidados a aprender de Maria a atitude de ouvir, guardar no coração e colocar em prática a Palavra de Deus. Quem ama o Filho de Maria, guarda e observa a sua palavra, os seus ensinamentos. Quem ama Nossa Senhora, acolhe o seu bom conselho de Mãe: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.

Maria traz Jesus, nosso Perpétuo Socorro, nos braços, e o entrega para nós. Com o seu olhar materno, ela nos acompanha a todo instante com misericórdia, ternura e paz. Com as suas mãos generosas, Maria nos conduz com segurança no Caminho, na Verdade e na Vida que é Jesus.

A Mãe do Perpétuo Socorro nos ensina a acolher a fé como dom, iniciativa do amor de Deus por nós. Ela nos inspira a corresponder ao dom de Deus através do amor e serviço que oferecemos gratuitamente aos irmãos. A fé nos torna felizes quando, do jeito de Maria, acolhemos a Palavra e nos colocamos a caminho para amar e servir, pois a fé age pela caridade e a fé sem obras é morta. Maria, sempre atenciosa para com todos, demonstra que a todo momento urge amar e servir. A Mãe de Jesus nos provoca a sairmos de nós mesmos para irmos, às pressas, ao encontro daqueles que precisam do Perpétuo Socorro. Se amamos Nossa Senhora vamos levar às pessoas a alegre esperança e a paz que só Jesus pode dar.

O Magnificat é expressão da espiritualidade de Maria, reflexo do seu coração enraizado nas profundezas do coração de Deus. Rezando com Maria, o “minha alma engrandece”, temos a oportunidade de cultivar nossa gratidão a Deus que nos escolhe porque nos ama. Com Maria cultivamos a humildade e a alegria de sermos livres da mania de grandeza. Rezando com Maria aprendemos a confiar nas promessas de Deus e a esperar nas suas demoras porque ele é sempre fiel e misericordioso.

A Mãe do Perpétuo Socorro nos ajuda a crer e esperar na ação de Deus que porá fim a toda ordem injusta. Mulher forte, Maria experimentou o sofrimento na pobreza de Belém, no exílio para o Egito, na rotina da vida em Nazaré, na subida para o calvário, aos pés da Cruz do seu Filho e quando o recebeu morto em seus braços para ser sepultado. Diante de todas essas situações, Maria não desanimou e nem desistiu da vida. Manteve a esperança que não decepciona. A Mãe da Esperança nos livre de todo desespero e nos ajude a sermos profetas da esperança de um mundo melhor. 

Pe. Fábio B. da Costa, C.Ss.R.
Provincial dos Redentoristas de Goiás

Ser mãe é uma questão de vocação!

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A maternidade é o maior dom que o Pai Eterno conferiu à figura da mulher. Aquela que assume essa responsabilidade é digna de mérito Divino e de reverência humana: “Gerei um ser humano com o auxílio do Senhor” (Gn 4,1). A maternidade é um carisma que deve ser acolhido com o coração agradecido e não com desgosto! Muito mais que um corpo ou além de pendências financeiras está uma graça proveniente da Santíssima Trindade: fonte de onde emana o existir humano!

A mulher traz, no interior do seu coração, a pulsão da vida. Em suas veias corre o sangue da batalha em lutar por direitos sociais igualitários, em desmentir a imagem de fragilidade, em conquistar novos campos profissionais, em despontar no mercado de trabalho, em conseguir conciliar casa e serviço e em ser capaz de dar a vida por seus amados filhos!

A vocação existencial da mulher é ser mãe, acima de tudo! E é este dom que confere o valor incondicional da vida humana! Mais que uma data histórica do calendário civil, o Dia das Mães é a sublime celebração da transmissão da vida! Somente pela fé seremos capazes de compreender tamanho mistério. A condição existencial do “ser mãe” está imersa no Mistério Divino. “A maternidade é [...] um dom de Deus à mulher: pela maternidade, esta participa de modo singular e especial do poder gerador de Deus. Torna-se sacramento da paternidade de Deus, manifestando ao mundo que Pai é doador de toda vida. O dom da vida humana sempre passa pelo sagrado ventre de uma mãe!” (Pe. Placimário Ferreira).

O Dia das Mães teve um pré-início no século XVII, quando as indústrias inglesas permitiram às operárias a liberação para ficarem com seus filhos. Tal fato acontecia sempre no quarto domingo da Quaresma. Contudo, a exclusividade da data surgiu, nos Estados Unidos, após as primeiras investidas de Júlia Ward Howe, em 1872. Júlia foi a compositora do hino do país. Posteriormente, o Dia das Mães teve início quando Ana Javis organizou uma campanha, com um grupo de amigas, para comemorar a data, após o falecimento da própria mãe. Seria uma forma de superar a depressão. Em 1914, Woodrow Wilson, presidente dos Estados Unidos, oficializou a data para todos os estados do país. Em questão de pouco tempo a celebração se estendeu para mais de quarenta nações e hoje se tornou uma comemoração universal.

Historicamente, a data visa à celebração do amor e do afeto. Muito mais que presentes caros, é chegado o momento de perdoar antigas mágoas e reatar o laço fundamental de nossas vidas. Mais admirável que festas fartas; está o diálogo, a compreensão, a paciência com aquela que nos deu a existência. Junto às flores, os sorrisos, os jantares ou a simples lembrança deve estar unida a frase que resume a história de nossa existência: EU TE AMO, MÃE!

Nesta festividade, estaremos diante da pessoa que acompanhou todos os nossos passos e foi o sinal concreto da ternura de Deus por cada um de nós! Ela nos colocou no mundo, nos ensinou a andar e falar, deu as primeiras broncas, foi a nossa primeira visão de mundo, passou fome para nos dar de comer, trabalhou para nos sustentar, nos protegeu do nervosismo das pessoas, nos defendeu de inúmeros perigos, nos ensinou os valores da vida e nos humanizou!

Eis a paternidade Divina presente na maternidade da mulher! Mas, “infelizmente, há que reconhecer que muitas vezes a mulher, em vez de ser enaltecida, é explorada. Quantas vezes ela é tratada não como pessoa, com a sua dignidade inviolável; mas como objeto, cujo objetivo é satisfazer os apetites alheios de prazer ou de poder! Quantas vezes o papel da mulher como esposa e mãe é minimizado, ou até mesmo ridicularizado! Quantas vezes o papel da mulher no mundo dos negócios ou da vida profissional é apresentado como uma caricatura masculina, uma negação dos dons específicos da perspectiva feminina, compaixão e compreensão, que contribui tão notavelmente para a ‘civilização do amor’” (Julie Maria).

Ser mãe é olhar para céu e agradecer ao Pai Eterno por tamanha graça! Aqueles que as possuem, na terra, devem estimá-las e fazer tudo por elas! Aqueles que as possuem, no céu, devem eternizá-las; sendo gratos a Deus por ter conhecido um ser tão magnífico como uma mãe. Unamo-nos à Maria, Mãe de Jesus, e celebremos a maternidade divina presente em nossa vida. Feliz Dia das Mães!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

Alegrai-vos! Não tenhais medo!

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O cristão passa pela cruz, mas não permanece nela porque Aquele que é o fundamento da sua fé e a razão da sua esperança passou pela cruz, mas não permaneceu crucificado. O discípulo não é maior que o Mestre e, por isso, é chamado a segui-lo na vida, na missão e no seu destino: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, irá perdê-la; mas, o que perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, irá salvá-la” (Mc 8,34-35). Porque crê e tem esperança, o discípulo pode dizer de si mesmo como disse o Apóstolo das Nações: “Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2,19-20).

A vida cristã, o seguimento de Cristo, embora passe inevitavelmente pela cruz e pela morte, não é uma corrida para a sepultura. A cruz está vazia e o túmulo, no qual pretenderam aprisionar Jesus, também está vazio. O cristão não corre ao encontro do vazio, do que não tem sentido. O cristão percorre um longo e estreito caminho para encontrar Aquele que dá sentido à sua vida. Na busca pela plenitude da sua vida, o cristão é surpreendido pela iniciativa do Ressuscitado que se deixa ser encontrado suscitando, no discípulo, a fé e o amor: “Alegrai-vos. Não tenhais medo!” (Mt 28,9-10).

O cristão, discípulo do Eterno Vivente, é mensageiro da esperança, portador da alegre notícia de que a vitória é sempre da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio, da graça e do perdão sobre o pecado, do bem sobre o mal e da luz sobre as trevas. Ainda que homens e mulheres conspirem ao contrário, o cristão, sem medo e sem violência, segue de cabeça erguida anunciando e testemunhando que a palavra final da história será vida.

A fé pascal nos põe a caminho da Galileia de hoje, a exemplo do que ocorreu com os primeiros discípulos. A fé, a esperança e o amor suscitados no encontro com o Ressuscitado nos levam às periferias da existência humana, aos lugares de conflito, aonde a vida é ferida, ao encontro dos empobrecidos e sem esperança para anunciar-lhes o Evangelho e ajudá-los a encontrar o sentido da vida. Pode ser que assim, a humanidade perca o medo e experimente a alegria de viver.

Pe. Fábio B. da Costa, C.Ss.R.
Provincial dos Redentoristas de Goiás

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